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Campo Grande, Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019

07/08/2018 15:49

Curso prepara famílias de aldeias para adoção de crianças índias

Iniciativa inédita quer habilitar famílias no Cadastro Nacional de Adoção para acolher crianças também índias, que não podem voltar para o convívio com a família de origem

Helio de Freitas, de Dourados
Crianças índias em aldeia de Dourados (Foto: Helio de Freitas)Crianças índias em aldeia de Dourados (Foto: Helio de Freitas)

Começou hoje de manhã e termina amanhã em Dourados, a 233 km de Campo Grande, o I Curso de Preparação à Adoção Indígena “Che Memby” (meu filho, em guarani). Inédita, a iniciativa quer habilitar famílias indígenas no CNA (Cadastro Nacional de Adoção), para acolherem crianças também índias que, por algum motivo, não poderão permanecer com a família de origem.

Para o Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul, a realidade da comarca de Dourados é única. Dados do Instituto Socioambiental mostram que em outubro de 2017, a 2ª maior cidade de MS tinha pelo menos 15 mil índios vivendo em aldeias com contato direto com o “homem branco”.

“Começamos a verificar que o número de crianças indígenas acolhidas em abrigos provisórios, devido a abuso, dependência química ou alcoólica dos pais, era sempre maior do que a quantidade de menores indígenas que conseguiam regressar para a família de origem, superada a situação que levou ao acolhimento”, relata Valdirene Campos Schmitz Pereira, assistente social da comarca de Dourados e coordenadora do Projeto Adotar, da Vara da Infância e da Juventude.

Em abril deste ano, o Campo Grande News mostrou relatório da Funai apontando 50 crianças e adolescentes indígenas recolhidas em abrigos de Dourados em “acolhimento institucional”.

“Essas crianças ficam nas casas de acolhimento, que são instituições localizadas fora das aldeias, passando, consequentemente, por um processo de perda de toda sua culturalidade, que inclui até a perda da língua de origem, seja guarani, terena ou kaiowá, algo muito importante para a identidade dessa população indígena”, afirma Valdirene Pereira.

Segundo ela, para superar a falta de uma família e a desculturalização desses menores, foi criado o curso de preparação à adoção, voltado exclusivamente para índios. O objetivo é habilitar famílias das próprias aldeias para adotar essas crianças.

Feito em parceria com a Funai, Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) e Centro de Referência em Assistência Social, curso ocorre no Cras da reserva indígena de Dourados.

O primeiro encontro ocorreu de manhã, com uma roda de conversa sobre o tema. Famílias indígenas que já passaram pela experiência de adoção falaram a outros índios interessados em adotar.

Amanhã os participantes vão receber informações jurídicas e formais sobre o processo de adoção, atendendo as exigências da legislação para habilitar qualquer pessoa no Cadastro Nacional de Adoção.

Após o curso, uma comissão formada pelos organizadores do curso e lideranças indígenas vão auxiliar o juiz Zaloar Murat Martins de Souza, da Vara da Infância e da Juventude de Dourados, a decidir sobre eventuais pedidos de adoção.

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