Correios adotam plano de contingência após início da greve em MS
Estatal informou que as medidas incluem reforço operacional e ações logísticas para manter os serviços postais

Correios informaram nesta sexta-feira (11) que acionaram um plano de contingência para manter o funcionamento das unidades e reduzir os impactos da greve iniciada pelos trabalhadores na noite de quinta-feira (10). As medidas incluem remanejamento de equipes, reforço operacional e ações logísticas voltadas à continuidade das entregas.
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Correios acionaram plano de contingência após trabalhadores iniciarem greve por tempo indeterminado na noite de quinta-feira (10). A estatal afirma operar normalmente em Mato Grosso do Sul, mas o Sintect-MS alerta para possíveis impactos nas entregas. O principal impasse é o plano de saúde CorreiosSaúde. A paralisação é nacional e abrange os cerca de 1,2 mil funcionários do Estado.
Em relação ao cenário local, a estatal afirmou ao Campo Grande News em nota que os Correios estão funcionando normalmente em Mato Grosso do Sul, sem impacto na operação.
No entanto, a empresa não detalhou quantos trabalhadores aderiram à greve no Estado, quais equipes foram remanejadas nem quais unidades receberam reforço. Também não informou por quanto tempo o plano de contingência poderá ser mantido caso a adesão aumente.
A posição diverge parcialmente da apresentada pelo Sintect-MS (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos de Mato Grosso do Sul). Segundo o presidente da entidade, Wilton dos Santos Lopes, nenhuma agência havia fechado completamente nesta sexta-feira, mas o atendimento e, principalmente, a distribuição de encomendas e correspondências poderiam ser afetados.
A greve por tempo indeterminado começou às 22h de quinta-feira, após ser aprovada em assembleia realizada às 18h. Mato Grosso do Sul possui cerca de 1,2 mil trabalhadores dos Correios, conforme estimativa do sindicato, mas a participação no movimento é facultativa.
Na manhã desta sexta-feira, trabalhadores realizaram um piquete em frente a uma unidade da empresa em Campo Grande. O sindicato também informou ter registrado mobilizações no interior do Estado. Uma nova concentração está prevista para segunda-feira (14), em frente ao complexo dos Correios na Rua Barão do Rio Branco, na Capital.
Negociação — Os Correios afirmaram que buscaram uma solução negociada antes do início da paralisação. “A empresa esteve empenhada na construção de uma solução negociada e apresentou uma proposta que contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente”, declarou.
Conforme a estatal, a proposta previa “o reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, e a manutenção da assistência à saúde dos empregados”.
A nota, porém, não detalhou as duas cláusulas que ficaram fora da proposta nem respondeu especificamente à alegação do sindicato de que a estatal pretende alterar sua responsabilidade sobre o plano de saúde.
O principal ponto do impasse, segundo a categoria, é o CorreiosSaúde, administrado pela Postal Saúde. Atualmente, trabalhadores e empresa dividem o custeio. O sindicato afirma que os Correios pretendem deixar a condição de mantenedores e passar a atuar como patrocinadores, alteração que, na avaliação da entidade, poderia reduzir as responsabilidades da estatal e aumentar os valores pagos pelos funcionários.
“Hoje, tenho trabalhador pagando em torno de R$ 1,2 mil pelo plano de saúde. O trabalhador da base dos Correios recebe, em média, R$ 2,5 mil. Quem vai conseguir pagar ainda mais?”, questionou Wilton.
Além da preservação do plano de saúde, a categoria reivindica a reposição integral da inflação e a manutenção de direitos previstos nos acordos coletivos. Os Correios, por sua vez, disseram reafirmar “seu compromisso com a valorização dos empregados e a continuidade da prestação dos serviços postais à população brasileira”.
A paralisação ocorre em âmbito nacional. Segundo a Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios), as 35 assembleias realizadas até quinta-feira aprovaram a greve. No Acre, a deliberação estava prevista para esta sexta-feira.
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