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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

28/03/2011 13:44

Mulheres surpreendem ao defender maridos depois de sofrer agressões

Paula Vitorino

Álcool, medo e violência são comuns na vida de mulheres vítimas de agressões que procuram diariamente Delegacia Especializada

Expulsa de casa pela marido, Elaine busca auxilio na DEAM. (Foto: João Garrigó)Expulsa de casa pela marido, Elaine busca auxilio na DEAM. (Foto: João Garrigó)

Álcool, violência e medo formam o cenário comum na vida da maioria das mulheres que procuram diariamente ajuda na DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), em Campo Grande.

Por dia, cerca de 50 mulheres procuram a DEAM, seja para buscar algum tipo de orientação ou denunciar a violência doméstica.

Nesta manhã as mulheres participaram de um projeto desenvolvido em parceria com o SEST/SENAT e receberam orientações com profissionais de enfermagem, fisioterapia e odontologia.

Também foi realizada uma palestra sobre auto-estima, ministrada por uma psicóloga convidada.

Uma das participantes da atividade foi Elaine, de 29 anos. Ela foi “expulsa” da própria casa pelo marido e, sem ter outra alternativa, buscou auxilio na Delegacia Especializada para conseguir reconquistar seus direitos.

Ela e os dois filhos, de 4 e 8 anos, foram colocados para fora de casa no sábado (26), após Elaine resolver ir à igreja, contra a vontade do marido, e ele sentir-se no direito de “punir” a família pela desobediência.

Mas o histórico de ameaças e, por algumas vezes de agressão, já acontecia há mais de quatro anos. Elaine conta que o marido chegava em casa bêbado durante a madrugada e era agressivo com a família, além de causar tumulto na vizinhança.

Na época, ela procurou ajuda na DEAM, para que o marido se tratasse contra o alcoolismo.

“Chamaram ele para conversar, ele veio, prometeu que ia se tratar, disse que ia melhorar, mas não mudou muita coisa. Por um tempo até que ele melhorou, diminuiu a bebida, mas depois voltou tudo como antes. Ele diz que não precisa de tratamento, que tem controle sobre a quantidade que bebe”, lembra.

Hoje, logo no início da manhã, Elaine foi até a Delegacia acompanhada de seu filho de 4 anos para tentar resolver definitivamente a situação.

Mas mesmo após a violência sofrida, ela diz não querer mal ao marido, e sim, apenas ter a sua segurança garantida.

“Não quero que ele vá preso. Quero só poder entrar em casa e pegar minhas coisas. Vim buscar uma orientação, quero que ele assine um termo se comprometendo a não chegar perto de mim, só isso”, diz.

Impunidade – Também nesta manhã, uma mulher de 48 anos, que não quis se identificar, procurou a DEAM, mas não para denunciar o marido agressor, e sim, pedir para que um boletim de ocorrência por violência doméstica fosse retirado.

Há cerca de um mês ela procurou a mesma delegacia para denunciar as ameaças de morte que o marido vinha fazendo contra ela.

“Ele me ameaçava, chegava bêbado em casa e dizia que iria me matar. Ele chegou a mostrar uma faca pro meu filho e dizer que ia matar com ela. Eu tinha medo, mas ele nunca chegou a me agredir”, conta.

Após fazer a denúncia, ela deixou o casamento de 28 anos e foi morar com a família em Aquidauana. Mas para atender ao pedido dos cinco filhos do casal, sendo uma menina menor de idade, 14 anos, ela decidiu voltar e procurar a delegacia para retirar a ocorrência.

“Depois, ele foi pra rua e virou andarilho. Meus filhos me acusaram de ser a culpada disso e pediram pra que eu retirasse a queixa, que eles iam cuidar dele”, diz.

Medo - Por medo, Maria Aparecida, de 50 anos, fugiu de sua própria casa e há mais de três meses vive com a mãe. Ela conta que o namorado de 63 anos, com quem viveu por 6 anos, é alcoólatra e por diversas vezes a agrediu.

“Ele saiu da minha casa também, faz algumas semanas, mas tenho medo de voltar e ele aproveitar para fazer algo comigo. Ele vive rondando minha vida”, diz.

Maria já registrou boletim de ocorrência e agora espera as próximas orientações da DEAM, pois ela diz “não saber o que fazer”.

É preciso uma mudança cultural para diminuir a violência doméstica, afirma delegada. É preciso uma mudança cultural para diminuir a violência doméstica, afirma delegada.

Mudança - De acordo a delegada titular da DEAM, Lúcia Falcão, é preciso haver uma mudança de cultura tanto do homem quanto da mulher para que a violência doméstica se torne rara no Brasil.

“Viemos de uma tradição onde o homem manda, faz o quer, quando quer com a mulher e ela aceita, abaixa a cabeça. No Brasil começamos a mudar isso, e tratar da violência doméstica na década de 80, após várias mulheres terem sido mortas. Mas ainda há muito para ser feito”, explica.

Ela acrescenta dizendo que fatores como o álcool e as drogas são apenas potencializadores de uma violência já presente no caráter do individuo, que muitas vezes é alimentada ainda na infância.

“Não podemos dizer que o álcool ou a droga são os causadores da violência, porque se fosse assim qualquer pessoa que bebesse iria ficar agressiva. Esses fatores só estimulam a característica violenta da pessoa, que muitas vezes é aflorada pela própria criação. Aqui no nosso estado, principalmente, temos a cultura do homem da fazendo, que é macho e tem que mandar na mulher”, afirma.

