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Campo Grande, Domingo, 26 de Fevereiro de 2017

26/05/2015 11:28

Pesquisadores revelam novos documentos sobre Guerra do Paraguai

Novas interpretações a partir de arquivos dos países vizinhos podem mudar o que é contado nos livros escolares

Caroline Maldonado
Pós-doutor em História, Paulo Esselyn, acredita que há controvérsias entre autores que relataram Guerra do Paraguai e tema precisa ser rediscutido (Foto: JM Online)Pós-doutor em História, Paulo Esselyn, acredita que há controvérsias entre autores que relataram Guerra do Paraguai e tema precisa ser rediscutido (Foto: JM Online)

O maior conflito armado da América do Sul, que influenciou na formação do Mato Grosso do Sul, tem diferentes nomes. É a Guerra da Tríplice Aliança, no Uruguai e Argentina; no Paraguai é a Guerra Grande e no Brasil, conhecemos como Guerra do Paraguai. Mas a diferença não para por aí. São diversos os olhares e as interpretações da história que aprendemos na escola. Pensando nisso, um grupo de professores e acadêmicos busca, nos países vizinhos, outras versões com informações que não estão nos nossos livros de História.

O grupo é de Aquidauana, município que nem existia na época do conflito, entre 1864 e 1870. O local era só um povoado, mas foi invadido pelas tropas paraguaias. É por isso, que o assunto desperta ainda mais a curiosidade dos estudantes, segundo o pós-doutor em História, Paulo Esselyn, organizador do evento, que revela resultados desses estudos, entre hoje (26) e quinta-feira (28), na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). “O campus é justamente onde devem surgir essas novas pesquisas, porque é parte da nossa história”, destaca.

O intercâmbio com estudiosos dos países vizinhos já trouxe novas informações, que devem ser rediscutidas e podem até mudar a maneira como a história vem sendo contada nos livros usados nas escolas brasileiras, na opinião do professor. “Os novos estudos podem trazer informações importantes aos livros didáticos. Documentos sobre tratados e depoimentos, até então desconhecidos, estão sendo trazidos dos acervos uruguaios, argentinos e paraguaios”, revela Paulo.

Pensar a guerra a partir desses outros documentos e interpretações ajuda a conhecer, de fato, as razões que levaram a guerra, pois o assunto foi objeto de pouco estudo até hoje, conforme o pesquisador. Por muitos anos, prevaleceu a historiografia do pós-guerra, escrita pelos militares brasileiros. Não é essa versão que interessa aos pesquisadores, mas sim a que contesta a história oficial, como a obra “Genocídio Americano – A Guerra do Paraguai”, escrita por Júlio José Chiavenato, em 1979.

“A obra de Chiavenato e os estudos publicados atualmente reinterpretam a história. Temos ainda a historiografia argentina, que é pouco conhecida no Brasil. Não se tem mais essa ideia de que Brasil foi agredido e só por isso entrou na guerra. O que desencadeou o conflito foi a invasão das tropas do Brasil ao Uruguai. Solano López imaginou que iriam invadir e declarou guerra ao Brasil, num primeiro momento, mas num horizonte maior vemos que o Brasil já vinha se preocupando com a guerra desde 1850”, destaca Paulo, ao referenciar também o livro “Maldita Guerra”, de Francisco Doratioto.

Diferente da história contada pelos militares, houve uma tentativa de internacionalizar as águas do Rio Paraguai, com a expedição naval de 1984. “Então aquela ideia de um Brasil passivo na guerra a gente vai desconstruindo e mostrando que não foi bem assim. Prova disso, foi a construção dos fortes, em 1850. Então, o Brasil sabia que haveria guerra”, analisa o professor, ao falar dos fortes levantados na região que hoje abriga os municípios de Miranda, Dourados e Nioque.

Seminário sobre Guerra do Paraguai começa hoje (26) na UFMS Unidade I (Foto: UFMS/Aquidauana)Seminário sobre Guerra do Paraguai começa hoje (26) na UFMS Unidade I (Foto: UFMS/Aquidauana)

Evento - Hoje, as 19h, haverá a apresentação do doutor Mário Maestri e do doutorando Fabiano Barcelos, ambos da UPF (Universidade de Passo Fundo). Amanhã (27), a doutora Vera Lúcia Vargas, da UFMS e o doutor Jorge Eremites de Oliveira, da UFPEL (Universidade Federal de Pelotas) falam da participação dos povos indígenas na guerra e a visão da historiografia paraguaia sobre o conflito.

Na quinta-feira (28), é a vez dos acadêmicos de Biologia da universidade que estudam as doenças que surgiram no conflito. Além disso, a mestre Silvania Queiros, do Rio Grande do Sul, levanta a discussão sobre a obra “Genocídio americano: a guerra do Paraguai”, de Júlio José Chiavenato.

As inscrições para o seminário “A Guerra do Paraguai - 150 anos depois” podem ser feitas no local. A taxa é R$ 15,00. O campus fica em frente a Praça Nossa Senhora Imaculada Conceição, nº 163, no Centro da cidade.

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