Trapalhadas, incêndio e morcegos: nasce Corumbá
Se criança fosse, poderíamos afirmar que Corumbá nasceu em um parto com fórceps. Na marra. Apesar das Trapalhadas dos cuiabanos, a pequena população que por lá residia, negou-se a abandonar o local. Foi um tal de povoa e desiste, criando enorme confusão, que essa cidade fronteiriça lutou para virar “adulta”. A confusão começou com os portugueses que passaram ou se estabeleceram na região. No início, era apenas um ponto de passagem dos paulistas e portugueses que iam a Cuiabá. Quando o governador enviou um capitão de nome Matias Ribeiro Costa, as trapalhadas pareciam não ter fim.
A primeira povoação sumiu.
Esse capitão construiu a primeira “Corumbá” no Fecho dos Morros, um diminuto forte em um local impossível de manter a sobrevivência de qualquer herói. Foi por isso punido e substituído por um sargento de nome Marcelino Roiz Camponês, que muitos entendem como o verdadeiro pioneiro da cidade. Após outros insucessos, o governador desistiu. Esqueceu da incumbência que lhe fora dada de construir uma povoação para defender a região de indígenas e espanhóis. Após idas e vindas, por lá se fixaram 42 famílias. Nada e ninguém os tiraria de Corumbá. Essa luta pela permanência no local será reproduzida pelos séculos à frente.
Escravos nos primeiros anos.
Em 1.792, viviam 42 famílias em Corumbá, totalizando 258 pessoas. Nesse censo, aparecem 17 escravos. É muito estranho encontrar outros dois censos em datas muito próximas, com números relativamente menores. Nesse período, fazer censo era algo inimaginável, muito difícil. Apesar da raridade censitária, existem outros dois em períodos próximos. É outra trapalhada de cuiabanos.
Incêndio e morcegos.
Pouco depois, em 1.800, além da miséria reinante na região, as residências foram todas destruídas por um incêndio. Somente uma capela com teto de telhas foi salva. Entre as agruras do cotidiano, chama a atenção a grande quantidade de morcegos hematófagos - que chupam sangue - que obrigaram os habitantes a mudar seus animais domésticos para outra região. Os ataques noturnos eram constantes e não permitiam a sobrevivência dos poucos animais criados pelos colonizadores. Apesar de todas as adversidades, os moradores reconstruíram as casas e continuaram a viver naquela que seria a maior cidade do Pantanal.
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