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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

05/01/2017 17:02

Semelhante às 'pirâmides', Mandala já roda em grupos de Campo Grande

Iniciativa tem características de pirâmide financeira, mas quem participa diz se tratar de ajuda entre amigos

Christiane Reis
Quando consegue-se oito pessoas, um ciclo se fecha e outro já está em andamento. (Foto: Reprodução / Internet)Quando consegue-se oito pessoas, um ciclo se fecha e outro já está em andamento. (Foto: Reprodução / Internet)

Mandala solidária, dinheiro extra, da sorte. Os nomes são sedutores e a engrenagem da iniciativa também. A pessoa deposita R$ 100 e, conforme mais gente adere, pode chegar a receber R$ 800. A nova moda nas mídias sociais agora é a Mandala, que já chegou em Campo Grande e apresenta características de pirâmide financeira.

Quem participa diz que não se trata disso. “Muita gente compara à pirâmide financeira, mas ainda não há nada oficial dizendo se é ou não, então eu participo”, disse uma fonte que pediu para não ser identificada. A mesma pessoa também diz que não sabe onde surgiu a inciativa e que os participantes a consideram uma ajuda entre amigos.

A inciativa tem quatro fases, ou níveis, chamadas de fogo, vento, terra e água. O fogo deposita R$ 100; depois, cada participante que entra também coloca R$ 100 no negócio; o vento tem a função de indicar duas pessoas; na fase terra a função é ajudar o vento a encontrar pessoas e explicar sobre o funcionamento da inciativa e, na fase água, a pessoa que administra o grupo recebe o montante e sai, dando sequência a uma nova rodada.

São quatro fases, quando o participantes chega à ultima ele deixa o grupo. (Foto: Reprodução / Internet)São quatro fases, quando o participantes chega à ultima ele deixa o grupo. (Foto: Reprodução / Internet)

“Tem mandalas que giram em 24 horas, outras demoram uma semana. Depende muito da rede de relacionamento de cada um. O dinheiro vai caindo conforme as pessoa vão depositando. Não cai tudo ao mesmo tempo”, detalhou a fonte, que já participou de quatro grupos, alguns de Campo Grande outros com pessoas de outros estados.

A mesma fonte disse que já foi convidada a participar de grupo, cuja cota era de R$ 625, havendo promessa de receber até R$ 1 mil, “mas não entrei porque não consegui localizar quem se dispusesse a participar”, contou.

Legalidade – A iniciativa da Mandala ainda é vista como algo novo e merece que seja interpretada com cuidado. Pois, embora apresente características de pirâmide financeira, pois quem adere por último acaba favorecendo o lucro dos primeiros, ainda não é possível afirmar de que se trata disso.

Segundo o presidente da Comissão de Advogados Criminalistas da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil) de Mato Grosso do Sul, Fábio Andreasi, a princípio a iniciativa apresenta algumas características de pirâmide financeira. “Podemos citar o prazo indeterminado para recebimento, nunca tem produto concreto sendo oferecido como contrapartida do investimento e a promessa do dinheiro sem muito esforço, mas ainda assim não é possível afirmar que se trata da pirâmide financeira”, disse.

De todo modo, a orientação dele é que todo convite seja analisado com cuidado. “O que recomendamos para obter dinheiro é poupar e trabalhar”, disse.

Pirâmide Financeira – A pirâmide financeira é considerada crime contra a economia popular, conforme o disposto no artigo 2º, inciso 9, da Lei 1.521/1951, com a seguinte redação: “obter ou
tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos ("bola de neve", "cadeias", "pichardismo" e quaisquer outros equivalentes)”.

Nesse sistema, os participantes são remunerados pela indicação de outras pessoas para compor o grupo, sem levar em consideração a real venda de produtos. Casos de pirâmide financeira vieram à tona em 2014 e várias empresa foram investigadas.



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