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Júlio de Castilho é opção para compra de produtos usados

Por Redação | 09/05/2010 08:15

Campo Grande caminha para setorizar o comércio de determinados produtos por regiões da cidade. A Avenida Calógeras é conhecida pelo comércio de calçados administrado por famílias árabes, a Bandeirantes é o ponto ideal para encontrar um carro usado.

Há alguns anos, a avenida Júlio de Castilho na região noroeste da capital é uma das vias com trânsito intenso e fluxo de pessoas constante está se "especializando" no comércio de produtos usados. Roupas, móveis e até sucata de veículos podem ser encontrados a preços tentadores nas quadras da avenida.

O Campo Grande News conferiu como se desenvolve esses negócios específicos e comprovou que o comércio pode dar certo mesmo afastado do centro.

A comerciante Sandra Toratti é dona de uma loja de roupas usadas em um ponto privilegiado. O comércio fica ao lado de um supermercado e em frente a um ponto de ônibus. "Passa muita gente por aqui. Todo mundo compra roupa usada, ou para usar ou para doação", explica.

O que atrai a clientela é o preço baixo dos produtos. "Mas quem compra aqui não é pobre não. A maioria é gente de condição, com dinheiro mesmo", fala Sandra.

O Feirão de Roupas Usadas localizado na esquina com a Rua Yokohama é um ponto para uma viagem pela moda dos anos antigos. Ombreiras, pulôveres, saias de cores psicodélicas, sandálias plataformas e pantalonas ocupam cabideiros e móveis. O cheiro de "guardado" domina o ambiente. "Procuro manter tudo limpo, sem pó e sem risco de dar traça", relata Luiz Roberto Dominato, 50 anos, há 4 atuando no setor de roupas usadas.

O ponto original de Luiz é próximo ao Terminal Julio de Castilho. "Estou reformando e precisei mudar pra esse aqui. Mas lá perto do Terminal sou muito conhecido. Vendo bem". O comerciante disse que a família sempre atuou com venda de roupas usadas e que o negócio não rende lucro, "mas consigo sobreviver".

A jovem Bruna Aguileira, de 20 anos, está a 15 dias trabalhando no comércio de móveis usados. Ela explica que a compra de produtos usados precisa de critérios. "Não pode estar muito danificado ou quebrado porque não vale a pena reformar". Todos os produtos, incluindo os eletrônicos, são revisados e limpos antes de serem expostos.

Na loja de Gentil Teixeira, o que ele mais vende são eletrodomésticos. "Geladeira, fogão e tanquinho sai com facilidade. Quase nunca tenho no estoque porque vende mesmo. Veja só, uma geladeira dessa na loja sai por R$ 900. aqui eu vendo a mesma, só que usada, por R$ 500. e ainda dou 6 meses de garantia", diz ele, apontando para o produto.

A procura por eletrodomésticos também se repete na loja de Helga Fernandes. "Televisão e ar condicionado fica encalhado aqui. Agora geladeira e colchão vende fácil", comemora a comerciante, que há cerca de 6 meses começou a atuar com móveis novos. "Quem compra comigo tem dinheiro. Por isso, achei que ampliar o negócio seria uma opção", conta a mulher, que precisa se esforçar entre os móveis para chegar a sua mesa de trabalho, coberta de notas fiscais e pedidos de compra.

Para Vianei José Dartoro, dono do "Ferro Velho do Nei", a Julio de Castilho se tornou opção para tentar manter o negócio de venda de peças de carros antigos. Nei trabalha há 3 anos neste setor e também adquire carros batidos e sucateados. "Hoje as pessoas não querem ter carro velho, porque comprar o novo é mais fácil. Mesmo assim, a Julio tem me dado mais resultado que no outro endereço", conta o comerciante.

A Avenida Julio de Castilho é uma das principais vias de acesso e comércio para bairros populosos como Jardim Panamá, Santo Amaro, Zé Pereira e Vila Popular. A prefeitura de Campo Grande estuda readequar o trânsito para diminuir o número de acidentes e melhorar a mobilidade no local.

Ex-proprietário de uma lavanderia, Walter Ribeiro Ramos também migrou para o setor de móveis usados. "O custo é bem menor e eu sou o patrão e o funcionário. Não tenho preocupação", descreve o comerciante, que diz vender bastante botijão de gás. Ele reitera que a opinião da maioria dos comerciantes da Julio de Castilho é para que não transforme o local, impedindo que os veículos possam estacionar. "Se impedir, os negócios vão fechar. Aqui é região popular, as pessoas param para ver os produtos".

As mudanças no trânsito da Julio de Castilho estão previstas para iniciar no segundo semestre deste ano.

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