A Vila dos Paraguaios que inexplicavelmente recebeu nome de português
Joaquim Manuel de Carvalho. Esse o nome do português que foi homenageado. Deram seu nome a uma vila constituída quase exclusivamente por famílias paraguaias. É um mistério. O primeiro traçado das ruas de Campo Grande, de 1.910, aparece mostra nesse local uma fazenda, a Bandeira, de Amando de Oliveira, correspondente às vilas Carvalho e Sargento Amaral. A Avenida das Bandeiras era a estrada de acesso à sede dessa fazenda. Foi ali que Amando de Oliveira foi assassinado, em 1.914, crime jamais esclarecido. É uma região eivada de enigmas. Para completar, Amando de Oliveira doou os fundos de sua fazenda para a prefeitura construir o atual cemitério Santo Antônio, onde foi enterrado.
O primeiro matadouro.
Em 1.918, já existia nessa região um matadouro e a respectiva invernada. Aquele ficava onde hoje está instalado o Instituto Mirim. Rosário Congro, o prefeito de então, criticava o matadouro. Dizia que era um espaço pequeno e “sem condições higiênicas exigidas, além do serviço moroso, feito por processos primitivos”. Os primeiros moradores dessa região encontraram restos de chifres, couros e ossos animais. Todo o descarte era feito nas imediações do matadouro.
Fugindo das revoluções, chegam os paraguaios.
Fugindo dos movimentos armados de seu país, principalmente na metade da década de 1.940, um bom número de paraguaios buscaram ali a tranquilidade e as condições para criar suas famílias. Ao contrário do que alguns escreveram, não vieram da região onde estava instalada a decadente super empresa Matte Laranjeira. É de se lamentar que o nome “Vila Paraguaia” - tão apropriada e justa homenagem a seus habitantes - tenha sido, aos poucos, substituído por Vila Carvalho.
Os primeiros moradores e a explosão causada pelo Baís.
O primeiro ranchinho, mas em um grande lote, dessa região foi construído pelos pais da senhora Honorata, cujo nomes, pra variar, são enigmáticos. Nessa época, mais ou menos 1.927, os terrenos eram piquetes de pastos, onde criavam cavalos e algumas poucas reses. E veio o primeiro “boom” imobiliário da cidade. Por volta de 1.934, a família Baís loteou um grande piquete, dando condições para os trabalhadores paraguaios do matadouro terem suas residências perto de seu trabalho.
Terra salgada.
Não foi fácil. Os ranchinhos, todos de madeira, foram construídos em terrenos extremamente salgados. Havia ali, além do matadouro, um saladeiro, um curtume. Usavam nessa empresa imensa quantidade de sal para conservar couros e carnes, pois ainda não existiam câmaras frigoríficas. A vilota só ganhou ares de importância quando surgiu o primeiro “bolicho”, um diminuto armazém, pertencente ao Senhor João Burgoro. Vendia apenas fumo, açúcar e alguns remédios.
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