ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
FEVEREIRO, SEXTA  13    CAMPO GRANDE 23º

Interior

Idoso segue preso após investigação concluir que morte da esposa foi suicídio

Advogado questiona fundamentos da prisão preventiva e aguarda decisão judicial com base em laudo necroscópico

Por Bruna Marques | 13/02/2026 14:38
Idoso segue preso após investigação concluir que morte da esposa foi suicídio
Alípio na delegacia da cidade logo após prisão em flagrante (Foto: Eliton Chaves | 24h News)

Preso em flagrante por feminicídio e mantido em prisão preventiva, Alípio Drum Alves, 63 anos, continua detido mesmo após a conclusão do inquérito apontar que a morte da esposa, Janete Feles Valoes, foi suicídio. O caso ocorreu em Selvíria, a 400 quilômetros de Campo Grande, e foi oficialmente reclassificado. A investigação da Polícia Civil foi encerrada nesta sexta-feira (13).

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Um homem de 63 anos permanece detido em Selvíria, Mato Grosso do Sul, mesmo após investigação policial concluir que a morte de sua esposa foi suicídio, e não feminicídio como inicialmente suspeitado. Alípio Drum Alves foi preso em flagrante após a morte de Janete Feles Valoes, tendo sua prisão convertida em preventiva. O laudo necroscópico e depoimentos dos filhos revelaram que a vítima, diagnosticada com câncer, apresentava sinais de depressão. A médica legista confirmou características típicas de suicídio, incluindo a angulação da lesão e a forma como a faca estava posicionada. A defesa aguarda decisão judicial sobre pedido de liberdade baseado nas novas evidências.

A defesa é feita pelo advogado José Pinheiro de Alencar Neto. Segundo ele, desde o início havia convicção de que não se tratava de feminicídio. O advogado afirma que o auto de prisão em flagrante foi registrado com base em uma interpretação equivocada de policiais militares sobre a fala de um dos filhos do casal, que ainda nem havia sido ouvido naquele momento.

De acordo com a defesa, os policiais entenderam que o filho teria dito que levou a mãe até a rua como forma de encenação para simular o início de atendimento médico. O advogado sustenta que essa não foi a declaração do filho e que ele sequer havia prestado depoimento naquele primeiro momento.

A defesa pediu que os filhos fossem ouvidos na delegacia. Durante a apuração, surgiram informações sobre o estado de saúde de Janete. Segundo o advogado, os filhos inicialmente desconheciam, mas depois encontraram exames indicando que ela estava com câncer. Ele afirma que, nos últimos meses, ela teria apresentado sinais de depressão e não buscou tratamento. Nesse contexto, segundo a defesa, ela teria cometido suicídio.

O laudo necroscópico reforçou essa hipótese. Em nota, a polícia informou que, conforme a médica legista, a vítima empurrou a faca contra o próprio peito. A lâmina não estava totalmente cravada, característica apontada no relatório como comum em casos de suicídio. A angulação da lesão também indicou autoferimento.

Idoso segue preso após investigação concluir que morte da esposa foi suicídio
Janete foi socorrida com faca cravada no peito, mas não resistiu ao ferimento (Foto: Reprodução)

O filho que tentou prestar socorro relatou que a mãe havia confidenciado o diagnóstico de câncer e mencionado intenção de tirar a própria vida. Não há registros anteriores de violência doméstica envolvendo o casal.

Mesmo assim, Alípio permanece preso. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva na audiência de custódia. Ele ligou para o filho na noite de domingo (8), dizendo que a esposa havia feito “besteira”, versão que manteve em depoimento.

“Infelizmente, ele continua preso. Acredito que seja solto somente na semana que vem”, afirmou o advogado.

A defesa já apresentou pedido de liberdade com base nos depoimentos e prepara nova solicitação, agora com o laudo médico e o relatório final do delegado que concluiu pela ocorrência de suicídio. A decisão aguarda análise do juiz Marcos Pedrini.

O advogado também questiona os fundamentos da prisão preventiva. Segundo ele, o magistrado teria considerado a gravidade abstrata do crime, argumentando que se trata de um fato de grande repercussão e que causou temor na população de Selvíria, município de pequeno porte.

A defesa avalia ainda eventual responsabilidade civil pela divulgação inicial do caso como feminicídio. O advogado afirma que é preciso verificar se houve exposição indevida e danosa. Também menciona a necessidade de apoio psicológico para o cliente, que estaria em situação emocional delicada.

Segundo a defesa, Alípio enfrenta condições difíceis na prisão, tanto pela idade quanto pelo estado de saúde, e não pôde se despedir da esposa. O advogado diz trabalhar para acelerar a expedição do alvará de soltura.

Entenda o caso - O caso começou por volta das 20h40 de domingo. O filho da vítima buscou ajuda na base da concessionária Way, na MS-112, com a mãe dentro do carro e uma faca no peito. Os socorristas constataram que ela já estava sem vida.

A polícia foi acionada e, após diligências no assentamento, localizou Alípio na madrugada. Ele foi levado à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) de Três Lagoas, autuado em flagrante e permaneceu preso, mesmo alegando inocência.

Com a reclassificação, Mato Grosso do Sul passa a registrar dois feminicídios em 2026.

Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelos telefones 141 e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.