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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

21/03/2016 14:56

Hospital Regional faz mutirão e para diminuir fila de espera por cirurgias

Primeiro mutirão de consultas pré-operatórias deve atender cem pessoas nesta segunda-feira em hospital implantado por Reinaldo

Helio de Freitas, de Dourados
Pacientes aguardam para consulta pré-operatória no Hospital Regional de Cirurgias Eletivas (Foto: Divulgação)Pacientes aguardam para consulta pré-operatória no Hospital Regional de Cirurgias Eletivas (Foto: Divulgação)
Heloisa, com a mãe e a avó, aguarda consulta (Foto: Divulgação)Heloisa, com a mãe e a avó, aguarda consulta (Foto: Divulgação)

O Hospital Regional de Cirurgias Eletivas da Grande Dourados, inaugurado no ano passado pelo governador Reinaldo Azambuja para atender a demanda de 33 cidades da região sul do Estado, realiza hoje (21) o primeiro mutirão de consultas pré-operatórias.

De acordo com a assessoria do governo do Estado, só nesta segunda-feira serão atendidas pelo menos cem pessoas que aguardam há anos por uma cirurgia, em diversas especialidades. A diretoria da unidade pretende realizar o mutirão ao menos uma vez por mês.

“Já estudamos a possibilidade de realizar este mutirão a cada quinze dias ou pelo menos uma vez por mês, assim poderemos atender aos pacientes da região que aguardam há tanto tempo por uma cirurgia”, explicou o diretor do hospital, o médico David Infante Vieira.

O responsável pela Coordenadoria Estadual de Regulação, Edcarlos Burgatt, disse que a ação cumpre a meta de levar atendimento rápido a população. “A ação é desenvolvida pela Secretaria de Estado de Saúde, por meio da Coordenadoria de Regulação, e tem o objetivo de aumentar o fluxo de atendimento aos pacientes e o número de cirurgias eletivas”, explicou.

Os pacientes atendidos hoje no mutirão passam pelo médico especialista e recebem o encaminhamento para os exames, feitos em unidades parceiras, como o Hospital Evangélico. Já a efetivação dos exames laboratoriais segue sendo feita pelo Hospital Regional.

Procedimento – Com o resultado dos exames em mãos, o paciente retorna ao especialista e de lá já sai com a cirurgia agendada. Segundo a direção do hospital, a expectativa é que todos os procedimentos cirúrgicos sejam concluídos ate o final de abril. O diretor do Regional disse que a demanda é 100% oriunda do SUS (Sistema Único de Saúde) e os pacientes gerenciados pelo SISREG (Sistema Nacional de Regulação).

“Estou há tanto tempo esperando por isso que parece ser mentira”, disse a dona de casa Ângela Ribeiro, que aguarda cirurgia no joelho.

Já a estudante Liandra Mayumi Arias Kintano, 17, descobriu há quatro anos que sofria de hipertrofia de amígdala, e desde então aguarda na fila por uma cirurgia. “A pior parte é não pode comer direito porque incomoda demais”, disse a jovem. Além de fortes dores de garganta, Liandra também sofre com secura na boca e com o tem incômodo para ingerir líquidos e se alimentar.

A mãe da adolescente, a dona de casa Ana Francisca Arias, disse que seria impossível arcar com os custos da cirurgia. “Não temos como pagar uma cirurgia que custa quase R$ 5 mil. Essa oportunidade é um alívio, uma alegria”.

Além de otorrino, especialidade pela qual passará Liandra, outras áreas médicas estão disponíveis no mutirão, como ortopedia, cirurgia geral, ginecologia e obstetrícia, urologia e cirurgia vascular. “Estamos realizando cirurgias de vesícula, hérnia, vasectomia, adenoide, amídala, síndrome de túnel do carpo, varizes, entre outras intervenções”, afirmou o diretor.

Espera agrava doenças – Na primeira ação do Hospital Regional, o cirurgião vascular Luiz Antônio Bussuan atendeu pacientes que estavam na fila do SUS aguardando por uma cirurgia de varizes há quatro anos. A demora agrava os males à saúde. “Um paciente com varizes que espera tanto tempo por uma cirurgia corre o risco de ter trombose e outras doenças como úlcera venosa”.

A fila de espera tem também bebê como Heloisa, com sete meses de vida. Por causa da má formação congênita, ela nasceu com dedo extranumerário, um dedo a mais nas duas mãos, o que atrapalharia os trabalhos diários futuramente, explicou o ortopedista Antonio Humberto Guimarães Moreira.

O bebê enfim receberá os tratamentos necessários e será operado. “Nós viemos da aldeia da Lagoa Rica, de Douradina, só para o mutirão. Ela já tinha que ter passado pela cirurgia, mas até hoje está na fila. Agora, já com os exames, já vão marcar a cirurgia”, disse a avó de Heloisa, Maria de Fátima.

Balanço – De acordo com a assessoria do governo do Estado, o hospital implantado para a regionalização da saúde no interior realizou mais de 200 cirurgias eletivas em três meses de funcionamento.

O hospital recebeu investimento de R$ 1,2 milhão em equipamentos e recebe R$ 600 mil mensais de recurso do Estado, para funcionar como polo de atendimento a toda a macrorregião de Dourados.

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