A delegada ressalta que o primeiro passo para a mudança cultural é o cumprimento da Lei Maria da Penha, onde o agressor deve ser punido pela violência que cometeu e tratado do vício ou doença que sofre.

Mas ela também frisa a importância de um acompanhamento na formação do caráter das crianças e adolescentes.

“Como é uma questão cultural, os pais e educadores precisam transmitir para as crianças que a violência domestica não é algo normal. Aquela criança que convive com esse tipo de crime em casa também pode crescer achando que é algo permitido”, alerta.

Serviço: 1ª DEAM – 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher – de Campo Grande fica na Rua Doutor Arlindo de Andrade, 149 – Amambaí.

O telefone é: 3384-1149 / 2946.

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Concordo com o Orlando....ninguém gosta de apanhar....e a dependência financeira ou a pscológica, entre outros tipos de afiliação ao outro, ainda impedem atitudes de resistência à violência experimentada. Concordo ainda com a lembrança aos velhos modelos cunhados desde os primórdios da colonização do país.....a novela brasileira mesmo, é um dos maiores exemplos de perpetuação dos padrões discriminatórios da sociedadee entre tantos a mencionar, no horário nobre do "plim plim" deixamos um banqueiro, que mantém mulheres em hotéis de luxo, para em seguida descartá-las como lixo "preservando" sua esposa no recinto do lar, encerrar a nossa noite e não paramos para refletir se esse personagem age com violência psicológica em relação a essas mulheres, sejam elas suas amantes ou a sua própria esposa, sem distinção.
Ainda não vislumbro a melhor solução, mas acredito que falar sobre o assunto seja um dos caminhos possíveis. A cura pela palavra, talvez.....
E para arrematar o que o Orlando disse, apoio e amor são fundamentais para todos os tipos de vítima.
Obrigada,
Susylene!
 
Susylene Dias de Araujo em 29/03/2011 09:51:02
Eu acho o fim da picada uma mulher se dispor a fazer um BO contra o marido agressor, e depois ir retirar a queixa, no fundo no fundo, acho que elas gostam mesmo é de apanhar, pois não tem outra explicação.....
 
Rosangela Carvalho em 29/03/2011 09:13:12
A violência doméstica, sobretudo a violência física contra a mulher é uma herança maldita do modelo de sociedade patriarcal que ainda impera. Estamos avançando nesse debate, em especial a Lei Maria da Penha, que muitos juristas (homens) dizem inconstitucional. O STF em unanimidade reafirmou a LMP. Todavia, devido a dependência financeira dessas mulheres em relação a seus "companheiros" elas se sujeitam a voltar para casa. Nenhuma mulher gosta de ser agredita. Precisamos de politicas públicas efetivas que minimizem ao extremo esse afronto aos direitos humanos. Delegacias especializadas, casas abrigo etc. Apoio psico-social dessas vítimas entre tantas.
"Lugar de mulher é onde ela quiser!" Ministério de Políticas para as Mulheres - Coverno Federal.
 
Orlando de Almeida Filho em 29/03/2011 01:32:22
Devem gostar de apanhar, porque não entendo uma pessoa ser agredida e ainda proteger o agressor. Mulher tem como se defender sim, não somos tão fracas para ficar apanhando caladas. Só não se defende quem não quer. Será que esse maridos nunca dormem?
 
Karina Lopes em 28/03/2011 10:23:28
OLHA CONCORDO COM A DELEGADA QUE E DIFICIL ASMULHERES SAIREM DA SITUAÇÃO DE VIOLENCIA,POIS A PRISAO DO COMPANHEIRO TEM OUTROS FATORES POIS ESTE AGRESSOR E O SEU COMPANHEIRO E MUITAS VEZES EO PAI DE SEUS FILHOS . ENTAO O TRABALHO DE CAMPANHAS E PREVENÇAO FEITO EM PARCERIAS COM AS REDES DE ATENDIMENTO COMO OS CRAS E E OS CREAS PODEM FAZER ESTA PONTE ORIENTANDO AS MULHERES.
 
SANDRA DA SILVA em 28/03/2011 08:49:14
É IMPRESSIONANTE COMO AS MULHERES QUE SÃO VITIMAS DE VIOLENCIA NÃO QUEREM QUE SEUS AGRESSORES PAGUEM PELO QUE FAZEM, EU REALMENTE NÃO ENTENDO, SE ELAS NÃO QUEREM OS MARIDOS PRESOS, VÃO ATÉ A DELEGACIA SÓ PARA DESABAFAR E CHEGAR EM CASA E APANHAR MAIS AINDA? POR FAVOR ENTENDAM, QUEM É VIOLENTO COM A PROPRIA FAMILIA, (MULHER E FILHOS) NÃO TEM CONDIÇÕES DE CONVIVER EM SOCIEDADE, SE A PESSOA NÃO CONSEGUE SE CONTROLAR EM CASA, COM CERTEZA NÃO CONSEGUIRA NA RUA E É AÍ QUE OS CRIMES ACONTECEM, DEIXEM ESTES COVARDES SEREM PRESOS E APODRECEREM NA CADEIA, QUEM SABE UM DIA ELES ENTENDAM QUE VIOLENCIA NÃO LEVA A LUGAR NENHUM A NÃO SER PARA O XILINDRÓ.
 
MAXIMILIANO NAHAS em 28/03/2011 04:18:33
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