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11/11/2018 09:34

O gato dentro da caixa ou no seu quadrado

Mário Sérgio Lorenzetto
O gato dentro da caixa ou no seu quadrado

As mídias sociais estão cheias de gatos entrando em caixas de papelão, malas, caixas de plástico, armários e até em vasos altos. Mas a maior obsessão são com os gatos que parecem se ver obrigados a estacionar em quadrados de fita marcados no chão. Por que ele fazem isso?

O gato dentro da caixa ou no seu quadrado

É apenas um fato da vida que os gatos gostam de se espremer em pequenos espaços onde se sentem mais seguros e protegidos. Em vez de ficarem expostos aos perigos de espaços abertos. Os gatos preferem se agrupar em áreas menores, mais claramente delineadas.
Quando bebês, costumavam se aconchegar com a mãe e a ninhada, sentindo o calor e o contato calmante. O contato com o interior da caixa libera endorfinas - substâncias similares à morfina da própria natureza - causando prazer e reduzindo o estresse. Lembre-se também, que as gatas que estão para parir fazem ninhos - áreas pequenas e discretas onde dão à luz e proporcionam refúgio aos gatinhos.
A "caixa virtual", marcada com fita no chão não é tão confortável quanto a uma real, mas pelo menos é uma representação de uma caixa quadrada para se aninhar, fornece algum senso de segurança e conforto psíquico. As pesquisas feitas na Holanda comprovam que gato dentro de caixa é menos estressado.

O gato dentro da caixa ou no seu quadrado

Nossa memória é escrita na areia e não em pedra.

Todos cremos que a memória humana funciona como se fosse eterna, escrita em uma pedra. Nada mais falso, a memória é facilmente apagada, escrita na areia. A assimilação é a primeira etapa do processo de memorização. Inicialmente, as imagens, diálogos, movimentos, cheiros... são captados pelos sentidos. Há um rearranjo no circuito cerebral, uma alteração na taxa de disparos químicos entre os neurônios. Assim é organizada a memória de curto prazo, que você usa rapidamente e esquece em seguida.
Para que você possa acionar um dado uma ou duas semanas depois de tê-lo captado, é preciso convertê-lo em memória de longo prazo. Esse trabalho fica a cargo do hipocampo. É ele que entra em ação quando você decide quais as frases, os rostos, os números... que devem ser arquivados para uso futuro. O hipocampo envia os dados por você escolhidos para diferentes lugares do córtex cerebral. Lá ocorre uma alteração química, ao contrário do que ocorre com a memória de curto prazo, essas mudanças na química cerebral são profundas, fortalecem as "conversas" entre as células da massa cinzenta. Quanto mais extensa e enraizada for a rede de neurônios, mais fácil será o acesso à informação passado algum tempo. Mas se você lida com a informação de maneira superficial - surfando como um possesso pela internet, por exemplo - não conseguirá reter nada.

O gato dentro da caixa ou no seu quadrado

Onde você estava no 11 de setembro?

Uma das mais vastas e conclusivas pesquisas sobre a memória ocorreu após o 11 de setembro. Uma equipe de psiquiatras, neurologistas e psicólogos saiu às ruas no dia seguinte para perguntar a milhares de novaiorquinos onde estavam no momento da colisão dos aviões nos dois prédios. Gravaram milhares de depoimentos. Após um ano, procuraram as pessoas que tinham entrevistado e continuaram a gravar, ano após ano, até completar dez anos de gravações. A primeira surpreendente conclusão a que chegaram foi a de que a memória dos atos praticados ou ocorridos resta, em média, tão somente 61%. Invertendo o número, 39% de nossa memória sobre atos desaparece em pouco tempo. Pior ainda foi a conclusão dessa equipe sobre a memória emocional dos entrevistados. Restava tão somente 40% de como se sentiram no momento que souberam da colisão dos aviões. Isso mesmo, nossa memória emocional não preserva 60% do que sentimos. E pior ainda, passados alguns anos tendemos a inverter totalmente nossos sentimentos. Boa parte dos entrevistados disseram no dia 12 de setembro que ficaram muito nervosos quando souberam do ato terrorista. Passado um ano, afirmaram exatamente o inverso: tinham ficado calmos.

O gato dentro da caixa ou no seu quadrado

Presidente, como o senhor ficou sabendo do ato terrorista de 11 de setembro?

A Universidade de Duke, nos EUA, desenvolveu outra pesquisa sobre a memória tomando como base o 11 de setembro. Em um de seus trabalhos analisou as entrevistas concedidas por George Bush pouco tempo depois do 11 de setembro. Mesmo tendo o presidente dos EUA relatado que um de seus assessores tinha lhe comunicado pessoalmente o que estava acontecendo, em duas entrevistas, algum tempo depois, afirmou ter ficado sabendo dos ataques ao ver a cena do primeiro avião colidindo com uma das torres. Essas duas entrevistas eram errôneas, não havia como Bush ter visto o primeiro avião colidindo com a torre, simplesmente porque não haviam sido divulgadas essas imagens online.
Como tal fato lhe "fugiu"? Foi o suficiente para que a boataria começasse a circular na internet. Bush estaria sabendo dos atentados antes deles acontecerem? Era uma conspiração? Nada disso. As lembranças funcionam assim mesmo, aos "trancos e barrancos", com mais escuros que claros, com mais erros do que acertos. Basta recordar que só preservarmos 61% dos atos que praticamos ou nos informamos.



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