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Interior

Fazendeira manda abrir valeta ao lado de aldeia para impedir ocupação

Policiais militares fazem escolta na área após proprietária acusar indígenas de atirar pedras em caminhonete

Por Helio de Freitas, de Dourados | 19/08/2026 15:29
Fazendeira manda abrir valeta ao lado de aldeia para impedir ocupação
Vigiada por policiais militares (à direita), escavadeira abre valeta entre fazenda e área de ocupação (Foto: Leandro Holsbach)

A convivência entre produtores rurais e indígenas voltou a ter momentos de tensão na manhã desta quarta-feira (19) na região oeste de Dourados, a 251 km de Campo Grande. A proprietária da Fazenda Gleba Uirapuru registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil para denunciar a invasão da propriedade e disse que os indígenas danificaram uma caminhonete S10 atirando pedras com estilingue.

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Tensão voltou a marcar a convivência entre produtores rurais e indígenas na região oeste de Dourados (MS) nesta quarta-feira (19). A proprietária da Fazenda Gleba Uirapuru registrou boletim de ocorrência relatando invasão e danos a uma caminhonete. Para barrar novas ocupações, contratou escavadeira, que só operou com escolta policial após confronto com indígenas, contidos com gás e balas de borracha.

Para tentar impedir novas ocupações, a proprietária contratou uma escavadeira hidráulica para abrir uma valeta entre a fazenda e a Aldeia Bororó. A máquina foi levada ao local num caminhão prancha, mas só conseguiu iniciar os trabalhos sob escolta da Força Tática da Polícia Militar. Antes, houve confronto e os policiais tiveram de usar bombas de gás e tiros de balas de borracha para conter o grupo.

Conforme o boletim de ocorrência registrado pelo marido da proprietária, na tarde de ontem, ele presenciou 6 indígenas danificando a cerca da propriedade em três pontos distintos para invadir a área.

Ao se aproximar para constatar os danos e registrar imagens, sua caminhonete teria sido atingida por pedras disparadas com estilingue. O para-brisa ficou danificado. Segundo a versão dele, os indígenas teriam ameaçado invadir toda a propriedade durante a noite. O marido da proprietária informou que na segunda-feira a Polícia Militar já havia retirado os indígenas da fazenda, mas eles retornaram no dia seguinte.

A Polícia Militar declarou que foi acionada após receber informações de que um grupo de indígenas estaria ingressando de forma não autorizada e ameaçando funcionários da fazenda. Entretanto, não conseguiram concluir a intervenção em razão do anoitecer e das condições de segurança.

Com reforço da Força Tática e do Getam (Grupamento Especial Tático de Motos), os policiais entraram na área e encontraram duas barracas instaladas no interior da propriedade.

“Durante a aproximação em direção às barracas, antes mesmo que fossem emitidas ordens de dispersão, indivíduos que se encontravam no local passaram a arremessar pedras e a lançar flechas contra os policiais. Em razão dos ataques, foi necessário o emprego de instrumentos de menor potencial ofensivo para conter e fazer cessar as injustas agressões”, afirmou a Polícia Militar, em nota.

Ainda segundo a corporação, os indígenas correram para o mato e os policiais não os detiveram. No local, os policiais apreenderam duas lanças, uma foice, um facão, duas facas e instrumentos artesanais destinados à perfuração de pneus, conhecidos como “miguelitos”.

Fazendeira manda abrir valeta ao lado de aldeia para impedir ocupação
Armas artesanais, faca, foice, facão e instrumento usado para furar pneus de carros, apreendidos pela PM (Foto: Divulgação)

Sem mandado

A Aty Guasu, movimento social que luta em defesa dos povos indígenas, afirmou que a área em conflito faz parte da Terra Indígena Aratikuty. Em suas redes sociais, a organização indígena afirma que a Polícia Militar atacou os Guarani-Kaiowá sem mandado judicial.

Há uma década, indígenas de Dourados e de outros territórios da região sul reivindicam a demarcação de propriedades rurais no entorno da reserva, criada em 1917. A comunidade afirma que parte das terras foi ocupada por fazendeiros ao longo dos anos. Entretanto, ainda não existe um estudo definitivo comprovando essa alegação.

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