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Interior

Fuzileiro deixou Rio de Janeiro para fugir da violência e foi baleado em MS

Pai diz que família buscou segurança no Estado; militar acabou atingido durante o roubo do próprio carro

Por Bruna Marques | 12/06/2026 09:04
Fuzileiro deixou Rio de Janeiro para fugir da violência e foi baleado em MS
Vítima fardada em foto tirada em Corumbá (Foto: Arquivo pessoal)

O pai do fuzileiro naval de 24 anos baleado na nuca durante o roubo do próprio carro, na madrugada de quinta-feira (11), em Corumbá, a 428 quilômetros de Campo Grande, contou que a família decidiu que o jovem viesse para Mato Grosso do Sul justamente por considerar o Rio de Janeiro perigoso. A família pediu que a imagem dele fosse preservada, sem divulgação do rosto dele.

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Um fuzileiro naval de 24 anos foi baleado na nuca durante o roubo de seu próprio carro em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. O pai da vítima revelou que a família escolheu o estado por considerá-lo mais seguro que o Rio de Janeiro. Três suspeitos foram presos, entre eles um colega de farda da vítima. A cirurgia para retirada do projétil foi bem-sucedida e o militar sobreviveu.

O pai do fuzileiro, que não será identificado, conversou com o Campo Grande News na manhã desta sexta-feira. Segundo ele, apesar de a família ter vários integrantes na polícia, a decisão de o filho sair do Rio de Janeiro e vir para MS, foi tomada por causa da violência no estado de origem.

“Nós fizemos a escolha de ele ir para aí, porque o Rio de Janeiro está muito perigoso, e acabou acontecendo tudo isso”, disse.

O militar é de Cachoeiras de Macacu (RJ) e mora em Corumbá há quase quatro anos. Segundo o pai, ele entrou na Marinha por meio de concurso público.

“Ele passou no concurso, foi para a escola, ficou lá cerca de seis meses, que é o tempo que tem que ficar, e depois foi para aí”, afirmou.

A Polícia Militar prendeu os três suspeitos pelo crime: Davi Batista Santos, de 21 anos, que também integra a Marinha; Claudio Victor Gutierrez de Lima, de 23 anos; e Clayton Orlando Mendoza Yanez, de 18 anos.

De acordo com o pai, o filho conhecia os envolvidos por causa da rotina militar. “Ele conhecia os envolvidos, era conhecimento de farda, do mesmo quartel”.

Para o pai, o fato de a vítima conhecer os suspeitos pode ter influenciado a violência do crime. Ele citou o depoimento dos presos e afirmou que, inicialmente, o grupo pretendia levar o carro para a Bolívia.

Fuzileiro deixou Rio de Janeiro para fugir da violência e foi baleado em MS
Arma, munições e celulares apreendidos com suspeitos do crime (Foto: Divulgação / PMMS)

“Se você ler o depoimento dos caras que foram presos, eles não foram para fazer o que acabaram fazendo. Na hora, quem atirou é que decidiu, porque era conhecido dele de farda. O depoimento diz claramente que o carro ia ser levado para a Bolívia. Então, quer dizer, se eu te conheço, como é que eu vou te levar para a emboscada?”, questionou.

Em seguida, completou: “O jeito seria eliminar. Só que eles deram azar, porque graças a Deus, ele teve um livramento”.

O pai informou que o filho passou por cirurgia nesta quinta-feira para retirada do projétil e que o procedimento ocorreu bem. A mãe do militar tinha previsão de chegada a Mato Grosso do Sul às 10h desta sexta-feira.

Ainda abalado, o pai atribuiu a sobrevivência do filho à fé. Segundo ele, o disparo foi feito muito próximo da vítima, mas não teve força suficiente para matá-la. Ele também afirmou que outras munições falharam.

“O cara não tinha experiência com arma, porque atirou bem encostado, a queima roupa. Então, o projétil não teve muita força de impacto. Se fosse mais distante, ele estaria morto. As outras balas picotaram, falharam”, disse.

Ao falar sobre a sobrevivência do filho, o pai atribuiu o desfecho à fé e disse acreditar que a vítima escapou por intervenção divina.

“Deus botou a mão. Deus sabe do coração do pai. Deus sabe do que eu peço, do que eu vivo pedindo na igreja, em oração. Deus me atende porque sabe que eu sou fiel. Sou falho, porque sou ser humano. Então, Deus botou a mão na frente de tudo”, afirmou.

O pai também disse que nunca quis que o filho seguisse carreira policial ou militar por temer esse tipo de situação, mesmo tendo familiares ligados à segurança pública.

