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Em Pauta

A pior maconha é a paraguaia. Uma história carnavalesca

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 09/02/2024 08:25
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade
Quando você pensa em carnaval, o que vem à mente? Festa, música, beijar na boca... mas as chances são grande de você ter pensado em alguma substância para "embalar a folia": loló, cerveja, vinho barato... e misturas que são típicas dessa época do ano. Mas tem as "ervas", um verdadeiro baluarte do carnaval. A erva, a cannabis, a verdinha, a ganja ou a "massa", a maconha pernambucana. Mas se esse "pilar" pernambucano estava ameaçado, é porque estavam vivendo uma espécie de "estado alterado". Alterado na cabeça dos foliões e no papel do Estado. E não é um trocadilho.


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1.180.000 pés de maconha destruídos.

As polícias estavam comemorando. Haviam destruído 1.180.000 pés de maconha pernambucana. Outros dez mil seriam logo eliminados. Isso no sertão de Pernambuco, em janeiro de 2019. Bem no momento que preparavam para comemorar o maior carnaval do mundo, nas ladeiras de Olinda. Era a primeira vez que venceriam esse título de "maior do mundo". Mas essa festa já estava meio abalada pela crise da covid, que ainda estava do outro lado do mundo. E misturaram com a notícia de que a maconha estava sendo erradicada do Estado. A polícia usou exatamente esse termo "erradicada". Não deu outra, era um carnaval sem maconha. Na verdade, quase sem maconha.


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Carnaval sem maconha, à beira do apocalipse.

Quem era o ministro da justiça? Nada menos que o Sérgio Moro. Sem nada a fazer, resolveu montar uma mega operação para "erradicar" a maconha pernambucana. Era uma ação patética, dezenas de autoridades já haviam tentado acabar com essa maconha durante décadas. Destinava-se a ocupar holofotes. Gastaram milhões de reais em tinta acrílica para pintar os carros das polícias que corriam atrás de plantadores de maconha. Coisa bizarra. Mas faltava combater a maconha paraguaia.


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Carro de corrida para combater narcotráfico.

Os carros eram os Dodgers Chalangers, carros potentes mais ligados a corridas, comprados para essa ação. Teoricamente correriam atrás dos caminhões de maconha saídos do Paraguai. E foi assim que duas semanas antes do carnaval de Olinda, não havia onde comprar um baseado. Só restava a maconha do Paraguai, ainda assim, muito cara.


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A Amsterdã brasileira.

Olinda é conhecida como a Amsterdã brasileira. Por lá, a maconha corre livre, leve e solta. Alguns blocos só aceitam quem fuma maconha. Essa é uma luta que os maconheiros venceram há muitas décadas. Tudo começou com um bloco que desfilou com estandartes tendo a maconha como símbolo e, seus membros, portando enormes baseados. Deu muita briga. Mas eles não só continuaram desfilando com esses aparatos, como alguns outros blocos seguiram o mesmo "ritmo do frevo". Até que a maconha paraguaia os levou à derrocada. Não toleraram fumar essa maconha, tida como a pior maconha do mundo, e passaram aquele carnaval à seca.
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