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Cidades

Técnicas fazem abaixo-assinado para denunciar assédio moral na Santa Casa

Por Viviane Oliveira | 02/09/2013 16:03

Uma equipe de técnicas de enfermagem do sexto andar da Santa Casa, em Campo Grande, denuncia que sofrem assédio moral por parte da enfermeira chefe da unidade de saúde. Há dois meses, elas fizeram um abaixo-assinado contra as atitudes da gerente, protocolou e encaminhou o documento para o Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), que entrou com uma ação trabalhista.

As funcionárias, que não serão identificadas, contam que há 1 ano e 8 meses a chefe de enfermagem, que também não terá a identidade revelada, assumiu a gerência do sexto andar. Desde então elas começaram a sofrer assédio moral baseado em advertência constante, cobranças de horários injustificáveis, humilhação e constrangimento.

Uma das funcionárias cita um episódio em que a gerente chamou um funcionário da manutenção e arrombou parte dos armários das técnicas de enfermagem, em seguida jogou as coisas delas no chão para vasculhar o que o havia nos guarda-volumes.

Elas também denunciam a falta de um local para descanso, que até tinham, mas foi tirado pela gerente. “Além disso, não temos como aquecer nossa comida, pois o forno micro-ondas comprado com o dinheiro das próprias funcionárias foi tirado do local”, reclama uma técnica.

Depois do abaixo-assinado, as trabalhadoras contam que duas colaboradoras foram mandadas embora e quatro trocadas de setor. “Nós estamos trabalhando sob pressão psicológica. Gostamos da nossa profissão, mas queremos trabalhar com dignidade e respeito”, desabafa uma das funcionárias.

Procurada, a assessoria de imprensa da Santa Casa disse que o sindicato da categoria ajuizou uma ação trabalhista, onde a primeira audiência ocorreu no dia 29 deste mês e a segunda foi designada para fevereiro do ano que vem. “Até lá vamos ter que continuar trabalhando sob pressão”, finaliza uma técnica.

O procurador do MPT (Ministério Público do Trabalho), Paulo Douglas Almeida de Moraes, acompanhou a primeira audiência sobre o caso. Ele disse que chegou ao conhecimento do órgão a notícias de que determinado ocupante do posto de chefia estaria assediando moralmente suas subordinadas.

Segundo o procurador, o hospital está sendo devidamente investigado, contudo, com ação judicial proposta pelas supostas vítimas da conduta, processo no qual o MPT atua como fiscal da lei.

Como ainda não há conclusão do inquérito instaurado, tão pouco processo judicial em tramite, o ministério público disse que irá se manifestar depois das investigações e do processo judicial.

Paulo Douglas disse que o processo continua em curso normal e apesar da próxima audiência ter sido marcada para o ano que vem, não significa que as funcionárias vão ficar expostas. "Já pedimos esclarecimento do hospital sobre o caso", finaliza.

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