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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

30/03/2010 15:16

Júri de acusado da morte de Dudu não terá testemunhas

Redação

Nem acusação nem defesa arrolaram testemunhas para um dos julgamentos mais esperados de Mato Grosso do Sul, o de José Aparecido Bispo da Silva, o Cido, acusado de ser o mandante do assassinato do menino Luiz Eduardo Martins Gonçalves, que ficou conhecido como "Caso Dudu". O júri popular está marcado para amanhã, a partir das 8h, na 2ª Vara do Tribunal do Júri em Campo Grande.

O promotor responsável pelo acusação, Douglas Oldegardo Cavalheiro dos Santos, informou que a decisão de não convocar testemunhas se deve à convicção de que as provas já obtidas durante o processo são suficientes para a condenação do réu. "Um novo testemunho, em vez de ajudar, serviria para provocar mais dor ainda na família", argumentou.

Responsável pela defesa de Cido, o advogado José Roberto da Rosa, preferiu também não convocar testemunhas segundo ele para preservar sua estratégia de atuação no júri.

Rosa afirma que seu cliente nega ter participação no assassinato e diz que durante o processo apresentou testemunha de defesa informando que estava em outro lugar no dia do desaparecimento do garoto. "Nós rejeitamos essa tese de mando de crime e agora cabe à acusação demonstrar provas nesse sentido", afirma.

A defesa vai manter no plenário do Tribunal do Júri a versão de que a morte de Dudu teria relação com o tráfico de drogas. Segundo essa tese, considerada descabida pelo promotor, Dudu faria distribuição de pequenas quantidades de droga para os jovens acusados do crime e por isso teria sido morto.

O réu José Aparecido Bispo da Silva é acusado de homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, por não oferecer possibilidade de defesa à vítima, e pela utilização de meio cruel). O fato de a vítima ser menor de 14 anos também pode agravar a pena em um terço. Além disso, o réu é acusado de ocultação e destruição de cadáver. A pena pode ser superior a 30 anos, se ele for considerado culpado pelo Conselho de Setença, formado por 7 jurados.

Para o promotor, a principal prova contra Cido são as testemunhas, as mesmas que durante mais de um ano se calaram diante da agonia da família em busca do garoto. Depois que uma ossada foi achada e que um adolescente apreendido confessou o crime, essas testemunhas admitiram ter visto o início das agressões ao garoto.

Dudu, conforme as investigações, foi vítima de um crime com tom de crueldade poucas vezes visto.

O menino, então com dez anos, foi torturado e morto por um rapaz e três adolescentes, a mando de Cido, apontou a investigação. O motivo seriam os ciúmes da mãe do menino com quem Cido teve um relacionamento.

O corpo de Dudu, conforme os autos, foi enterrado em um terreno baldio. Um mês depois, os acusados voltaram ao lugar, desenterram o cadáver, cortaram em pedaços, incendiaram, e voltaram a enterrar em covas separadas, conforme a acusação. Há suspeita, até, de que partes dela tenham sido usadas em um ritual de magia negra.

Poucos falam - No bairro, ainda hoje o clima entre os moradores é mais de silêncio em relação ao crime, misturado com manifestações de indignação. "Foi uma barbaridade o que fizeram com esse menino", disse hoje cedo Maria Machado, moradora no bairro.

"Ele era um companheirinho", definiu Maria Trindade, de 63 anos, aposentada que conheceu o garoto desde bebê.

Vinte e sete meses após Dudu desaparecer, faixas ainda lembram a ausência e saudades do menino na casa do pai. A mãe, Eliane, mudou de bairro. Os dois não foram encontrados hoje para comentar o julgamento.

O acesso ao Tribunal do Júri amanhã não será restringido, segundo o juiz Aluísio Pereira dos Santos, responsável pelo caso.De acordo com ele, embora seja um caso de clamor público, a previsão é de que a segurança seja a mesma de outros casos do tipo.

A agonia - Dudu desapareceu na noite de 22 de dezembro de 2007, no Jardim das Hortênsias, onde vivia, dividido entra a casa da mãe, Eliane Aparecida Nascimento Martins e do pai, Roberto Gonçalves, que são separados.

Durante mais de um ano, o caso ganhou ares de mistério. A família procurava por Dudu até fora do estado e não encontrava vestígios. Cido, ex-namorado da mãe de Dudu, embora tenha sido apontado como suspeito desde o início, negava qualquer envolvimento.

A vizinhança, que hoje configura a principal prova da acusação, também silenciava. Cido chegou até a pedir que polícia vasculhasse sua casa, o que foi feito, sem encontrar provas que o incriminassem.

Um relatório da polícia de poucos meses após o desaparecimento do Dudu também indicava o que poderia ter ocorrido com ele, mas só em março de 2009, um ano e quatro meses após o sumiço do garoto, é que a apreensão de um adolescente levou os policiais até o local onde estava enterrada a ossada.

Foi aí que o processo ganhou corpo, com a prisão de Cido, de Holly Lee de Souza, e de mais três adolescentes, entre eles uma menina de 16 anos, irmã de Holly.

Os jovens, ainda conforme a versão da acusação, admitiram que cada um ganhou R$ 100 de Cido para matar o menino. Eles receberam pena de internação por envolvimento no crime. A menina já foi solta.

Holly Lee, cuja defesa alegou ter problemas mentais, também seria julgado junto com José Aparecido, mas um recurso adiou o julgamento.

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