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10/05/2015 08:34

PM cai na malha fina porque a Receita não acredita que ela é mãe de sete

Flávia Lima
Gleice (meio), ao lado do marido Valter (esq.) e parte de sua prole. (Foto:Divulgação)Gleice (meio), ao lado do marido Valter (esq.) e parte de sua prole. (Foto:Divulgação)
Gleice é policial militar e mãe de 7 filhos.(Foto:Divulgação)Gleice é policial militar e mãe de 7 filhos.(Foto:Divulgação)

Quem já teve a oportunidade de assistir o filme “Doze é Demais” se divertiu ao ver as confusões que o casal protagonista se envolve na criação de seus mais de dez filhos e apesar dos problemas e brigas, o amor que os une fica como lição para as famílias numerosas. Longe da ficção, nem sempre a rotina são flores e, vez ou outra, acontecem contratempos que dariam ótimos enredos de filme.

É o caso da policial militar Gleice Aguilar dos Santos, 36, mãe de sete filhos e que não consegue receber a restituição do Importo de Renda referente ao ano de 2013 por ter caído na malha fina. Como o valor, de aproximadamente R$ 1,5 mil, não foi liberado até hoje, ela buscou o posto da Receita em Dourados, onde mora, para obter explicações.

A justificativa pela demora causou surpresa: a Receita Federal exige a comprovação de que as sete crianças são seus filhos biológicos, mesmo ela realizando a declaração cumprindo todas as etapas e requisitos obrigatórios.
“Disseram que as informações prestadas são inconsistentes, mas sempre declarei, tanto quanto isenta - antes de entrar na PM - quanto pagadora de impostas e nunca houve problema”, diz. Gleice já esteve duas vezes no posto da Receita Federal e fez todos os procedimentos e retificações pedidas para a comprovação, inclusive apresentou o CPF de cinco filhos, mas não houve solução do problema.

“Me pediram para levar todas as certidões de nascimento com cópia. Acho um absurdo depois dos procedimentos que fiz, mas não vai ter outro jeito”, ressalta. Gleice acredita que houve um erro no sistema da Receita, mas afirma que ainda há preconceito contra as mulheres que trabalham e são provedoras de famílias numerosas.

A desconfiança da Receita fez a policial escrever uma carta, direcionada a imprensa, onde expõe sua indignação e ressalta que receber um salário considerado acima do padrão, ainda é inadmissível para uma mulher que exerce uma função “historicamente masculina”, como ela destaca no texto.

“A maioria das mulheres sofre este tipo de preconceito velado no mundo corporativo masculino e ainda sofro esta violência por parte do Estado que me pune pelo simples fato de que além de ser mãe, decidi ser economicamente ativa”, frisa na carta.

Gleice enfatiza que o fato de ter sete filhos, com idades entre 19 e sete anos, frutos de três casamentos, sempre foi motivo de surpresa entre amigos e até de pessoas que a veem na rua com as crianças. “Realmente muita gente não acredita, mas isso nunca me abalou porque eles são minha razão de viver”, afirma.

Vocação para mãe - A primeira gravidez de Gleice veio quando ela havia completado 16 anos. Do primeiro casamento nasceram Kevin, 19 e Barbara, 18. Já da segunda união nasceram Gabriel, 16, Julia, 14 e Tiago, 13. As caçulas Laís, 9 e Lívia, 7, são filhas da união atual que Gleice tem com o vendedor Valter Arrua Candia. Como o segundo marido é falecido e o primeiro participa da vida dos filhos apenas pagando a pensão, Gleice diz que Valter assumiu o papel de “pai de coração” de todos.

“Ele é muito parceiro e assumiu essa missão junto comigo . As crianças veem nele o verdadeiro pai”, diz. E é justamente esse espírito de união que mantém a família unida, especialmente nos momentos de crise, que a policial militar afirma quase não existir.

Como são muitos, ela estabeleceu uma rotina onde todos ajudam nas tarefas do lar, inclusive no preparo das refeições, já que a família, no momento, não conta com empregada. Apenas quando eram menores Gleice contava com a ajuda de uma auxiliar.

“Eles sempre cresceram com responsabilidades. Mesmo tendo personalidades tão diferentes, frutos de mais de uma união, sempre conseguimos estabelecer um ponto de equilíbrio, respeitando essas diferenças”, enfatiza.

A carreira da mãe sempre foi respeitada e motivo de orgulho para os filhos também. Mesmo conhecendo os riscos da profissão, Gleice conta que eles nunca pediram que ela abandonasse o trabalho. “Tenho total confiança no trabalho dos meus colegas. Nunca senti medo em nenhuma operação, e depois, meus filhos foram educados para serem independentes”, diz.

Apesar de criar as crianças dentro do conceito de “sobrevivência”, como ela brinca, por um período a policial militar trancou os estudos e se dedicou à família, mas retomou o Mestrado em Geografia na UFGD depois que a caçula completou 1 ano. Atualmente ela ministra aulas no curso preparatório de soldados e apesar de se dizer uma apaixonada pela profissão, seu sonho é, depois que se aposentar como PM, lecionar no Ensino Superior.

“Minha vocação é trabalhar com jovens. Costumo dizer que nem todos os meus filhos foram planejados, mas todos foram muito desejados. Eles são a minha fortaleza. Eu escolhi ser mãe”, afirma emocionada.

Tanto amor faz com que a família não se desgrude. Nas fotos que a policial posta nas redes sociais, é possível conferir a harmonia entre as crianças. São registros de passeios, festas e viagens, onde Gleice pode ser vista sempre na companhia de pelo menos cinco filhos. Toda essa exposição acabou transformando a desconfiança da Receita Federal em mais um episódio cômico para a família. "Tem que rir, mas no fim fico feliz porque se desconfiam de mim é porque não aparento tanta idade assim", finaliza. 

Gleice participa de curso de formação ao lado dos colegas. (Foto:Divulgação)Gleice participa de curso de formação ao lado dos colegas. (Foto:Divulgação)
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Parabéns, Gleici pela bela história. Sempre fui admirador das mulheres, que são fortes, mais responsáveis que os homens, mais honestas e menos ambiciosas e, Deus, na sua infinita sabedoria, lhe concedeu a missão de gerar, amamentar e criar os filhos para a perpetuação da espécie humana.
Eu fico imaginando se a história da Gleici acontecesse com um de nós, homens. Certamente cada filho estaria na casa de um parente, naturalmente aquele que tivesse conseguido sobreviver. kkkkk
 
Sebastião Dussel em 10/05/2015 10:20:07
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