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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

22/11/2011 12:52

‘Se eu parar de tomar remédios, me mato’, diz PM doente por causa do trabalho

Fernando da Mata

Marden Barbosa sofre de doença mental grave e transtorno bipolar. Segundo ele, enfermidades foram causadas pela profissão

Marden acompanhado de uma das cadelinhas de estimação (Foto: Simão Nogueira)Marden acompanhado de uma das cadelinhas de estimação (Foto: Simão Nogueira)

“Minha médica falou que se eu parar de tomar os remédios, me mato”. Desabafo é do cabo reformado da Polícia Militar, Marden Ubirajara Barbosa, um dos diversos agentes da segurança pública que sofrem com problemas de saúde mental ocasionados pela profissão.

Com 35 anos, Barbosa vive em uma casa simples no bairro Canguru, região sul de Campo Grande, e foi aposentado por invalidez em março deste ano. Além da doença mental grave, o policial sofre de transtorno bipolar.

Na receita médica do ex-policial, constam remédios antipsicóticos, antidepressivos, para controle da pressão e estabilizadores de humor. Segundo ele, a medicação chega a consumir mais de um terço da remuneração líquida, que é de R$ 700.

“São remédios caros. No fim do mês, eu e minha esposa pegamos amostras grátis em consultórios. Quando fico três dias sem tomar os remédios, não durmo, fico ansioso e assustado com tudo.”

Trajetória - Marden Barbosa ingressou na PM em agosto de 1998 e atuou primeiramente na região da fronteira com o Paraguai. Diversas situações começaram a mexer com a cabeça dele. Uma delas foi uma troca de tiros com traficantes.

“Eu escutei as balas cortando o mato. Depois daquilo, você senta na viatura e pensa: e se a bala pegasse em mim? Com o tempo, você aprende a conviver com a morte, com a violência. Muitos policiais mudam a cabeça, começam a achar que a violência é uma coisa normal”, relatou o policial aposentado ao Campo Grande News.

Barbosa foi transferido para Campo Grande em 2003. Em 2006, ficou dez dias preso sob suspeita de integrar uma facção criminosa. Daí em diante, os problemas do então cabo da PM se agravaram.

“Essa época foi difícil, não conseguia dormir, comecei a ter insônia, o pensamento de suicídio não saía da minha cabeça. Apesar de ter sido acusado de integrar facção criminosa, me colocaram para trabalhar no presídio. Aquilo mexeu comigo”, desabafou.

Marden passou por 17 inspeções de saúde na PM. Na última avaliação, ele foi declarado incapaz definitivamente para o serviço de policial militar, mas que poderia prover meios de subsistência e que a incapacidade não foi provocada pelo serviço.

PM reformado mostrando os diversos medicamentos que toma (Foto: Simão Nogueira)PM reformado mostrando os diversos medicamentos que toma (Foto: Simão Nogueira)

“Que empresa me contrataria com esses problemas que tenho. Como posso trabalhar se minha médica falou que eu sou um risco, que não posso trabalhar mais na minha vida, que eu posso surtar a qualquer momento”, indagou o cabo reformado, que está pedindo correção do diagnóstico na Justiça.

Recluso em casa, o policial aposentado busca refúgio para os problemas na companhia da esposa e dos 11 cães de estimação. “Depois da doença, fiquei sentimental, choro fácil.”

Barbosa destacou ainda que vários colegas de profissão sofrem problemas. “Tem muito policial trabalhando no vermelho. Policial não tem amigos. A droga e a bebida, coisas que os policiais deveriam combater, são válvulas de escape. A sociedade deveria se preocupar mais com os nossos policiais”.

Reclamação constante - O vice-presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiros Militar do estado (ACSPMBM/MS), Cláudio Souza, explicou em entrevista ao Campo Grande News que não há estatísticas que mostram a quantidade de agentes afastados por causa de problemas de saúde mental.

