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Interior

Indígenas exigem perícia federal em corpo de morto em confronto

O velório ocorre desde as 21 horas de sábado (25) e o enterro deve ocorrer no local onde Vito morreu

Por Viviane Oliveira | 27/06/2022 09:22
Vito está sendo velado desde às 21h de sábado na comunidade (Foto: Direto das Ruas)
Vito está sendo velado desde às 21h de sábado na comunidade (Foto: Direto das Ruas)

Os guarani-kaiowá exigem perícia federal no corpo de Vito Fernandes, de 42 anos, morto na última sexta-feira (24), durante conflito entre a comunidade e policiais militares na Terra Indigena de Amambai, na cidade de mesmo nome, distante 351 quilômetros de Campo Grande.

Eles aguardam as autoridades do MPF (Ministério Público Federal) e do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), que devem chegar ao local no começo da tarde desta segunda-feira (27). O velório acontece desde as 21 horas de sábado (25) e o enterro deve ocorrer no local onde Vito morreu, na lavoura da Fazenda Borda da Mata.

Conforme Matias Benno Rempel, coordenador do Cimi-MS, os indígenas decidiram ontem não sepultar o corpo buscando pedir perícia federal independente por uma série de fatores, uma série de desconfianças. “Eles [indígenas] não têm mais confiança, nem se foi feita perícia adequada”, explicou.

Outra reivindicação da comunidade é enterrar Vito na terra onde ele morreu durante o conflito com os policiais militares. Para os indígenas, há um significado espiritual dos enterros ocorrerem no local da morte, principalmente por ser considerada tradicional. “De todo modo, eles vão tentar enterrar à tarde no território, porque é uma questão espiritual para os kaiowá. Isso é muito importante que se entenda. É uma questão muito forte", destacou.

Segundo Matias, quando alguém morre, os kaiowá abrem uma cova simbólica esperando o corpo para virar um cova real, dá mau agouro para a comunidade, traz uma série de problemas culturais e espirituais, se isso não for feito.

"Então no caso eles vão fazer questão de enterrar onde o Vito tombou. Mas há possibilidade de conflito, uma vez que lá tem contingente grande de policiais, a gente está tentando evitar que esse massacre volte a ter novos capítulos", disse.

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