“Eu não quis que ele entrasse na polícia por causa disso, por causa desses fatos, e acabou acontecendo. Aqui, a família toda do meu pai é da polícia. Eu não quis que ele fosse para a polícia, e acabou acontecendo o que aconteceu. São fatos. Não adianta. Só Deus sabe o que é e por que acontece”, declarou.

Agora, a família aguarda a recuperação do jovem e avalia se ele voltará para o Rio de Janeiro. “Agora vamos ver como vai ficar, para saber se ele retorna. Se Deus quiser, ele vai retornar para o Rio”, disse.

Segundo o pai, o fuzileiro ainda tem uma prova prevista para o meio do ano, como etapa para promoção a cabo. “Se ele passar, vem cursar um ano a profissão que escolheu. Depois, ele escolhe novamente para onde quer ir”, explicou.

Roubo e tentativa de homicídio - Conforme consta no boletim de ocorrência, a vítima estava em seu alojamento quando Davi Batista Santos, também fuzileiro naval, pediu uma carona. O militar aceitou e dirigiu até o local indicado. Ao entrar no carro, um Chevrolet Ônix prata, Davi sentou no banco do passageiro, retirou a chave da ignição, sacou um revólver que carregava na cintura e rendeu a vítima, mandando que ela fosse para o banco traseiro e mantivesse a cabeça abaixada.

Em seguida, outros dois homens entraram no veículo. O grupo saiu do local e, inicialmente, pretendia seguir para as proximidades da estrada de Bocaina. Durante o trajeto, um dos envolvidos comentou que havia presença de equipes de segurança na região. Por isso, o destino foi alterado para uma rua de terra nos fundos do Residencial Flamboyant III.

No local, Davi retirou a vítima do carro, colocou o fuzileiro no chão e atirou contra ele na região da nuca. Depois, fugiu com os demais envolvidos levando o veículo.

Mesmo ferida, a vítima conseguiu caminhar até uma conveniência próxima, onde pediu ajuda. Populares a levaram até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Guatós para atendimento médico.

Com as informações sobre a placa do veículo e a identificação de Davi, equipes iniciaram buscas pelos envolvidos e pelo carro. Como havia suspeita de tentativa de travessia para a Bolívia, a informação também foi repassada ao Posto Fiscal Esdras.

Davi foi encontrado em uma lanchonete na Rua 14 de Março, em Ladário, enquanto consumia bebida alcoólica. Ao ser questionado, negou envolvimento no crime. Com ele, foi encontrada apenas a chave de seu veículo.

No carro de Davi, dentro do porta-luvas, foi localizado um revólver calibre .22, marca Rossi, com uma munição deflagrada, uma munição intacta e quatro munições percutidas no tambor. Também foram encontrados cerca de 10,4 gramas de skunk.

Ainda no veículo estavam três colares com pingentes, dois anéis de caveira, um relógio da marca Seculus Automatic, um soco inglês, três pulseiras, um par de brincos e uma fita-crepe. Segundo relato posterior de Cláudio Victor Gutierrez de Lima, a fita serviria para amarrar a vítima.

Davi resistiu ao ser colocado na viatura e foi contido. Ele teve escoriações nos dois pulsos, no cotovelo esquerdo e no braço direito.

O veículo da vítima foi recuperado no Posto Fiscal Esdras, ocupado por Claudio Victor Gutierrez de Lima e Clayton Orlando Mendoza Yanez. Os dois também foram levados para a Delegacia de Polícia Civil de Corumbá.

Durante o registro do caso, Clayton e Claudio relataram que receberiam R$ 1 mil cada pela participação no crime. Segundo eles, Clayton atuaria como guia na Bolívia, enquanto Claudio ficaria responsável por atravessar o veículo para o país vizinho.

Os dois também disseram que o plano inicial era manter a vítima amarrada com fita-crepe. Conforme o relato, Davi teria mudado o plano por conta própria e tentado matar o fuzileiro naval. Mesmo depois do disparo, os envolvidos mantiveram a intenção de levar o carro roubado para a Bolívia.

Questionado sobre a origem da droga encontrada em seu veículo, Davi afirmou que havia comprado a substância na barbearia de Claudio. Ele também relatou que essa não teria sido a primeira vez que os dois fizeram esse tipo de parceria.

O caso foi comunicado ao supervisor de dia da Polícia Militar porque Davi e a vítima são fuzileiros navais subordinados ao graduado. A vítima foi internada na Santa Casa Municipal.

Os três envolvidos foram apresentados na delegacia e o delegado decidiu pela prisão em flagrante dos suspeitos. O caso foi registrado como tentativa de homicídio, porte ilegal de arma de fogo, associação criminosa, roubo e resistência.

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