“O que nós sabemos é que, na nossa rotina, é constante a reclamação de falta de acompanhamento e auxílio no tratamento.”

Segundo Souza, muitas vezes, o agente sofre ‘bullying institucional’. “O camarada que tem problema mental às vezes é tratado como enrolão, aí ele não procura tratamento e isso acaba aumentando o estresse desse servidor.”

Além das adversidades da profissão, o vice-presidente da associação destaca três fatores que contribuem para o agravamento dos problemas de saúde mental dos agentes.

“Baixa remuneração, carga horária de trabalho indefinida, ou seja, o agente trabalha o quanto necessário para cumprir escalas, e a falta de ascensão funcional, de promoções”, detalhou Souza.

Audiência pública na Assembleia Legislativa (Foto: Wagner Guimarães/ALMS)Audiência pública na Assembleia Legislativa (Foto: Wagner Guimarães/ALMS)

Audiência pública - A saúde mental dos profissionais da segurança pública foi assunto de audiência pública, na segunda-feira (21), na Assembleia Legislativa.

Durante palestra, o tenente do Corpo de Bombeiros, Edílson dos Reis, disse que a questão não deve preocupar somente os servidores da segurança, mas toda a sociedade. “Não se trata de um problema que afeta apenas os policiais. É uma situação que afeta muitas profissões”, ressaltou.

O proponente da audiência, deputado estadual George Takimoto (PSL), afirmou que as contribuições feitas no decorrer do debate serão reunidas e analisadas. Provavelmente, segundo o parlamentar, as sugestões servirão para construir um projeto voltado para a promoção da saúde mental dos profissionais de segurança pública.

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se os policiais unissem em todo o brasil duvido se os salarios ja nao estavam em mais ou menos 6mil um soldado,basta juntar dos os sindicatos do brasil e invadir brasilia,se nao der aumento nao vamos trabalhar,façam isto e voçes veram o resultado.
 
walter vieira da silva em 27/09/2013 13:57:41
o que tem de ladrao na policia nao esta escrito
 
walter vieira da silva em 27/09/2013 13:51:31
acho incrivel, uma pessoa como ele continuar ameaçando as pessoas no facebook. ele devia se manter afastado do computador, pois são ele ameaça, xinga e esculhamba as pessoas. isso é uma vergonha pra corporação.
 
Paulo Renato oliveira em 20/02/2013 19:40:47
-parabéns pela matéria mostra a realidade!,policiais inativos também merecem ser tratados com mais dignidade. afinal dedicamos nossa juventude pelo bem da população sul-mato grossense.,e não sermos chamados de ex-pulicia!
 
jose nestor Fernandes lopes em 15/01/2012 10:11:59
Deixo meus parabens ao campo grande news pela grande materia feita com esse servidor,abandonado pela emtidade na qual ele serviu com maestria,sim devemos ter maior acampanhamento no serviço policial militar,boas escalas,remuneraçao devida.
 
vicente insabral em 23/11/2011 11:51:29
(4) do tempo estará inapto, a degradação do indivíduo é dupla, pois para a sociedade ele é considerado um perigo e para a corporação ele não tem serventia. Se tiver sorte ainda terá uma família e não será um viciado. No entanto, será insensível às mazelas humanas.
 
sany leite em 23/11/2011 10:44:36
(3) nada contra o tratamento psicológico, que deveria ser bancado unica e exclusivamente pelo governo, e não o agente ter que pagar qualquer tipo de tarifa para ter atendimento e que não seja na folga, porque com certeza ele ficará estressado. Ao ingressar na PM é realizado um exame psicotécnico c/ os candidatos, portanto se ele passou no exame ele é considerado apto p/ a função e se ao longo
 
sany leite em 23/11/2011 10:35:58
(2) tais como professor, pedreiro, segurança p/ manter dignamente o sustento d casa. Em desvalorizados pela família e pela sociedade. Os maus PM, quando são punidos e cumprem suas penas (estupro, exploração de jogo de azar, contrabando...) e voltam normalmente p/ a corporação, se misturam aos hoenstos e integros desmerecendo ainda mais a classe. Nada contra o tratamento psicologico, mas precisa de
 
