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Campo Grande, Terça-feira, 18 de Setembro de 2018

21/04/2018 17:42

Sem "memória histórica", pessoas sabem somente que hoje é feriado

Datas comemorativas, como a de Tiradentes, tornaram-se, no máximo, um dia de folga

Osvaldo Júnior
Centro de Campo Grande; parte dos moradores não sabe que feriado é hoje (Foto: Arquivo)Centro de Campo Grande; parte dos moradores não sabe que feriado é hoje (Foto: Arquivo)

A única certeza é de que hoje é sábado, 21 de abril. Alguns se lembram que é feriado, a minoria de que o feriado em questão é de Tiradentes e ninguém faz ideia precisa de quem seja esse “tal de Tiradentes”. Esses são alguns resultados de rápida sondagem feita no centro de Campo Grande nesta tarde. As respostas são indicativo de problema maior: a perda da memória histórica.

A dona de casa Maria Doralina da Silva, 54 anos, não se lembrava nem ao menos de que é feriado neste sábado. As duas netas – Maria Eduarda Oliveira, 13, e Ketlen Mayara da Silva, 11 – também não. Depois de informada de que se trata de feriado de Tiradentes, ela voltou com as lembranças ao tempo de escola e disse: “É verdade! Estudei isso faz muito tempo”. Já as meninas não se recordam de ter estudado o assunto, que, certamente, foi tratado em alguma aula de História.

Na avaliação de Maria Doralina, as pessoas estão menos atentas às datas comemorativas da história do Brasil. “No meu tempo a gente sabia bem mais essas coisas todas. Mas a gente vai esquecendo. Hoje em dia ninguém sabe mais nada disso”, opinou. E por falar em esquecimento, ela e as netas também não se recordam de que, neste domingo, comemora-se outra data histórica: o descobrimento do Brasil, embora essa expressão (descobrimento) seja muito questionada.

Avó e netas não faziam ideia de que hoje era feriado (Foto: Marina Pacheco)Avó e netas não faziam ideia de que hoje era feriado (Foto: Marina Pacheco)
Letícia não se lembrou do feriado, mas a irmã dela, Andreia, sim (Foto: Marina Pacheco)Letícia não se lembrou do feriado, mas a irmã dela, Andreia, sim (Foto: Marina Pacheco)

Letícia de Jesus Reis, 22, também está entre os que não se lembram qual é o feriado deste sábado. Já a irmã dela, Andreia Reis, 26, auxiliar administrativa, está um pouco mais informada. “É o de Tiradentes”, respondeu, rápida e com segurança. Quando ao nome desse inconfidente... “Não faço ideia”, admitiu. Ela e a irmã também não faziam ideia do que se comemora neste domingo, dia 22.

Para Andreia, as pessoas se importam mesmo é com o feriado em si. “As pessoas só querem saber mesmo do feriado, da folga que vão tirar. Não se importam mais com a data. Acho que é por causa da correria. Antigamente, era diferente”, considera.

Janaína se lembrou do feriado, mas Gabriel e João Lucas, não (Foto: Marina Pacheco)Janaína se lembrou do feriado, mas Gabriel e João Lucas, não (Foto: Marina Pacheco)

Os primos Gabriel Henrique, 13, e João Lucas, 10, estavam mais interessados mesmo era com o passeio de sábado e não faziam ideia de que é feriado. Mas Janaína Rodrigues de Araújo, 30, mãe de João, salvou um pouco o trio. “É feriado de Tiradentes”, afirmou. Mas parou por aí. “Mais ou menos”, disse sobre quem seria Tiradentes. Quanto a 22 de abril, ela admitiu não se lembrar que se trata do descobrimento do Brasil.

A atendente Andressa Aparecida do Prado, 21, que desconhecia o porquê do feriado deste sábado deixou para o namorado, o administrador de empresas, David Gomes Pereira, 32, a tarefa de responder a questão. “É Tiradentes”, respondeu. Sobre quem foi Tiradentes, ele titubeou e arriscou: “Tem alguma coisa a ver com Minas Gerais... Como é mesmo?”, tentava se lembrar. O casal também não se lembrou qual a data comemorativa deste domingo.

Secretária Maria Cecília afirma que, nas escolas, as datas ainda são comemoradas, mas com sentidos para os alunos (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)Secretária Maria Cecília afirma que, nas escolas, as datas ainda são comemoradas, mas com sentidos para os alunos (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)

E nas escolas? – Datas como essas, que estão “empoeiradas no porão da memória”, como lembranças de velhas aulas de História, mostram-se distantes do dia a dia. E mesmo nas escolas, a impressão é de que também estariam “em desuso”.

Uma consideração: o período ditatorial, que se encerrou, oficialmente, na década de 1980, impunha às escolas, como “dever cívico”, a realização de ações em datas comemorativas. Era uma forma de reconhecer a “importância” de alguns personagens históricos.

Evidentemente, os tempos são outros. Então, não haveria mais por que ter eventos em datas comemorativas nas instituições de ensino? A secretária estadual de Educação, Maria Cecília Amendola da Motta, entende que o cenário não é bem esse. Na verdade, de acordo com ela, as comemorações continuam, mas foram revestidas de novos sentidos. “Essas datas estão incluídas na normalidade do currículo para que tenham significado”, afirmou.

Ela explica que as escolas têm autonomia e, em conformidade com seus projetos pedagógicos específicos, incluem ações em diferentes datas. Ela exemplificou com o Dia do Índio (19 de abril), quando foram realizados diversos eventos na rede estadual de ensino. Não se trata, entretanto, segundo ela, de meras comemorações, mas, sim, de ações com significado, com sentido para a realidade dos alunos.

A secretária, que considera fundamental a preservação da memória histórica, ressalta que é preciso diferenciar o sentimento de amor pelo país da crítica ao comportamento dos políticos e da corrupção de modo geral. “A brasilidade, esse amor à pátria, não tem nada a ver com o descontentamento das pessoas. É preciso separar as coisas e valorizar o nosso país”, finaliza.

Pintura de Pedro AméricoPintura de Pedro Américo

Tiradentes e o feriado – E a propósito, quem foi Tiradentes? Esse era o apelido do dentista amador Joaquim José da Silva Xavier. Ele foi um dos líderes da Inconfidência Mineira e o único a receber a pena de morte. Ele foi enforcado e esquartejado no dia 21 de abril de 1792, há exatos 226 anos.

Joaquim José se tornou “herói nacional”, uma espécie de “símbolo da liberdade”, imagem que foi construída e reforçada através de produções diversas, como a pintura de autoria de Pedro Américo.

Em 1965, já na Ditadura Militar, o marechal Castelo Branco sancionou a Lei 4.897 que declara o inconfidente “patrono cívico da Nação Brasileira”. Começa aí o feriado de Tiradentes, que anda meio apagado na memória coletiva.

Para ajudá-lo a lembrar, estão abaixo as principais datas comemorativas da história do Brasil:

9 de janeiro: Dia do Fico

13 de abril: Dia do Hino Nacional

19 de abril: Dia do Índio

21 de abril: Tiradentes (feriado)

22 de abril: Descobrimento do Brasil

13 de maio: Lei Áurea

07 de setembro: Independência do Brasil (feriado)

15 de novembro: Proclamação da República (feriado)

19 de novembro: Dia da Bandeira



Memória historica para que ? ja chega esta quem tem por ai e estão esquecidas
 
Eraldo Afonso Bento Afonso em 21/04/2018 19:06:31
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