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Interior

Família de homem morto pela PM contesta versão de "confronto" durante abordagem

A versão policial alega que Claudinei Borgert tinha ordem de prisão expedida e ameaçou uma advogada de morte

Por Judson Marinho e Clara Farias | 12/08/2026 17:08
Família de homem morto pela PM contesta versão de "confronto" durante abordagem
 Claudinei Borgert, de 39 anos, morto em confronto com a polícia em Três Lagoas (Foto: Direto das Ruas)

A família de Claudinei Borgert, de 39 anos, contesta a versão apresentada pela Polícia Militar sobre a morte dele durante uma abordagem no bairro Santa Júlia, em Três Lagoas, a 327 quilômetros de Campo Grande.

RESUMO

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A família de Claudinei Borgert, de 39 anos, contesta a versão da Polícia Militar sobre sua morte em Três Lagoas. A corporação alega que houve confronto e reação armada durante abordagem motivada por ameaças contra uma advogada. Já os parentes negam o tiroteio e denunciaram o caso à Corregedoria e à OAB, alegando execução e uso indevido da estrutura policial por motivações pessoais. Claudinei possuía mandado de prisão por roubo em Santa Catarina e morreu após ser baleado no imóvel.

Segundo os familiares, não houve confronto e o homem não teria atirado contra os policiais. O caso ocorreu na noite de quinta-feira (6).

Ao Campo Grande News a família afirma ter denunciado o caso à Corregedoria da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e também à Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Três Lagoas. Os parentes pedem uma investigação sobre as circunstâncias da morte.

"Não houve confronto. Ele realmente deve ter feito ameaças a essa advogada, que é mulher de um policial", afirmou uma cunhada de Claudinei.

Segundo ela, a família não defende as supostas ameaças feitas pelo homem, mas considera que ele deveria ter tido o direito de responder pelos atos com vida.

A parente também questiona o uso da estrutura da corporação em uma ocorrência que, segundo a família, teria relação com uma questão pessoal envolvendo um policial. "A gente não está defendendo o erro dele, de forma alguma. Mas ele tinha que ter o direito de responder vivo", disse.

Conforme informado anteriormente pelo Campo Grande News, equipes do 2º BPM (Batalhão de Polícia Militar) localizaram Claudinei durante buscas no bairro Santa Júlia.

Segundo a versão apresentada pela PM, ele reagiu à abordagem e disparou contra equipes da Força Tática e do Getam (Grupo Especializado Tático em Motocicletas).

Os policiais revidaram, atingiram Claudinei e retiraram uma arma que estava com ele. O homem foi levado com vida ao Hospital Auxiliadora, mas não resistiu aos ferimentos.

A corporação informou ainda que Claudinei tinha uma ordem de prisão expedida pela 2ª Vara Criminal de Jaraguá do Sul (SC), para cumprimento definitivo de pena por roubo. A PM não informou há quanto tempo ele era procurado.

A polícia também afirmou que o homem havia ameaçado de morte uma advogada no mesmo dia. Segundo o relato policial, Claudinei teria dito que integrava uma facção criminosa e que efetuaria disparos de arma de fogo contra a profissional.

Família de homem morto pela PM contesta versão de "confronto" durante abordagem
Projétil de bala encontrado no local onde ocorreu os disparos de arma de fogo contra Claudinei (Foto: Direto das Ruas)

Segundo o boletim de ocorrência, a ameaça contra a advogada teria relação com questões processuais envolvendo o ajuizamento de uma ação trabalhista.

Referente a estas informações, a cunhada afirma que Claudinei havia contratado a profissional após perder o emprego no Atacadão. Conforme o relato, ele trabalhava no açougue e teria desenvolvido uma alergia nas mãos após contato com a carne. Por causa da situação trabalhista, teria procurado a advogada.

A familiar afirma acreditar que Claudinei tenha realmente feito algum tipo de ameaça por estar cobrando dinheiro relacionado ao processo.

"Eu até acredito que realmente ele tenha feito ameaça. Disse que 'eu quero meu dinheiro de volta, eu vou aí, você vai ver'. Eu acredito que ele tenha feito isso, porque ele queria o dinheiro dele", relatou.

No entanto, ela questiona a forma como a situação terminou. "Ele tem o direito, como cidadão, de responder vivo", afirmou.

De acordo com o boletim de ocorrência, a polícia tomou conhecimento da ameaça e, a partir disso, iniciou a operação para localizar Claudinei. Para a família, o fato de a advogada ser mulher de um policial levanta questionamentos que precisam ser esclarecidos pela investigação.

O celular de Claudinei foi apreendido durante a ocorrência, segundo a família. Os parentes afirmam que, até o momento, não sabem exatamente quais mensagens ou circunstâncias teriam motivado a denúncia da ameaça.

Família de homem morto pela PM contesta versão de "confronto" durante abordagem
Cômodo onde o confronto entre policiais e o Claudinei aconteceu (Foto: Direto das Ruas)

Família soube da morte após ouvir tiros - A família também questiona a dinâmica da ocorrência. A mãe de Claudinei morava em uma casa ao lado e, segundo a cunhada, ouviu os disparos por volta das 17h40.

"Eu escutei três tiros. Ele gritou, me chamou de mãe", teria relatado a mulher em um áudio enviado à família.

Segundo o relato, inicialmente a mãe acreditava que outra pessoa havia invadido a casa e atirado contra o filho.

A família afirma que demorou a compreender que os disparos haviam partido da ação policial. "Todos os familiares tiveram essa dificuldade de acreditar que foi a polícia", contou a cunhada.

Ela também questionou o tratamento dado ao caso e afirmou que a condição financeira de Claudinei influenciou a indignação da família. "Ele era uma pessoa pobre", disse.