Filha se desespera após saber da morte do pai em ação do Batalhão de Choque
Vídeo mostra mulher chorando diante da casa e dizendo que não consegue entrar no imóvel nem obter informações
Vídeos divulgados após a morte de Joilson Souza de Oliveira, de 49 anos, conhecido como “Chacal”, mostram o desespero da filha dele em frente à residência onde ocorreu a ação do Batalhão de Choque da Polícia Militar, em Ladário, a 426 quilômetros de Campo Grande.
RESUMO
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Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o desespero da filha de Joilson Souza de Oliveira, 49 anos, morto durante ação do Batalhão de Choque da PM em Ladário. Segundo a versão policial, ele estava armado e não atendeu às ordens dos agentes. Com a morte, sobe para 89 o número de mortos em intervenções policiais em Mato Grosso do Sul em 2026, superando os 73 casos registrados oficialmente em todo o ano de 2025.
Nas imagens, a mulher aparece chorando intensamente e relata que não conseguia obter informações sobre o pai. "Meu Deus do Céu, invadiram a minha casa. Eles não deixam falar nada, não querem falar nada", diz ela, antes de terminar o vídeo gritando: "Pai".
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Em outro registro, a filha envia um áudio afirmando que os policiais haviam invadido a casa enquanto Joilson estava no imóvel. Segundo o relato dela, a mãe havia saído para a igreja e ele permanecia na residência com um dos netos.
"Gente, a Choque invadiu a casa do meu pai, ele estava sozinho. Minha mãe tinha ido para a igreja e ele ficou com o neto dele. A Choque veio aqui, deu tiro, isolou a casa do meu pai, não me deixam entrar pra ver meu pai", afirma.
Há ainda um terceiro vídeo, gravado dentro de um veículo enquanto ela é levada ao local. Em estado de choque, a mulher chora e repete diversas vezes que o pai havia morrido. Em um dos momentos, ela afirma: "Mataram meu pai covardemente, mataram meu pai, meu pai morreu".
Os vídeos passaram a circular nas redes sociais e aplicativos de mensagens, chamando atenção pelo sofrimento demonstrado pela família logo após a ocorrência. As gravações registram apenas a reação da filha e não esclarecem as circunstâncias da ação policial, que seguem baseadas, até o momento, na versão oficial apresentada pela Polícia Militar.
Entenda - Joilson foi atingido por disparos durante uma ação do Batalhão de Choque da Polícia Militar e morreu após ser levado ao Hospital de Corumbá. Segundo a corporação, neste domingo (26), as equipes procuravam um homem que havia rompido a tornozeleira eletrônica e seria suspeito de envolvimento em crimes recentes.
Durante as buscas, os policiais avistaram um homem com características semelhantes às do procurado. Conforme a versão apresentada pelo Choque, ele correu para dentro de um terreno ao perceber a aproximação das equipes. Os agentes seguiram o homem e chegaram aos fundos de uma residência.
Ainda de acordo com o relato policial, Joilson estava armado com um revólver e não atendeu às ordens para largá-lo. A corporação afirma que ele manteve a arma apontada em direção aos policiais, que efetuaram os disparos.
Joilson foi socorrido pelos próprios integrantes da equipe e encaminhado ao Hospital de Corumbá, mas não resistiu aos ferimentos. O local foi preservado para o trabalho da perícia.
Na residência, segundo o Choque, foram apreendidos um revólver calibre .38, seis munições intactas, 1,166 quilo de maconha e 1,7 grama de cocaína. Também foi encontrada uma tornozeleira eletrônica rompida que, conforme a corporação, pertencia ao filho de Joilson.
Uma pessoa encontrada dentro do imóvel afirmou que havia ido ao local consumir drogas com Joilson. O depoimento foi encaminhado para a investigação.
Em poucas horas, quatro homens morreram durante ações policiais neste domingo, em Ladário, Ivinhema e Sidrolândia. O último caso foi o de Joilson Souza de Oliveira.
Com as mortes registradas no fim de semana, subiu para 89 o número de pessoas mortas em intervenções policiais em Mato Grosso do Sul desde o início de 2026, conforme levantamento do Campo Grande News.
O total diverge dos dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), que contabiliza 75 mortes no mesmo período. O número apurado pela reportagem também já supera os 73 casos registrados oficialmente ao longo de todo o ano de 2025.
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