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Interior

Mecânico assume volante e salva caminhoneiro que passou mal em rodovia

Caso aconteceu no último sábado (25), na MS-276; homem dirigiu por 30 quilômetros até socorro médico

Por Clara Farias | 28/05/2026 14:42

Mesmo sem possuir a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) de categoria C, exigida para conduzir caminhões, Gabriel Sena, de 25 anos, assumiu a direção de um veículo de carga na rodovia MS-276, entre Anaurilândia e Batayporã, a cerca de 335 quilômetros de Campo Grande, para socorrer um caminhoneiro que passava mal dentro da cabine. O caso aconteceu durante o último final de semana e foi relatado ao Campo Grande News nesta quinta-feira (28).

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Gabriel Sena, de 25 anos, assumiu a direção de um caminhão sem possuir a habilitação exigida para salvar um caminhoneiro que passava mal na rodovia MS-276, entre Anaurilândia e Batayporã. O jovem encontrou o veículo parado na contramão e, ao perceber que o motorista sofria dores no peito, conduziu o caminhão até Rosana, em São Paulo, onde uma ambulância aguardava. O caminhoneiro foi atendido e internado, e os dois se tornaram amigos.

O jovem contou à reportagem que encontrou o caminhão parado parcialmente na contramão da pista e, por trabalhar com oficina e borracharia móvel, acreditou inicialmente que se tratava de uma pane mecânica. Naquele sábado (25), ele retornava de Bataguassu após buscar a avó e seguia pela rodovia com o filho no carro, sentido Batayporã.

Ao subir na lateral do caminhão para conversar com o motorista, percebeu que a situação era mais grave. “Quando subi na ‘gradinha’ do caminhão para falar com ele, vi que estava puxando o ar e apontando para o peito, dizendo que estava doendo. Na hora fiquei desesperado e não sabia o que fazer”, relatou.

Gabriel ainda tentou retirar o homem da cabine para levá-lo em seu próprio veículo até um hospital, mas não conseguiu. “Ele era bem grande e não firmava nas pernas. Eu tentei segurar, mas não dava”, contou.

Sem conseguir ajuda de outros motoristas, o jovem tomou uma decisão improvisada. “Fiquei uns quatro minutos dando sinal para os carros pararem e ninguém ajudou. Aí ele começou a repetir ‘caminhão, caminhão’. Foi quando pensei em levar ele dirigindo até um lugar onde o socorro chegasse mais rápido”, disse.

Mesmo sem experiência na condução de caminhões, Gabriel colocou o filho dentro da cabine e seguiu viagem em direção a Rosana (SP), município que, segundo ele, ficava mais próximo do que Batayporã. Durante o trajeto, assim que conseguiu sinal de celular, acionou o Corpo de Bombeiros e passou a receber orientações por telefone.

“O bombeiro de Bataguassu conseguiu contato com a equipe de Rosana para deixar uma ambulância esperando em um posto. Foi ele quem coordenou tudo”, afirmou.

Com medo de ser parado em uma fiscalização e suspeitarem que o caminhão havia sido roubado, Gabriel também gravou vídeos para explicar a situação à esposa e à mãe. “Na hora só passava coisa ruim na cabeça. Pensei que poderiam achar que eu tinha roubado o caminhão”, lembrou.

Enquanto dirigia, o mecânico ainda tentou localizar familiares do caminhoneiro pelo celular da vítima. “Ele falava ‘Vinícius’ e apontava para o telefone. Achei o contato do filho e comecei a ligar, mas ninguém atendia. Depois consegui mandar mensagem para a mãe dele”, contou.

O caminhoneiro, morador de Curitiba (PR), recebeu atendimento médico em Rosana e permaneceu internado. Após o episódio, os dois mantiveram contato e criaram amizade. “Hoje ele virou praticamente um irmão para mim”, disse Gabriel.

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