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Interior

Da janela, mãe viu filho ser morto pela PM: “não justifica matar pelas costas”

Família diz que assistiu tudo de dentro de casa e contesta versão de confronto da polícia

Por Gabi Cenciarelli | 01/04/2026 16:53


RESUMO

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Família de Wellington dos Santos Vieira, de 27 anos, morto durante abordagem policial em Anastácio, contesta a versão da Polícia Militar. Parentes afirmam ter presenciado a cena e negam que ele tenha reagido com faca. Um vídeo reforça que ele corria sem arma. A PM abriu procedimento administrativo e afastou os agentes. É o 22º morto em abordagem policial no estado em 2025.


“Meu irmão não era santo, mas não justifica matar ele de costas.”

A frase é da irmã de Wellington dos Santos Vieira, de 27 anos, morto durante abordagem da Polícia Militar em Anastácio. Segundo a família, o que aconteceu foi assistido do começo ao fim.

Da janela de casa, a mãe, a irmã e outros parentes viram o jovem correr e ser baleado. A família afirma que acompanhou toda a cena.

“A gente estava vendo tudo. Tinha mais pessoas no local. Não foi do jeito que falaram”, disse a irmã, Pamella dos Santos Coelho.

Ela relata que a mãe presenciou o momento em que o filho foi atingido.

“Eu não sei nem como descrever isso. Eu tinha o meu irmão. Para muitas pessoas não faz falta, mas para a gente faz. Ver a minha mãe vivendo tudo isso, ver eles matarem ele do jeito que matou, é muito sofrimento”, afirmou.

Da janela, mãe viu filho ser morto pela PM: “não justifica matar pelas costas”
Casal foi encontrado morto dentro da residência onde morava (Foto: Ronaldo Regis)

Outro irmão, que não teve a identidade divulgada, também afirma que viu o momento e nega qualquer reação.

“Falaram que ele reagiu, que estava com faca. Isso é mentira. Ele não reagiu. Ele só correu, tentou fugir”, disse.

Segundo ele, a mãe assistiu a tudo.“A minha mãe viu o filho morrer. Ela estava gritando, apavorada. Minha sobrinha também viu tudo”, afirmou.

O familiar ainda relata que os policiais tentaram afastar a família após os disparos. “Eles mandaram todo mundo entrar. Minha mãe estava olhando, gritando, e o policial tentou intimidar ela”, disse.

Ele também critica a forma como o corpo foi colocado na viatura. “Na hora de colocar ele no carro, bateram a cabeça dele no chão. Trataram como se fosse nada”, afirmou.

As falas da família reforçam o que já havia sido mostrado em vídeo obtido pela reportagem, que indica que Wellington corria no momento em que foi atingido, sem qualquer arma aparente nas mãos.

No boletim de ocorrência, no entanto, a Força Tática da Polícia Militar afirma que fazia patrulhamento após o duplo homicídio ocorrido no município e que, ao abordar o suspeito, ele teria sacado uma faca e avançado contra a equipe.

“Diante da injusta agressão, de forma letal e iminente”, os policiais alegam que efetuaram os disparos.

A Polícia Militar também afirma que, após ser baleado, o suspeito foi desarmado e que a equipe tentou acionar socorro médico. Nas imagens, porém, os policiais aparecem caminhando de um lado para o outro após os disparos.

Wellington foi levado ao hospital, mas não resistiu.

Segundo o boletim, ele era apontado como um dos envolvidos no assassinato de Maria Clair Luzni, de 46 anos, e Vilson Fernandes Cabral, de 50 anos, mortos dentro de casa em Anastácio. Na mesma sequência de crimes, um terceiro homem, David Vareiro Machado, também foi morto.

A Polícia Civil apura que Maria de Fátima Luzni Fernandes, de 26 anos, teria planejado o crime e contratado terceiros para executar os pais. O companheiro dela, Wendebrson Haly Matos da Silva, se entregou hoje em Anastácio.

Wellington também possuía uma extensa ficha criminal, com registros por diferentes crimes ao longo dos últimos anos. Ele já havia sido apontado como autor em ocorrências por homicídio, resistência, ameaça no contexto de violência doméstica, descumprimento de medidas protetivas, furto e lesão corporal dolosa, além de registros relacionados a tráfico de drogas e desobediência a decisões judiciais.

Após a repercussão, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul informou que afastou os agentes envolvidos e instaurou procedimento administrativo para apurar o caso. A Polícia Civil investiga o ocorrido, e a perícia deve esclarecer as circunstâncias da morte.

Este é o 22º morto durante abordagem policial em Mato Grosso do Sul neste ano.

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