sany leite em 23/11/2011 10:27:20
(1) Infelizmente é uma realidade cruel aplicada aos profissionais de segurança, mas acredito que só tratamento psicológico não ajuda. Há necessidade de valorização da classe, quantos bons policiais são punidos severamente, como no caso do PM que neste está no presídio militar por defender vidas de outras pesssoas, quantos pm são obrigados a realizar "bicos", realizar outra atividade remunerada p/
 
sany leite em 23/11/2011 10:21:32
Realmente esse fato acontece em vários estados. Eu sou policial reformado do estado de- PE quando de serviço sofri um acidente, perdi os dedos do pé 3 anos depois me reformaram. neste período não tive acompanhamento psicológico simplemente me reformaram é nem a devida promoção merecida me deram pelos meus 20 anos de serviços prestados a sociedade.Onde luto até hoje na justiça pelos meus direitos
 
Inaldo Santana em 23/11/2011 05:46:12
Parabêns Campo Grande News pela matéria... desta vez vocês mostraram a realidade da Policia e não apenas criticaram.... Agora podemos só aclamar a Deus para ajudar aos policiais, poís os governandes não estão nem ai....
 
fernanda souza em 23/11/2011 01:52:17
Capitar é Capitar né?Também sou psicóloga, meu esposo é PM, atendo e já atendi inúmeros policiais(PM,PC,PRF,PF,BM,AGEPEN) e familiares, já lecionei em CFSDs (vários), fiz cursos, capacitações, inclusive Multiplicador de Polícia Comunitária 2010.São inúmeras possibilidades de intervir junto aos Batalhões, mas para isso a mentalidade do comando tem que mudar.
 
Glauce Lima em 22/11/2011 09:20:26
A partir do momento que perceberem que o psicólogo pode significar mais homens sãos trabalhando, menos LTSs e maior rendimento do trabalho (resultados) e não apenas mais um na folha de pagamento, quem sabe o governo de conscientize que para ter qualidade e reduzir danos é preciso investir.
 
GLAUCE LIMA em 22/11/2011 09:17:50
Parabéns Campo Grande News pela matéria.
 
Ton Nunes em 22/11/2011 07:35:37
Essa é uma dura realidade que nós servidores da segurança pública vivemos no dia a dia, e a partir desta dura realidade aparecem os resultados danosos como o que vimos a alguns dias atrás na cidade de Cassilandia, MS, onde o policial sob um tremendo estresse acabou vitimando o seu comandante.
 
Ton Nunes em 22/11/2011 07:34:09
(segunda parte) Se fossemos de fato valorizados enquanto pessoas humanas, tenho certeza de q a vida na caserna seria melhor. Nosso valor é medido pelo que produzimos. Para alguns, infelizmente a única saída que encontram é mesmo resumirem suas próprias vidas. Outros apenas sobrevivem desgraçadamente. Quanto a mim, sem desprezar a ciência medica, tenho buscado em Cristo Jesus a cura para meus males
 
Fernando Silva em 22/11/2011 07:24:24
- Parabéns CGnews, pela matéria de peso que trata de assunto tão necessário, porem esquecido ou evitado por "n" motivos. Parabéns tambem ao servidor que teve peito e coragem de mostrar a cara e escancarar de vez com um problema tão sério nos meios profissionais e tão mal assitidos pelas chefias, quer sejam militares, policiais ou não. Governador e patrões em geral, vamos assitir essa gente .
 
Zuza Ratier em 22/11/2011 07:12:30
(primeira parte) Infelizmente essa é a realidade de boa parcela da tropa. Minha inclusive. Estamos doentes. E é uma doença terrível e silenciosa. Uma espécie de "câncer" que mata pouco a pouco. Reduz e até anula nossa capacidade produtiva, Tira nossa paz e a tranqüilidade. Tira-nos a harmonia no lar e no convívio social com amigos e parentela.
 
