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25/03/2019 07:00

Futebol não é "esporte bretão"

Cuju, o pontapé inicial

Mário Sérgio Lorenzetto
Futebol não é esporte bretão

Nessa lenda você sempre caiu. Ao contrário do que muitos pensam, os súditos da rainha não inventaram o futebol. Os britânicos criaram as principais regras adotadas atualmente no futebol, mas ele vem sendo praticado há muitos séculos antes de chegar à Inglaterra. Mas os primeiros registros de partidas de futebol vem, com certeza, da China. O pontapé inicial foi dado há mais de 2,5 mil anos. Concorrendo com os chineses, os gregos praticavam - provavelmente, sem a força da documentação histórica chinesa - algo semelhante ao futebol que era denominado "episkyros".

Futebol não é esporte bretão
Futebol não é esporte bretão

Começou a partida de cuju...

Imagine o cenário: uma arena retangular, com piso de areia, rodeada por bandeiras coloridas de seda, onde se encontravam as pessoas, umas sentadas, outras de pé. No centro do terreno duas equipes de dez jogadores, cada equipe com uniformes iguais. Na frente de cada equipe, um décimo primeiro jogador, o líder da equipe. Atrás mais bandeiras, grupos de música e percursionistas, tudo acompanhado pelo rufar dos tambores. Um oficial carregava uma bola de couro e todos se prostravam perante o imperador.
Esta era uma imagem recorrente na China Imperial durante séculos. Homens e mulheres participavam. Podia mudar o número de metas ou balizas. O Imperador podia estar presente ou não. Mas a emoção de um jogo de cuju era sempre intensa.
O nome provém da junção de duas palavras: "cu" (chutar) e "ju" (bola de couro cheia de penas) e começou a tornar-se popular em um período da história chinesa entre 476 e 221 a.C., que ficou conhecido como o período dos Reinos Combatentes.
A primeira menção ao cuju pode ser encontrada no "Zan Guo Ce", literalmente "Estratégias dos Reinos Combatentes", um conjunto de textos compilados nessa época. O cuju é referenciado como uma prática de treino. Há, também, referencias ao jogo no "Registro do Historiador" de Sima Qian, escrito durante a dinastia Han, período em que a popularidade do jogo, até então usado somente em treinos dos exércitos, alastrou-se pela população.
A popularidade do jogo cresceu tanto que foram criadas regras rígidas no reinado do Imperador Wu Di (141 a.C. a 87a.C.), que seria um apaixonado pelo cuju.

Futebol não é esporte bretão
Futebol não é esporte bretão

Seis balizas para os jogadores chutarem.

O jogo era disputado em um campo conhecido como Ju Chang e em cada lado desse campo havia seis balizas - ou metas - em forma de lua crescente. Imaginam que os placares eram elásticos, com um grande números de gols.
Entre 618 a.C. e 907 a.C. mudaram a bola. Tiraram as penas e ela ficou muito parecida as atuais, enchidas de ar. Outra mudança foi a colocação de redes entre os dois postes. Os campos de cuju espalharam-se pelo país e todas as grandes famílias tinham o seu campo no jardim ou na traseira de suas mansões.

Futebol não é esporte bretão
Futebol não é esporte bretão

Duas modalidades no cuju: acrobacias e competições.

O cuju era disputado em duas variantes. Uma onde os jogadores eram acrobatas, atuando perante grandes audiências e na corte. Não contava os gols marcados. Era apenas uma exibição. Driblavam, driblavam, exibiam-se e não chutavam a gol. Lembra alguns jogadores brasileiros... A segunda variante "pegava fogo". Disputavam campeonatos locais. E o inimaginável ocorria: os jogadores eram profissionais.
A história mostrou que os dois primeiros times de futebol chamavam "Qi Yun She" e "Yuan She" Os jogadores tinham de pagar a professores para se tornarem profissionais. Esse sistema de professores e aprendizes tornou possível a profissionalização de centenas de jogadores.
Muito tempo depois, já na dinastia Ming (1.368 d.C. a 1.644 d.C.) que o cuju começou a perder popularidade, e desapareceu. Para a história ficaram as pinturas, desenhos, os textos e poemas que nos permitem recordar o jogo e suas regras.

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