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27/07/2019 07:20

O mundo perdido dos reais e milionários piratas do Caribe

Mário Sérgio Lorenzetto
O mundo perdido dos reais e milionários piratas do Caribe

Hollywood criou um mundo inexistente em seus filmes sobre piratas. Os mais célebres de todos - Piratas do Caribe I e II - foram parcialmente realizados em Port Royal, a cidade que sediava os piratas. Sem charme, mas essa era a mais rica cidade do mundo durante vinte anos. Era comandada por Henry Morgan, um pobre homem que nasceu no País de Gales, na Grã Bretanha, e de chefão dos piratas passou a ser seu maior perseguidor. Port Royal, passou pela mesma transmutação. Era a "Sodoma do Novo Mundo" e passou a ser o "Cemitério de Piratas".

O mundo perdido dos reais e milionários piratas do Caribe

As cercas criaram uma multidão de abandonados.

A verdadeira história dos piratas começa na Grã Bretanha e não no Caribe. Uma imensa mudança ocorreu na zona rural da Inglaterra: inventaram as cercas. Pouco estudada, a criação das cercas nas fazendas foi determinante na futura mão-de-obra que proveria os navios piratas. Uma gigantesca multidão foi jogada nas estradas da Grã Bretanha (posteriormente, nos demais países europeus ocidentais e no mundo). Estavam proibidos de trabalhar a terra comunitária, onde viveram por séculos, e não podiam entrar nas cidades. De bons produtores rurais passaram a mendigar, assaltar e matar nas estradas. A solução encontrada pelos governantes foi jogá-los nos navios que vinham para as Américas. Essa é a história de como uma canetada governamental pode mudar radicalmente a vida de uma parcela importante da população.

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Henry Morgan, o poderoso chefão dos piratas.

Barba Ruiva, Barba Negra? Não houve chefe pirata mais importante que Henry Morgan. Nascido no País de Gales, na Grã Bretanha, logo associou-se com Eduard Mansvelt, um pirata holandês. Foram eles que organizaram a pirataria do Caribe contando com o apoio e proteção do governador da Jamaica, Thomas Modyford. A especialidade de Morgan era atacar os comboios de navios espanhóis e as cidades americanas que pertenciam à coroa espanhola.

O mundo perdido dos reais e milionários piratas do Caribe

O ataque a Porto Bello.

A história da riqueza dos piratas do Caribe começa com o ataque a Porto Bello, cidade localizada no Panamá, para onde se dirigiam a maior parte da riqueza que saia das Américas rumando para a Espanha. Em 1668, percebendo que não seria possível saquear Porto Bello atacando pelo mar, Morgan levou 1.150 piratas pelas selvas e montanhas, caminhando por três dias, até chegar em uma madrugada quando os homens beiravam a exaustão. Os espanhóis que estavam no Castelo de Santiago de Las Dores, foram pegos de surpresa e não ofereceram muita resistência. Mas, refugiados na Fortaleza de San Jeronimo, parecia que poderiam vencer as tropas de piratas. Morgan, em uma investida que não está nos manuais militares, sequestrou as freiras de um convento nas proximidades e colocou-as como escudo na frente dos piratas. Morgan saqueou Porto Bello enquanto os marujos farreavam. Conseguiu encher treze navios com ouro e prata e 150.000 pesos em moedas de ouro, o que era uma fortuna gigantesca na época.

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A Port Royal de Morgan e de todos os piratas.

Port Royal era uma cidade pertencente à coroa espanhola, a meio caminho entre as Américas e a Espanha. Foi tomada pela Grã Bretanha em 1.655, para tornar-se o centro da pirataria mundial. Para lá acorriam toda sorete de abandonados e bandidos. Tanto ingleses, como holandeses e norte americanos. A maioria tinha a mesma história: expulsos pelo surgimento das cercas nos campos comunitários onde trabalhavam.
Os bucaneiros consideravam a cidade ideal pela proximidade com as rotas de comércio espanholas que lhes ofereciam rápidos saques. O porto era grande o suficiente para atracarem seus navios e tinha uma eficiente mão-de-obra para reparar e construir as embarcações. Na década de 1.660, ganhou a fama como a "Sodoma do Novo Mundo", constituída por piratas, prostitutas e jogadores.
Vinho e mulheres sugavam as fortunas dos piratas até que virassem mendigos ou voltassem aos ataques. Há relatos que gastavam duas a três mil moedas de ouro em uma noite. Outros afirmam que para ver uma mulher nua que desejassem, chegavam a pagar 500 moedas de ouro. Tinham o costume de obrigar a todos que passassem nas ruas a tomar vinho - de graça - à força. No ápice do crescimento, Port Royal tinha um bar para cada dez habitantes. Durante vinte anos - que acabou em 1.692 - aproximadamente 6.500 piratas viviam em Port Royal.
Tudo acabou em 7 de junho. Um devastador terremoto atingiu a cidade deslocando a areia sobre a qual a cidade havia sido construída. Um tsunami, em seguida, pôs dois terços da cidade sob as águas. Era o fim da idade de ouro dos piratas.
Morgan foi nomeado, pela coroa inglesa, governador do que restava da cidade e passou a enforcar os piratas.

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