Fernando Silva em 22/11/2011 07:12:22
Parabens a Jane Oliveira que já ofereceu ajuda e um conselho ao PM, o remedio não pode ficar um dia sem tomar, procure o tal do caps que fornece o medicamento gratuito e tenha muita força de vontade de se ver curado .Confie em voce.
 
Rosa Marlene da Silva em 22/11/2011 07:07:01
Parabéns o Campo Grande News em divulgar essa matéria e pela coragem do nosso companheiro de farda de expor um problema tão sério. Infelizmente tem gente que é capaz de dizer que depressão se cura trabalhando. Mas como trabalhar com arma de fogo, protegendo a sociedade tomando remédios controlados? Conheço vários colegas que precisam de tratamento e não fazem por medo do preconceito.
 
Sidnei Garcia em 22/11/2011 06:04:51
Não mais estará abandonado! Sinta-se acolhido, vamos conversar pessoalmente. Desenvolvo um trabalho na PM que será apresentado dia 30 deste mês, sobre stress nos batalhões do ms. Um colega seu entrará em contato com vc e conversaremos. Sou psicóloga especialista e à disposição da PM MS.
 
JANE OLIVEIRA em 22/11/2011 04:19:57
Já procurou o Capsi? Eles fornecem a medicação gratuitamente para os bipolares.
 
Suellen Kemp em 22/11/2011 04:19:14
enquanto as pessoas não se derem conta que a sociedade e seus segmentos são frutos de suas necessidades nada vai mudar , continuaremos com policiais mentalmente doentes com armas na mão , juizes com juizite proferindo sentenças não justas , professores descontentes , medicos descomprometidos com a saude e principalmente pessoas aproveitadoras da ignorancia politica em cargos do legislativo. Grato.
 
alexandre fontoura em 22/11/2011 04:09:56
Não é só a profissão em sí que pode desencadear o problema, mas principalmente a falta de conhecimento e capacidade de algumas chefias, em detectar o problema pisico social no dia a dia. Já ví homem totalmente incapacitado de portar uma arma, em virtude do seu estado psicológico, mas que ocupava a função porque a instituição não dispunha de outro para seu lugar. É preciso estudos e acompanhamento.
 
ValterAntunes de Oliveira em 22/11/2011 03:06:23
E, FACÍL COMANDAR HOMENS LIVRES, BASTA BOSTRA O CAMINHO DO DEVER. E,, ASSIM QUE VIVE A PM....
 
luiz carlos da silva em 22/11/2011 03:04:43
Infelizmente este não é caso isolado nem recente nas instituições de Segurança Pública. É um adoecer silencioso, pois se procurar o próprio comando para expor seu problema e recebido como um fraco. A estupidez banaliza o ser humano. A política é "casa um com seus problemas, mas o trabalho vem primeiro". Fico positivamente feliz com um possível novo olhar. Pena que para muitos seja tardio
 
Glauce Lima em 22/11/2011 02:46:32
Gostei muito da matéria e da coragem do Mardem em declarar o que realmente acontece com nossos policiais. Tomara que não fique como está, mas que as autoridades competentes saibam dar o devido valor que o ser humano merece ter e que ele seja remunerado de tal maneira que possa cuidar de sua família e principalmente de sua saúde.
 
Anacleto Praxedes Roza em 22/11/2011 02:07:15
Espero que os órgãos responsáveis tomem alguma providência em relação ao homem que bravamente lutou para defender nossos cidadãos. E também quero saber o seguinte: ele ainda possui arma de fogo?
 
Lisandro Roberto em 22/11/2011 01:43:17
sou da segurança publica, esta reportagem é muito valida pois nós vivemos sempre no limite. Muitas pressão o risco de vida é constante e não há compensação financeira.
 
katia ramos em 22/11/2011 01:17:48
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