Aos 81 anos, sanfoneiro aprendeu a tocar sozinho e ainda anima bailões
Morador de Furnas do Dionísio é tratado como avô pelos mais jovens e segue requisitado nas festas locais
Aos 81 anos, seo Dorvalino é prova de que nunca é tarde para aprender algo novo e que a paixão pela música não tem idade. Um dos anciãos da comunidade quilombola Furnas do Dionísio, ele aprendeu a tocar sanfona sozinho, há quase quatro décadas, e até hoje é presença requisitada nos bailões da comunidade.
Mesmo tocando com menos frequência atualmente, basta pegar o instrumento para mostrar que ainda guarda na memória as técnicas que desenvolveu por conta própria.
Nascido e criado na comunidade, onde vive até hoje, Dorvalino é uma das figuras mais respeitadas pelos moradores. Querido por todos, é tratado como uma espécie de avô pelos mais jovens, que fazem questão de pedir sua bênção e demonstrar carinho. Simpático e aberto a uma boa conversa, ele mantém a memória afiada e lembra de detalhes de diferentes fases da vida.
Dorvalino conta que a história com a sanfona começou quando ele tinha 45 anos. Na época, um primo tocava o instrumento, enquanto ele acompanhava no violão. Encantado com o som, decidiu que também queria aprender a tocar. Sem professor ou aulas, comprou uma sanfona por R$ 50 e levou o instrumento para casa, disposto a descobrir sozinho como fazer música.
"Essa sanfoninha eu comecei do zero, eu sozinho mesmo. Lembro que comprei ela de um amigo por R$ 50, levei para casa e fui pegando, fazendo barulho. Não tive professor e nem aula", conta.
O aprendizado aconteceu na prática, com muita tentativa e persistência. Aos poucos, os movimentos começaram a fazer sentido e os sons foram ganhando ritmo. "Foi um pouquinho difícil, mas depois que eu comecei a fazer alguma letra, alguma coisa, aí a gente já foi desarmando", lembra.
Quando era mais jovem, Dorvalino chegava a tocar praticamente a semana inteira. Os convites vinham de diferentes lugares, e ele precisava estar sempre disposto a carregar a sanfona e animar os encontros. Segundo ele, o instrumento pesado nunca foi motivo suficiente para recusar uma apresentação.
"Quando eu era mais novo, a gente tocava quase a semana inteira. A pessoa chama você para aqui, chama para ali e você tem que ir, né?", conta.
Com o passar dos anos, o ritmo diminuiu e hoje, Dorvalino já não toca tanto quanto antes. Ele admite que, às vezes, acaba esquecendo algumas notas e os movimentos do baixo da sanfona. Ainda assim, quando é chamado para animar um bailão, não deixa a oportunidade passar.
Para Dorvalino, o respeito conquistado ao longo da vida é resultado da convivência e da consideração entre os moradores. "As pessoas respeitam porque sou mais velho um pouco, né? Então, todo mundo gosta, a gente gosta de todo mundo. É isso que manda o respeito", afirma.
Além de animar os bailões, o sanfoneiro também gosta de compartilhar conselhos com os mais jovens. "Eu aconselho demais essa juventude. Falo que eles têm que ser pessoas boas, trabalhar e não desistir do que querem”, finaliza.
Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.


