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Interior

Na volta às aulas, prefeitura corta professor obeso ou diabético e causa revolta

Professores descobriram ser "inaptos temporariamente" na fase final da seleção, em Três Lagoas; na lista, obesos e diabéticos

Por Silvia Frias | 16/02/2021 13:54
Professora publicou foto de protesto nas redes sociais (Foto/Reprodução)
Professora publicou foto de protesto nas redes sociais (Foto/Reprodução)

Grupo de 18 professores convocados por meio de processo seletivo foi considerado “inapto temporariamente” pela prefeitura de Três Lagoas, 322 quilômetros distante de Campo Grande. Na lista, pessoas com obesidade ou diabetes que trabalharam em 2020 no ensino a distância e que foram cortadas este ano, depois de já terem sido convocados em 1ª chamada.

Como este ano a rede pública de ensino voltará no sistema híbrido (50% presencial e 50% on line), a prefeitura adotou critério previsto no decreto 49, de março de 2020, que afastava das atividades presenciais pessoas acima de 60 anos ou com comorbidade por conta da covid-19.

A medida pegou de surpresa professores que já haviam passado no processo seletivo e foram, na última sexta-feira e no fim de semana, preencher os documentos para a fase do “processo de atribuição”, que é quando o profissional fica ciente da sala para qual foi designado para ministrar aulas.

O problema é que os professores somente foram avisados nesta etapa final, segundo a professora convocada Janaína de Araújo Siqueira que foi selecionada e daria aulas para crianças do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental.

Ela conta que já prestou serviço para a prefeitura como professora convocada  em 2020. Este ano, também designada, foi chamada para preencher os documentos. “A última sala era da atribuição, aí, me chamaram e perguntaram ‘alguém já falou com você?’”.  Janaína respondeu que não e ouviu “Então, você está inapta”.

A professora ficou surpresa pois não foi dada qualquer justificava para a inaptidão, mesmo em caráter temporário.

Naquele dia, como aconteceu com outros colegas, eles conversaram e chegaram a conclusão, informalmente, que se devia ao resultado dos exames. No caso dela, a obesidade, já que está com 127 quilos. “Sou professora do Estado e tenho exames de lá que sou apta ao trabalho”, disse. A falta de explicação foi um dos problemas apontados pelos professores.

A presidente do Sinted (Sindicato dos Trabalhores da Educação de Três Lagoas e Selvíria), Maria Diego, disse que recebeu informação de que a inaptidão temporária foi dada a 18 dos 320 professores convocados. Oficialmente, também não recebeu qualquer informação do motivo.

Após a polêmica, houve reunião entre vereadores e o secretário municipal de Administração, Gilmar Tabone.

O secretário explicou que o grupo foi considerado inapto por conta do decreto restritivo. “Vale lembrar que as aulas retornarão no dia 1º de março de forma híbrida, ou seja, 50% presencial e 50% telepresencial, e essas pessoas, perante o Decreto, não teriam condições de saúde para assumir a sala de aula nesse período de pandemia”, disse Tabone.

No encontro, Tabone disse que está em análise a revogação do decreto, mas pautado em “avanço da vacinação contra coronavírus” e das “ações de prevenção” contra a covid. Em todo o País a vacinação segue lenta e as prefeituras tem estoque para os que vão tomar a segunda dose, em março.

Segundo informações da prefeitura, o decreto deve ser revogado e um novo entrará em vigor, porém, ainda não há informação de como estes professores podem ser aproveitados no sistema híbrido.

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