Mito ou verdade? Nem todo animal levado ao CCZ passa por eutanásia
Procedimento é adotado apenas quando há indicação veterinária e previsão nas normas técnicas

Com porte pequeno, cabeça que lembra pitbull, pelagem semelhante à de rottweiler e corpo parecido com o de dachshund (famoso cão-salsicha), um cachorro resgatado pelo CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) de Campo Grande passou por cirurgia para amputação parcial da cauda, recebeu alta veterinária e agora está disponível para adoção. O caso ajuda a desfazer o mito de que animal recolhido pela unidade é submetido à eutanásia.
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Cachorro resgatado pelo CCZ de Campo Grande passou por cirurgia de amputação parcial da cauda e está disponível para adoção, ao lado de outros três cães. A veterinária Telissa da Cunha esclarece que a eutanásia só ocorre em casos extremos, contrariando o mito de que todos os animais recolhidos são sacrificados. A prefeitura recebeu R$ 200 mil do Estado para castrações nas sete regiões da capital.
O cão, adulto de aproximadamente 3 anos, está na unidade há cerca de um mês após ser resgatado com lesão na cauda. Inicialmente, a equipe adotou tratamento conservador, mas concluiu que a caudectomia, procedimento de amputação de parte do rabo, era a melhor alternativa para aliviar o sofrimento e garantir qualidade de vida ao cachorro. A cirurgia foi realizada por indicação médica. Esse tipo de intervenção é proibido quando tem finalidade exclusivamente estética.
Segundo a médica-veterinária Telissa da Cunha, após a recuperação, o cachorro foi considerado apto e já pode ganhar um novo lar. Além dele, outros três cães estão disponíveis para adoção. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 17h às 19h, e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 18h.
A veterinária explica que o CCZ não recolhe qualquer animal encontrado nas ruas. A atuação da unidade é voltada ao controle de zoonoses, com prioridade para animais doentes, feridos sem possibilidade de tratamento ou que representem risco à saúde pública. Todos passam por avaliação clínica antes de qualquer decisão. "O recolhimento feito pela unidade é seletivo. Não recolhemos qualquer animal encontrado nas ruas nem animais aparentemente saudáveis", explicou.
Filhotes considerados saudáveis recebem vermífugo e são examinados antes de serem disponibilizados para adoção. Os cães adultos passam obrigatoriamente pelo teste de leishmaniose visceral canina. Apenas os animais com resultado negativo, sem doenças que impeçam a adoção e aptos para castração seguem para um novo lar.
Os animais permanecem na unidade por três dias úteis, prazo previsto em lei para que um eventual tutor possa reconhecê-los e reivindicar a guarda. Após esse período, se estiverem saudáveis, são colocados para adoção. Os gatos adultos já são castrados antes de serem disponibilizados. "Nos casos dos cães, o procedimento é feito após a adoção", explicou.
De acordo com Telissa, ainda persiste a ideia de que todo animal levado ao CCZ é submetido à eutanásia, percepção que remonta ao funcionamento dos antigos centros de controle de zoonoses na década de 1990. Segundo ela, a realidade hoje é diferente.
A eutanásia é adotada apenas nas situações previstas pelas normas do Conselho Federal de Medicina Veterinária, como em casos de doenças terminais, sofrimento irreversível ou outras condições previstas na legislação. Nos animais que possuem tutor, o procedimento só ocorre após avaliação veterinária e quando todas as possibilidades de tratamento já foram esgotadas.
A veterinária reforça que o simples fato de o tutor não querer mais o animal não é motivo para a realização da eutanásia. "Assumir um animal é uma responsabilidade sem prazo de validade", afirma.
Segundo ela, quando a eutanásia é indicada, o procedimento segue protocolos rigorosos. O animal recebe anestesia profunda para não sentir dor e, somente depois, é administrada a medicação que interrompe os batimentos cardíacos, garantindo uma morte sem sofrimento.
Enquanto a reportagem estava no CCZ, um cachorro caramelo encontrado atropelado na rua foi levado à unidade para receber atendimento veterinário.
Nesta segunda-feira (27), decreto publicado no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) incorporou ao orçamento da Prefeitura de Campo Grande R$ 200 mil repassados pelo Governo do Estado para custear castrações de cães e gatos. O recurso, proveniente de emenda parlamentar estadual, será utilizado na contratação de serviços por 12 meses nas sete regiões da Capital. O Centro de Controle de Zoonoses fica na Avenida Senador Filinto Müller, nº 1601, na Vila Ipiranga.

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