Reinaldo chama MPF de tendencioso e diz que polícia protegeu cidadãos
Governador rebateu órgão federal de que Batalhão de Choque da PM fez despejo ilegal em fazenda invadida por índios, em Caarapó
O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) rebateu o MPF (Ministério Público Federal), que abriu inquérito para investigar a ação do Batalhão de Choque da Polícia Militar em uma área invadida por índios, no município de Caarapó. Ao participar de ato na Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), nesta quarta-feira (29), Reinaldo chamou o MPF de “tendencioso”.
Para o órgão federal, há indícios de irregularidade na atuação do Choque, já que não havia ordem judicial para reintegração de posse da fazenda Santa Maria, invadida domingo (26).
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“A polícia agiu depois que houve boletim de ocorrência de roubo e furto no local. Cabe ao Estado proteger qualquer cidadão”, afirmou o governador. “Não foi uma ação de reintegração de posse. As pessoas estavam sendo vítimas de ação ligada à comunidade indígena que estava furtando e roubando itens no local. A PM agiu dentro da legalidade como faria para qualquer cidadão”.
Segundo o governador, a lei vale para brancos e índios e o Estado apenas cumpriu a lei. “Não temos preocupação em relação ao MPF que, inclusive, é até tendencioso em muitas questões como órgão que busca o equilíbrio ele não pode buscar um lado só e sim a legalidade”.
Entidades de defesa dos povos indígenas acusam a Polícia Militar de retirar os índios à força da fazenda. O secretário estadual de Justiça e Segurança Pública Antonio Carlos Videira estava no helicóptero que apoio a ação dos policiais em solo.
Policiais do Batalhão de Choque presentes na ação afirmam que os índios já tinham deixado a sede quando a equipe chegou ao local, mas continuam ocupando a fazenda.
Na segunda-feira (27), o Batalhão de Choque deixou a área de conflito e ontem o governo informou que deslocou equipes do DOF (Departamento de Operações de Fronteia) para manter a segurança até a chegada da Força Nacional.
Reinaldo Azambuja disse hoje que já existe um pedido antigo feito ao Ministério da Justiça para o deslocamento de homens da Força Nacional para áreas de conflito entre índios e produtores rurais.
“Aguardamos que eles possam retornar e ficar na área ajudando a diminuir a temperatura, pois não queremos que haja novos conflitos em Mato Grosso do Sul”, disse o governador.