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Interior

Em Maracaju, solidariedade fez chinês comprar 2 mil máscaras para doação

Na cidade do interior, 12 chineses trabalham em obra de fábrica e estão proibidos de voltar ao país de origem

Por Izabela Sanchez | 27/02/2020 14:41
Planta da BBCA em Maracaju, onde previsão é inaugurar fábrica em outubro (Foto: Divulgação)
Planta da BBCA em Maracaju, onde previsão é inaugurar fábrica em outubro (Foto: Divulgação)

Quase 82 mil casos confirmados no mundo, 50 países, um deles no Brasil. É o novo coronavírus, ou Covid-2019, como é chamado esse novo vírus que causa síndrome respiratória grave, começou na China e caminha para se tornar pandemia. Distante milhares de quilômetros do país onde o contágio começou, a solidariedade surgiu em Maracaju, a 160 km de Campo Grande.

A cidade, polo do agronegócio que tem no país asiático um dos principais compradores, recebeu, entre novembro e dezembro, 12 trabalhadores chineses que constroem fábrica da empresa chinesa BBCA Brazil. Um deles, sem contar a ninguém, resolveu enviar máscaras para o povo que sofre com a falta do material em meio ao surto da doença.

Ele pediu para não ser identificado e mal fala português. Comprou 2 mil máscaras que vão viajar, no lugar dele, para a China. Isso porque a ansiedade é ainda maior: esses trabalhadores foram proibidos pela empresa de voltar ao país, segundo o encarregado operacional da BBCA em Maracaju, o brasileiro Juliano Chagas Cunha.

Ação humanitária – Foi assim que chamou o vendedor da farmácia de Maracaju onde o trabalhador chinês adquiriu 2 mil máscaras. Adilson Batista relatou surpresa ao atender o trabalhador. Agora, conta, brasileiros também compram.

O caso suspeito do jovem brasileiro de 24 anos internado em Ponta Porã - onde vive-, que viajou à China e à Europa há, aproximadamente, 15 dias, levantou o alerta da população de Mato Grosso do Sul que está no corre-corre em busca de máscaras e materiais de higiene, como o álcool gel.

“A farmácia vendeu para um cidadão que trabalha na empresa, e não tínhamos, tínhamos 40 unidades, a princípio ele pediu 2 mil unidades", disse. O cliente fez a encomenda na quarta e a farmácia pediu à empresa fornecedora em Curitiba, que já entregou os produtos.

“Já imediato encomendamos mais, hoje chegou, como está havendo uma espécie de pânico, aumentou venda de álcool gel, aumentou muito, e também máscaras. Como lá [China] não tem disponíveis, estão mandando para as famílias”, contou.

No desespero de ajudar, Adilson contou que o trabalhador até perguntou se a farmácia não poderia enviar as máscaras.

Na China, especialmente na pronúncia de Hubei, cenas como essa são comuns (Divulgação/DW)
Na China, especialmente na pronúncia de Hubei, cenas como essa são comuns (Divulgação/DW)

O encarregado operacional da empresa chinesa afirmou que a ordem é que nenhum trabalhador pode voltar para a China e que, por hora, nenhum chinês será autorizado a vir para Macaraju. O visto concedido aos 12 chineses que hoje estão morando na cidade é de 6 meses e foi prorrogado por tempo indeterminado, segundo o encarregado.

Coronavírus- A chegada dessa nova variação de coronavírus tem espalhado pânico e desinformação em todo o mundo e desde ontem, também em Mato Grosso do Sul e no Brasil, primeiro país da América Latina com casos confirmados.

Não há nenhuma normativa legal por parte do Brasil que proíba viagens até a China, apenas orientação do Ministério da Saúde para que brasileiros evitem as viagens de lazer ao país, mantendo apenas as consideradas urgentes.

O surto do vírus começou em um mercado de peixes da cidade de Wuhan, que abriga milhões de chineses na província chinesa de Hubei, hoje isolada e em sistema de quarentena em razão do vírus. Ainda não se sabe a origem, mas a suspeita é que tenha sido transmitido por algum animal vendido no mercado e ainda não identificado.

Orientações de saúde Apesar da iniciativa, as máscaras são consideradas pouco efetivas. As síndromes respiratórias são transmitidas por gotículas de saliva; espirro; tosse; catarro; contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão e contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Dessa forma, o Ministério da Saúde orienta lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool. Outras orientações são:

Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas; Evitar contato próximo com pessoas doentes; Ficar em casa quando estiver doente; Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo; Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com freqüência.

Até agora, não há vacina para o vírus e os casos indicam período de contágio de até 14 dias, por isso casos suspeitos costumam ficar em quarentena por duas semanas. Os principais sintomas são febre, tosse e dificuldade para respirar.