A cozinha moderna nasceu do cansaço das mulheres
Fogão, zona de corte, pia. Hoje, nos custa imaginar uma distribuição na cozinha em que esses elementos não se organizem em torno de uma bancada, disposta em linha ou em “L”. Mas essa lógica é relativamente recente. A cozinha moderna não nasceu de uma moda qualquer, é fruto do cansaço: de mover-se muito, de limpar mal, de trabalhar em posições incomodas.
As “engenheiras domésticas”.
Foram as mulheres, aquelas que passavam boa parte do dia na cozinha que começaram a transformá-las. Eram as “engenheiras domésticas”. Aquelas que, entre o final do XIX e principio do XX, criaram novos desenhos das cozinhas. Uma das primeiras foi a norte-americana Catharine Beecher. Passou quase toda a vida a ensinar como deviam gestionar o lar como se fosse um sistema organizado. Criou o primeiro manual para as mulheres organizarem suas casas. O que fazer, quando fazer e como distribuir as tarefas de uma casa, eram suas lições. Foi a primeira vez que o trabalho das mulheres tiveram dignidade, começou a ser comparado com o dos homens. A ideia é que se existia um sistema se tratava de um trabalho importante.
O taylorismo chega na cozinha.
Um sistema de organização industrial desenvolvida por Frederick Távora no inicio do século XX para maximizar a eficiência e produtividade - denominado “taylorismo”- chegou nas cozinhas em 1.912 pelas mãos de Christine Frederick. Essa norte-americana transformou sua casa em um laboratório. Teve a ideia sensacional de medir as distancias percorridas por uma mulher na cozinha, cronometrou todas as tarefas e otimizou a cozinha como se fosse uma cadeia industrial de montagem. Denominou essa experiência de “cozinha eficiente”. Os móveis deveriam ser da mesma altura em uma superfície plana. A isso somou zonas especificas para cada tarefa, utensílios ao alcance das mãos e uma mesa com um orifício para os resíduos, além de uma cadeira alta para trabalhar sentada. Uma ideia que se estendeu até nossos tempos.
A primeira doutora muda a cozinha.
Lillian Gilbreth, engenheira e psicóloga, foi uma das primeira mulheres a concluir um doutorado. Estudou a cozinha com milhares de fotografias e filmes, um laboratório modernismo. De suas experiencias, nasceram as ideias que seguem vigentes para organizar um cozinha em torno de um circuito lógico: fogão, zona de corte e pia.
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