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25/08/2009 15:37

Policial brigou por causa de mensagem no orkut de Eliane

Redação

Policial civil há 22 anos, Cleidival Antônio Vasques Bueno admitiu, em depoimento prestado na tarde de hoje na 2ª Vara do Tribunal do Júri, que brigou com a policial Eliane Yamazaki, 35 anos. Ele estava com ciúmes por causa de uma mensagem deixado no orkut da vítima, com a qual alegou manter um relacionamento de dois anos e oito meses.

Apesar de ter admitido a briga, na noite em que matou a policial, Vasques manteve a versão de disparo acidental. Ele afirmou que a pistola calibre 40 caiu três vezes do painel do Fiesta da policial na noite de 13 de março deste ano. Ao tentar pegá-la pela última vez, houve o disparo acidental, que acertou Eliane na cabeça, matando-a.

Vasques contou que ficou desesperado. "Após o tiro, fiquei totalmente desesperado, não acreditava no que estava acontecendo", revelou. Justificou que não pediu ajuda nem ligou para o Corpo de Bombeiros, porque constatou que a policial estava sem pulso e não respirava mais.

Amantes - Cleidival Vasques afirmou, em depoimento à Justiça, que mantinha um caso com Eliane Yamazaki há dois anos e oito meses e que até abandonou a esposa por causa do namoro.

Na sua versão, os dois se tornaram amantes desde o primeiro dia em que a policial começou a trabalhar na Deam (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher).

Os dois mantinham encontros amorosos na delegacia e após ela sair da faculdade, garantiu. Em alguns dias da semana, segundo a versão do réu confesso, ela saia mais cedo para manter os encontros amorosos. Ele sempre a levava para a casa na viatura da Polícia Civil.

Também frequentava a casa da mãe de Eliane Yamazaki, numa chácara, onde costumavam almoçar juntos. Chegou a dizer que passeava com a filha da suposta amante, citando, inclusive uma visita ao Parque do Sóter.

A briga - No dia 13 de março, às 7h30, Vasques viu uma mensagem deixada por outro homem no orkut de Eliane Yamazaki. Ele tentou cobrar satisfações da policial, mas, como ela trocou de sala naquele dia, os dois não tiveram tempo de conversar.

Contudo, ele se contradiz ao revelar que foi junto com Eliane almoçar na chácara de sua mãe. Eles foram e voltaram na viatura da Polícia Civil, mas não teriam tratado da mensagem no orkut.

Eles só voltaram a conversar à noite, após ela deixar a faculdade Estácio de Sá, no Bairro TV Morena. Ele a seguiu, quando na altura da Avenida Salgado Filho, ela entrou na rua lateral e estacionou para eles conversarem.

Vasques contou que os dois discutiram por causa da mensagem deixada no orkut dela. Apesar da briga, ele negou ter efetuado o disparo de propósito, como alega o MPE (Ministério Público Estadual).

Para o promotor Douglas dos Santos, apesar de negar, o policial acabou confessando que brigou com a vítima no momento do crime. "Eles brigaram dentro do carro e ele disparou o tiro", ressaltou.

Contradições - Vasques contou que a arma caiu três vezes do painel do veículo, quando disparou acidentalmente. A perícia revelou que ela estava arrumando o som do veículo quando houve o disparo. A versão explica porque o tiro ocorreu com a arma a uma distância de 15 a 25 centímetros da cabeça da vítima, acima do nariz e no meio dos dois olhos.

No entanto, a cena do crime contradiz a versão apresentada por Vasques. Como Eliane estava mexendo no som, se a frente do aparelho estava destacada e guardada embaixo do banco.

Segundo o irmão da vítima, Elenoir Olando Viana, 46, no dia do crime, Vasques estava muito nervoso e não almoçou. Na ocasião, ele alegou que estava preocupado com um filho, que, supostamente, estava doente.

Mentira - O viúvo da policial, Wilson Yamazaki, acompanhou o depoimento. "Ele mentiu", afirmou, sobre o suposto caso extraconjugal da esposa. "Como estávamos mal (o casamento), se íamos comprar outra casa?", contou.

"Minha irmã não tinha caso com ele", garantiu a pastora Eloída Olanda Viana, 37, que também acompanhou o depoimento na tarde de hoje. Ela contou que uma semana antes do crime, chegou a desconfiar do relacionamento da irmã com Vasques e a questionou a respeito. "Ela garantiu que jamais largaria o marido e a filha", revelou a pastora.

Yamazaki contou ainda que ele era o responsável pelo pagamento da faculdade da esposa, desmentindo a versão de Vasques de que ele ia até a faculdade trocar o boleto para obter descontos e efetuar o pagamento.

Júri - Com a conclusão das oitivas, defesa e acusação vão apresentar as alegações finais. Só depois, o juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Aluizio Pereira dos Santos, decidirá se levará o policial a júri popular por homicídio doloso qualificado por motivo fútil.

Segundo o promotor, após a decisão, a defesa ou acusação poderão recorrer da decisão. Somente após manifestação do Tribunal de Justiça, o policial poderá enfrentar o júri popular.

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