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Interior

MP investiga morte de rapaz com tiro pelas costas durante abordagem da PM

Suspeito de envolvimento em duplo homicídio foi morto por policiais da Força Tática na noite de ontem

Por Anahi Zurutuza | 01/04/2026 20:20
MP investiga morte de rapaz com tiro pelas costas durante abordagem da PM
Policiais militares olham suspeito caído no chão logo após tiro pelas costas (Foto: Reprodução)

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) investiga as circunstâncias da morte de Wellington dos Santos Vieira, de 27 anos, conhecido como “Bola”, durante abordagem da Polícia Militar na noite desta terça-feira (31), em Anastácio – cidade a 122 km de Campo Grande. O alvo corria dos policiais quando levou tiro pelas costas, conforme testemunhado por familiares dele e vídeo de câmera de segurança.

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul investiga a morte de Wellington dos Santos Vieira, 27 anos, baleado pelas costas durante abordagem da Polícia Militar em Anastácio. Um vídeo contradiz a versão policial, que alega confronto com faca. A 1ª Promotoria instaurou procedimento e requisitou perícias. A partir de 7 de maio, o MP passa a liderar investigações de mortes em confrontos policiais, por determinação do STF.

Faltando pouco mais de um mês para que se torne obrigatório o acionamento do Ministério Público em casos de morte em decorrência da atividade policial, a 1ª Promotoria de Justiça de Anastácio informou que vai assumir a frente do caso e já instaurou procedimento para apuração dos fatos. "Foram requisitados exames periciais e diligências indispensáveis às investigações, e que, por ora, estão sob sigilo", informou ao Campo Grande News em nota.

O Ministério Público também reforçou que acompanhará o caso “para assegurar a devida responsabilização e transparência”.

Vídeo obtido pela reportagem mostra Wellington correndo e sendo baleado pelas costas durante uma abordagem da Força Tática da Polícia Militar no Bairro Cristo Rei, em Anastácio. As imagens contradizem a versão apresentada pela PM, que afirma em boletim de ocorrência que o rapaz sacou uma faca e avançou contra um dos policiais, dando início a um suposto confronto.

A gravação, no entanto, não mostra ataque com faca nem qualquer arma nas mãos do jovem. No vídeo, Wellington aparece tentando fugir correndo pela rua quando é atingido e cai na calçada.

A Polícia Militar também afirma que, após ser baleado, o suspeito foi imediatamente desarmado e que a equipe constatou sinais vitais, tentando acionar socorro médico via rádio. Nas imagens, os policiais aparecem caminhando de um lado para o outro após os disparos.

Familiares teriam presenciado toda a cena pela janela. A mãe do jovem, segundo relato, gritava desesperada. Os policiais mandaram que todos entrassem na residência. Pouco depois, uma viatura se aproximou e dois militares colocaram o corpo no veículo. Durante o procedimento, a cabeça do rapaz bateu com força no chão. Ele foi colocado no camburão e levado ao hospital, onde teve sua morte confirmada.

Suspeito - Wellington era apontado como um dos envolvidos no assassinato de Maria Clair Luzni, de 46 anos, e Vilson Fernandes Cabral, de 50 anos, encontrados mortos dentro de casa no sábado (28). O casal era pai e mãe de Maria de Fátima Luzni Fernandes, de 26 anos, presa suspeita de ser a mandante do crime.

Na mesma sequência de crimes, um terceiro homem, David Vareiro Machado, também foi morto. Também suspeito de participar da execução do casal, ele teria sido assassinado após cobrar pagamento pelo serviço.

Prazo - A partir do dia 7 de maio, investigações sobre morte em “confronto” ou em decorrência da atividade ficarão oficialmente a cargo do MP, por determinações do STF (Supremo Tribunal Federal) e do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público).

A partir da nova sistemática, o Ministério Público passa a atuar desde os primeiros minutos da ocorrência. O Copom (Centro de Operações da Polícia Militar), por exemplo, terá de comunicar imediatamente o plantão do MP sempre que houver uma morte decorrente de intervenção policial, permitindo a atuação direta do promotor na cena da ocorrência, exigindo a presença da perícia, imagens de câmeras, o recolhimento de armas, dentre outras providências necessárias para preservação de provas.

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