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Em Pauta

Ás armas, cidadãos! O retorno do armamentismo eleitoral

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 15/03/2017 08:35
Ás armas, cidadãos! O retorno do armamentismo eleitoral

Há 12 anos os brasileiros escolhiam o desarmamento em um plebiscito. Quase 64% (59 milhões) da população votou para que as armas fossem proibidas no país. Todavia, 33 milhões de pessoas se sentiram frustradas por terem proibidas as armas. O principal argumento utilizado à época foi a relação entre armas e crimes. Desarmados, os assassinatos seriam reduzidos. Não foi o que aconteceu. Pelo contrário, nessa década, desarmados, permanecemos nos primeiros postos dentre os países onde ocorrem maior número de assassinatos por arma de fogo. É importante ressaltar, permanecemos. Os brasileiros matavam muito antes do plebiscito. Continuam a matar.

Também vivemos nesse período sob a égide dos "Direitos Humanos". Seus adversários denominam essas leis e as políticas como "Direito dos Bandidos". A verdade é uma só: o desarmamento e os direitos humanos não produziram os efeitos desejados. Não restringiram os crimes. Mas, foram essas duas decisões as responsáveis pelo sangue que corre, por exemplo, em Ponta Porã e Pedro Juan Caballero? Esse é, também, um argumento despropositado.

Não é armar ou desarmar que resolverá a questão da violência no país. Também não é respeitando ou torturando criminosos que teremos uma solução para a insegurança que nos oprime. As provas são cabais: a violência está diretamente vinculada à cultura e à educação. Há países armados até os dentes - Suíça, Finlândia e Noruega, por exemplo - onde a taxa de assassinatos se aproxima do zero. Bem como há países, total e completamente desarmados - Inglaterra e Japão, por exemplo - onde se repetem índices baixíssimos de mortes por arma de fogo. O inverso é, também, verdadeiro. Honduras é o campeão mundial em assassinatos com arma de fogo e, suas leis, liberam as armas.

A questão do desarmamento retorna ao "circo eleitoral". Não passa de um argumento esgrimido pelos defensores da candidatura de Bolsonaro, o preconizador da violência para combater a violência. Seu ideário é o da justiça pelas próprias mãos. Aproveita-se de um país falido - econômica e moralmente - para instigar o ódio. E encontra Lula, o "pai dos direitos humanos" como seu maior opositor. Se, esse quadro, se efetivar, só restará o ódio potencializado. Ás armas, cidadãos! A democracia se aproximará da total falência.

Correção: o colunista errou quanto ao resultado do plebiscito do desarmamento. Não foi equívoco, foi erro mesmo.

Todos as demais informações e argumentos permanecem intocáveis. O pacifismo, a educação e cultura continuarão presentes na coluna. 

Ás armas, cidadãos! O retorno do armamentismo eleitoral

Pepsi x Coca-Cola. Agora, a guerra é pela água.

No ano passado, a venda das colas, os refrigerantes gaseificados, atingiu a marca de US$ 12 bilhões. Mas a venda de água engarrafada quase atingiu os US$ 13 bilhões. Uma surpresa para as empresas. Há uma nova guerra entre a Pepsi e a Coca-Cola. Desta vez, porque o consumo de bebidas gaseificadas continua caindo, é pelo mercado da água engarrafada que as duas gigantes competem.

Mas não é uma "água qualquer", os produtos responsáveis pela deflagração do combate, pertencem ao segmento premium, voltado para os mais ricos. Distinguem-se pela adição de eletrólitos e pelos processos de purificação diferentes das restantes águas mais baratas. É isso mesmo, inventaram até água para rico e "águinha para pobre".

Ás armas, cidadãos! O retorno do armamentismo eleitoral

O Brasil é um país pacífico?

Se o critério para ser pacífico for a quantidade de armas, a resposta é negativa. De 2012 a 2015, foram registradas mais de 180 mil novas armas no país, considerando órgãos de segurança pública , empresas privadas e pessoas físicas. Esse é um mercado dominado pela empresa Taurus, principal fornecedoras das polícias. No ano passado a produção brasileira de armas foi de cerca de 200 mil unidades, mas trata-se de um mercado cíclico. Em 2012, o Brasil produziu mais de 700 mil armas leves.

O Brasil é, atualmente, o quarto maior exportador de armas leves e munições do mundo. Além das exportações legais de armamentos, empresas brasileiras estiveram envolvidas em situações estranhas, inexplicáveis. Em setembro do ano passado, dois executivos da Taurus foram acusados de vender ilegalmente 8 mil pistolas para um grupo rebelde que luta contra o governo do Iêmen

É quase certo que fazemos parte do nada auspicioso grupo de países que traficam armas pelo mundo das guerras. Somos um dos senhores das armas. E continuaremos a ser até que a "bancada da bala", cujo maior expoente é o deputado Bolsonaro, permita progredir a lei que determina que prestemos conta para a ONU de quantas armas produzimos e exportamos. Por outro lado, um país que necessita registrar 180 mil armas novas em três anos, algo como 60 mil por ano, não pode imaginar que tenha uma sombra de pacifismo.

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Os impostos mais estranhos do mundo.

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Imposto do sal.

O imposto sobre o sal remonta à Antiguidade. Talvez tenha sido um dos impostos com maior repercussão histórica. Na França, teve designação própria - "gabelle" - ainda que poucos estudem, foi uma das principais causas da Revolução Francesa. Na Índia, a Inglaterra, enquanto país colonizador, detinha o monopólio da extração de sal. Mahatma Gandhi iniciou, em março de 1930, um protesto pacífico contra a cobrança desse imposto, que seria conhecido como a Marcha do Sal. Este foi um dos momentos mais importantes na insurgência dos indianos contra o domínio inglês em sua terra.