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Em Pauta

No tempo das procissões. O Jinete Apocalíptico

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 22/07/2021 07:00
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As pestes sempre foram acompanhadas por processos que melhoraram as civilizações... ou as destruíram. O poema fundador de Homero, a Ilíada, descreve a mortandade que cai como castigo divino sobre os áqueos. Os gregos também entenderam essa peste nos tempos de Homero como a vingança de Apolo pelo sequestro de um de seus sacerdotes. Desde então a história testemunha daquelas incompreensíveis devastações que semeavam o horror por todos os cantos da Terra.


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Nada entendiam e morriam como moscas.

Aqueles povos não entendiam o que acontecia em seu redor. Só sabiam que morriam pessoas como se fossem moscas. Atribuíam como um castigo dos deuses pelos pecados cometidos dos humanos. Buscavam bodes expiatórios. Primeiro foram os magos, ainda na Antiguidade. Depois, vieram as bruxas e os judeus. Todos aqueles que eram diferentes podiam ser culpados das pestes. Quantas fogueiras e vítimas causavam - e ainda causam - a ignorância.


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A peste na época de Tucidides, em 430 a.C.

Tucidides foi o primeiro historiador que descreveu uma peste com todos os detalhes. Com rigor e sem atribuir responsabilidade alguma aos deuses, Tucidides conta a peste que destruiu a Atenas de 430 a.C.. Desde então, há documentos históricos que contam esses periódicos cataclismos que devastam civilizações.


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Entre romanos.

Um dos mais estáveis impérios, o de Marco Aurélio, em Roma, foi sacudido pela peste. Quase o destruiu. O poder viajou pelo Mediterrâneo e foi parar no que conhecemos como Turquia. Lá, criaram um fortíssimo Império. Constantino, seu criador, fundou o império bizantino, mas quase foi derrotado por outra peste que chamavam de bubônica.


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Os alforjes dos mongóis.

Logo à frente, nasceria o "Jinete do Apocalipse". Os mongóis vararam as estepes com seus arcos de melhor qualidade e com suas espadas procurando pescoços para cortar. Em seus alforjes, levavam "pestilências", como narram historiadores. Inventam o Jinete do Apocalipse que vai de vila em vila, de cidade em cidade, repartindo pestes e levando as almas a queimar no inferno.


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No tempo das procissões.

As longas procissões católicas nascem. De um lado, aumentam as superstições. De outro, incrementam o espírito religioso. E surgem as longas procissões. Elas percorrem as ruas europeias. Fundam novos povoados e cidades. Fogem do desconhecido e dos invisíveis agentes do diabo. As procissões nasceram para combater, com orações, os "castigos dos céus" que chegavam à Terra em forma de pestes.


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Extraordinários avanços... e destruições.

Mas é possível afirmar que as pestes, além da destruição, trouxeram extraordinários avanços nos domínios do conhecimento, especialmente na medicina. As redes hospitalares e de enfermarias só surgiram com as pestes. Mas se assim foi na Ásia e na Europa, as pestes, pelo nosso lado, devastaram riquíssimas civilizações. Maias, incas e astecas foram total ou parcialmente dizimados. No Brasil, primeiro foram os indígenas litorâneos, depois, paulatinamente, foram exterminando os povos do "interior".

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