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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

21/07/2011 13:40

Santa Casa recebe média de 5 acidentes de trabalho por dia

Paula Vitorino

Para vítimas, imprudência, falta de equipamentos e fatalidade são principais causas

Trabalhador teve as duas pernas esmagadas em betoneira por descuido. (Fotos: Pedro Peralta)Trabalhador teve as duas pernas esmagadas em betoneira por descuido. (Fotos: Pedro Peralta)

Diariamente, na Santa Casa, são 5 internações por dia de vítimas de acidentes de trabalho. Na maioria, os casos ocorrem em canteiros de obras, com trabalhadores da construção civil.

Na semana passada, dois trabalhadores de prédios morreram e o pintor Alfreu Alfreu Evangelista Sales, 45 anos, teve 70% do corpo queimado ao receber descarga elétrica na obra de um sobrado. Ele está internado desde quinta-feira (14) no CTI da Santa Casa e seu estado é grave.

Os dados da central de atendimentos no hospital revelam que a média de acidentes diários neste mês de julho já chegou ao índice de 6,5. Até a manhã desta quinta-feira (21), são 132 vítimas. Em todo mês de junho foram 128 pacientes e desde janeiro de 2011 são 954 registros.

Entre as histórias dos pacientes, a imprudência está presente na maioria. “Foi um minuto de bobeira”, define o trabalhador Claudinei Machado, de 38 anos, que apertou o botão errado de uma betoneira e teve as duas pernas esmagadas.

Ele estava dentro do equipamento para fazer a limpeza e colocou a mão do lado de fora para apertar o botão da esteira, mas acertou por engano o botão que liga a betoneira.

Negligência ou fatalidade - Mas a falta de infraestrutura, equipamentos de segurança adequados e a negligências por parte de algumas empresas também são fatores causadores dos acidentes.

Para o eletricista Menolino Souza de Oliveira, de 46 anos, internado desde segunda-feira (18) após cair de um andaime de 10 metros, a maioria dos acidentes acontecem em construções de nível médio ou pequeno, que não tem os equipamentos adequados de segurança.

“Nas obras grandes tem o técnico de segurança que fica sempre fiscalizando e as empresas maiores já tem todos os equipamentos adequados. Agora nas obras pequenas ou de autônomos, eles acabam tendo menos recursos e economizam nos equipamentos de segurança”, constata.

No momento do seu acidente ele garante que usava todos os equipamentos de segurança, mas faltava o cabo de aço, que segundo ele, é um equipamento que só as grandes construtoras possuem e ele como autônomo não tem condições de comprar.

“Se tivesse um técnico de segurança no local com certeza teria que ter o cabo de aço”, admite.

Mas ele acredita que o acidente tenha sido uma combinação de fatalidade com “um pouco de imprudência”.

“Só quando sair do hospital vou ver o que realmente aconteceu, porque o andaime não era meu e as pessoas que estavam empurrando talvez fizeram algo de errado”, diz.

O acidente aconteceu no momento em que o andaime de rodas era movimentado e enroscou em uma pedra.

Em primeiro acidente, Menolino perdeu dois dedos em serra de madeira. Em primeiro acidente, Menolino perdeu dois dedos em serra de madeira.

Este foi o segundo acidente de trabalho que Menolino sofreu em 30 anos de trabalho. Aos 15 anos, ele teve dois dedos da mão direita decepados em uma serra circular, usada para cortar madeira.

Ele lembra que na época não existiam equipamentos adequados, como hoje existem, mas ressalta que depende da empresa instalar os dispositivos de proteção nas máquinas.

“Hoje essa serra tem uma proteção que não deixa a mão chegar na lâmina, tem um sugador do pó. Mas é preciso que o empresário busque esses sistemas”, frisa.

Em casa - Com a experiência de 50 anos na área da construção civil, o mestre de obras aposentado, Joaquim Rodrigues, de 66 anos, foi sofrer o primeiro acidente de trabalho em sua própria residência, durante um “pequeno conserto”.

“Eu estava em uma escada, de uns 2 metros, e a perna abriu depois que um encaixe arrebentou. A escada caiu em cima da minha perna”, conta.

Ele teve fratura exposta no tornozelo e está internado na Santa Casa.

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Vivemos em uma sociedade em que o ser humano é desimportante, tornou-se apenas uma mera peça descartável, substituivel facilmente, já que há várias outras a disposição para realizar o trabalho braçal de alto risco. Morrer ou ficar machucado tanto fez como tanto faz, o importante é produzir para quem não pertence a essa classe subalterna.
 
Romildo Fagundes em 22/07/2011 09:35:04
Olha sou técnico de segurança do trabalho , trabalho numa empresa o que eu tenho pra dizer é o seguinte, o que eu digo aqui na empresa ,todos os colaboradores tem que usar os epi`s dentro da função q são entregues , é para sua propria segurança porque eles tem uma familia esperando chegar depois de mais um dia de trabalho. Então o proprio colaborador tem que se concientizar ;que precisa usar os epi´s e para os trabalhadores autonomo ele tem que ter sim seus epi´s ;ele vai gastar com ele mesmo ou vai preferir parar num hospital isso quando não morre. é so pensa mais um pouco valeu....
 
cristian ricardo santana em 21/07/2011 03:19:56
Na verdade, o procedimento adequado é: jamais movimentar um andaime com um trabalhador em cima!!!!! Que absurso!
 
Celso Barbosa Martins Neto em 21/07/2011 02:58:26
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