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29/01/2019 09:48

É possível saber o que devemos comer?

O estudo da dieta selvagem

Mário Sérgio Lorenzetto
É possível saber o que devemos comer?

Modismos. Enganações. Enquanto as dietas brotam como chuchu na cerca, a cada dia aparecem mais pessoas que já não sabem o que colocar no prato. Os carboidratos são bons e logo viram assassinos. O atum é o anjo salvadores nesta semana, e o diabo na seguinte. Comer carne faz bem, mas vem uma entidade e a incrimina. Sobre a cacofonia de conselhos nutricionais que fazem barulho no mundo ocidental, emerge uma pergunta desesperada: é possível saber o que devemos comer? Ou melhor, o que não devemos comer? Existe uma dieta perfeita?
Todos não se dão conta que essas perguntas não teriam sentido se vivêssemos como o ser humano há feito em quase toda sua história.

É possível saber o que devemos comer?

A Universidade que saiu para o mundo em busca da dieta perfeita.

Com a ideia de solucionar essa bagunça a que nos submeteram, a Universidade de Duke, dos EUA, decidiu aportar um pouco de originalidade científica e sair das salas bem ambientadas. Foi estudar as populações de caçadores-coletores, de "selvagens", notáveis por sua excelente saúde metabólica e cardiovascular. A ideia parecia excêntrica, mas tinham de entender se a dieta desses povos "selvagens" poderia tornar-se eventualmente como modelo de saúde pública. Seria delirante a ideia de passarmos a nos alimentar como os yanomamis? Não, os resultados da pesquisa mostram que esse é o caminho a ser entendido. Não copiado, mas entendermos se é possível existir uma dieta válida para todos.

É possível saber o que devemos comer?

Não há uma dieta perfeita.

A conclusão que os acadêmicos chegaram é um alívio: perguntar se existe uma ideia perfeita para todos não é a pergunta correta, já que as sociedades primitivas conseguem ter uma saúde de ferro adotando dietas muito diferentes umas das outras. Se é um daqueles que busca o melhor combustível para colocar no corpo, já pode respirar tranquilo, longe da tirania das dietas que só servem para faturar milhões para aqueles que a vendem.

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Obesidade e hipertensão, raridades nas tribos primitivas.

Os cientistas alem de estudar a dieta, saúde, atividade e energia das tribos primitivas, também descobrimentos arqueológicos com o objetivo de proporcionar uma perspectiva mais completa sobre o estilo de vida e a saúde dessas populações. Para complementar a análise, incorporaram novas informações sobre os Hazda, um grupo do norte da Tanzânia.
Os resultados, publicado na revista científica Obesity Reviews, mostraram que a longevidade nas populações primitivas é surpreendentemente similar à das populações industrializadas. Mas há uma grande diferença nas taxas de enfermidades não transmissíveis. Ao contrário do vemos em nossa sociedade, as patologias metabólicas e cardiovasculares e a obesidade são diminutas, não chegam a 5% nas primitivas, contrastando com os mais de 18% na industrial. Uma das taxas que mais atenção chamou foi a da obesidade. As mulheres das sociedades primitivas tem uma taxa média de gordura corporal variando de 24% a 28%. Já os homens quase não tem gordura corporal, a taxa varia de 9% a 18%.

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A cardiologia dos indígenas surpreende os cientistas e cria um novo parâmetro.

Os resultados reforçam um recente estudo feito entre os yanomamis, que vivem em quase completo isolamento no Brasil. Compararam com os yekwana, seus vizinhos, porém mais próximos da sociedade industrializada. A pressão arterial média dos yanomamis não varia desde o nascimento até a morte. A dos yekwana, é similar à nossa, eleva- se com o passar dos anos.
A ideia de que a pressão arterial é resultado do envelhecimento é uma crença generalizada na cardiologia, mas estas pesquisas estão demonstrado cabalmente que está diretamente vinculada à alimentação e ao estilo de vida.

É possível saber o que devemos comer?

Milhares de dietas e não apenas uma.

A grande lição que as sociedades primitivas nos brindam é que cada povo tem uma dieta totalmente diferente, uns dos outros. Mostram que podemos ter dietas excelentes em uma ampla gama de planos alimentícios. Há milhares de dietas válidas. Por exemplo, os tsimanes bolivianos conseguem a maioria de suas calorias comendo carboidratos complexos, consomem muita mandioca, arroz e tubérculos. Os hazda da Tanzânia consomem mel em enormes quantidades. Os yanomamis brasileiros comem muita caça, frutas e um bocado de sal.
Mas há alguns fatores que os aproximam entre si. Consomem muita fibra, há menos calorias por bocada e o mais importante fator ainda pouco estudado: seus alimentos não estão desenhados em laboratório para ser irresistíveis aos olhos, narizes e cérebro humano. São alimentos que podemos denominar de "sem graça".



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