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Interior

Sindicato nega mobilização e diz que protesto contra refúgio foi espontâneo

Bate-boca levou à suspensão da consulta pública que discutiria a criação da área de mais de 60 mil hectares

Por Silvia Frias | 19/06/2026 09:55
Sindicato nega mobilização e diz que protesto contra refúgio foi espontâneo
Auditório estava lotado para consulta que foi suspensa (Foto/Divulgação)

O Sindicato Rural de Miranda e Bodoquena negou ter organizado, coordenado ou convocado a mobilização de produtores rurais que lotou o auditório da prefeitura de Bodoquena na última quarta-feira (17) e levou à suspensão da consulta pública sobre a criação do Revis (Refúgio de Vida Silvestre) Delta do Salobra.

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O Sindicato Rural de Miranda e Bodoquena negou ter organizado a mobilização que lotou o auditório da prefeitura de Bodoquena e suspendeu a consulta pública sobre o Revis Delta do Salobra, classificando o ato como espontâneo. A consulta, convocada pelo ICMBio para discutir unidade de conservação de 60 mil hectares, foi cancelada por superlotação e tensão. O sindicato critica a condução do processo e cobra transparência sobre impactos em propriedades e atividades produtivas da região.

Em nota, a entidade classificou a presença de produtores, trabalhadores, moradores e famílias da região como uma “manifestação espontânea” de pessoas que seriam diretamente impactadas pela proposta.

A consulta pública havia sido convocada pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) para apresentar e discutir os estudos técnicos da unidade de conservação, prevista para abranger mais de 60 mil hectares nos municípios de Miranda, Bodoquena e Corumbá.

O encontro não ocorreu após a superlotação do auditório e o clima de tensão entre participantes. A Prefeitura de Bodoquena informou, em ofício, que a suspensão foi motivada por questões de segurança, já que o espaço comportava cerca de 250 pessoas sentadas, mas recebeu público superior a 350. Em outro episódio relatado após a audiência frustrada, uma professora afirmou ter sido intimidada ao tentar se manifestar durante a reunião, em meio a gritos e bate-boca.

Na nota, o sindicato repudia a forma como o ICMBio tem conduzido o processo e afirma que não se deve atribuir aos produtores rurais a responsabilidade pelo cancelamento da consulta pública. Para a entidade, o foco do debate deveria ser a falta de respostas concretas sobre os impactos da criação do refúgio em propriedades privadas, atividades produtivas e no futuro das famílias que vivem e trabalham na área há gerações.

O sindicato reconhece que o modelo de Refúgio de Vida Silvestre permite, em tese, a permanência de propriedades privadas e a continuidade de atividades compatíveis com a conservação ambiental. Ainda assim, sustenta que os produtores têm dúvidas legítimas sobre possíveis restrições futuras ao uso da terra, à ampliação de atividades produtivas, à realização de investimentos, ao acesso ao crédito rural, ao licenciamento ambiental e ao direito de propriedade.

A entidade também afirma que os produtores rurais da região não são contra a preservação ambiental. Segundo o sindicato, eles já preservam nascentes, matas ciliares, reservas legais e áreas de preservação permanente, em cumprimento à legislação ambiental brasileira. O que se questiona, conforme a nota, é a tentativa de avançar com uma proposta considerada de grande impacto sem amplo debate, transparência e garantias claras aos proprietários atingidos.

Para o sindicato, a criação de uma unidade de conservação com mais de 60 mil hectares pode afetar não apenas donos de propriedades, mas também trabalhadores, empresas, fornecedores, transportadores, prestadores de serviço e a economia regional.

A entidade defende que qualquer iniciativa de conservação seja discutida de forma transparente e democrática, com respeito aos direitos dos produtores, das famílias e das comunidades locais.

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