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Interior

Sócio de ex-secretário de Saúde ganha liberdade e vai usar tornozeleira

Raphael Torraca foi preso em novembro na Operação Purificação, acusado de corrupção na Secretaria de Saúde de Dourados

Por Helio de Freitas, de Dourados | 06/03/2020 15:47
Raphael Torraca, o “Pardal”, vai sair da cadeia assim que receber tornozeleira eletrônica (Foto: Arquivo)
Raphael Torraca, o “Pardal”, vai sair da cadeia assim que receber tornozeleira eletrônica (Foto: Arquivo)

O promotor de eventos e ex-diretor financeiro da Secretaria de Saúde de Dourados Raphael Henrique Torraca Augusto, o “Pardal”, vai deixar a cadeia quatro meses depois de ser preso no âmbito da Operação Purificação, da Polícia Federal, que investiga esquema de corrupção responsável em desviar meio milhão de reais da saúde pública.

A prisão preventiva foi revogada nesta sexta-feira (6) pelo juiz Rubens Petrucci Júnior, da 1ª Vara Federal de Dourados. O Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual, que atuam em conjunto no caso, foram favoráveis à liberdade provisória.

Para ficar solto, Raphael Pardal terá de usar tornozeleira eletrônica, a ser instalada pela Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário). Também não pode se mudar de residência sem prévia comunicação ao juízo federal, não pode se ausentar da cidade em que reside por mais de oito dias sem autorização do juiz e está proibido de sair do Estado de Mato Grosso do Sul sem permissão judicial.

Raphael tentou evitar o monitoramento por tornozeleira alegando que o equipamento está em falta no Estado e que por isso sua presença na prisão poderia se prorrogar desnecessariamente. Entretanto, o juiz rejeitou o argumento e mandou expedir o alvará de soltura só depois de a tornozeleira ser instalada.

Raphael Pardal foi apontado nas investigações da Polícia Federal e denunciado pelo MP como sócio do ex-secretário de Saúde Renato Vidigal na empresa de fachada Marmiquente, contratada pela Funsaud (Fundação de Serviços de Saúde) para fornecer alimentação a pacientes e servidores do Hospital da Vida e da UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Na época, Renato comandava a Secretaria de Saúde e Pardal era diretor financeiro da pasta.

A defesa de Vidigal também pediu a liberdade provisória, mas o pedido foi negado pelo juiz federal. Rubens Petrucci Júnior citou na decisão que o ex-secretário foi flagrado com celular na cela, em dezembro, e relembrou ameaças feitas por Renato Vidigal a testemunhas do processo e ao “testa de ferro” da Marmiquente, Ronaldo Gonzales Menezes, que fez acordo de delação premiada para denunciar o esquema.

Assim como Vidigal, Raphael Pardal está preso na PED (Penitenciária Estadual de Dourados). O advogado dele, Tiago Stropa, aguarda a liberação da tornozeleira para levar o alvará de soltura ao presídio. Já o ex-secretário deve ser transferido em breve para o Presídio Federal de Campo Grande.

Sobre a decisão do juiz, o advogado afirmou que, no entender da defesa, nunca existiram motivos claros para a prisão de Rafhael Torraca. Segundo ele, as razões para prisão indicadas pelo Ministério Público eram sobre fatos antigos e o réu não atrapalhou o curso das investigações.