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07/01/2019 06:35

O sofrimento alheio, às vezes, nos traz prazer

Mário Sérgio Lorenzetto
O sofrimento alheio, às vezes, nos traz prazer

Seria tremendamente raro que algo disto nunca lhe tenha acontecido. É uma característica comum aos humanos. E tem um nome bastante estranho para os brasileiros: "Schadenfreude". Em alemão, se traduz como prazer pelo sofrimento. Alheio, que fique claro. Sim, o sofrimento dos outros pode nos trazer um forte regozijo.

O sofrimento alheio, às vezes, nos traz prazer

Schadenfreude com e sem competição.

Esse prazer é muito claro quando há competição direta com a outra pessoa, ou quando a outra pessoa fez algo que mereça esse sofrimento. Se parasse por aí, seria apenas uma questão lógica. Mas, não é só isso que sentimos. O mais estranho é quando temos prazer pelo sofrimento alheio sem que nos traga nenhum benefício, pessoal ou social.

O sofrimento alheio, às vezes, nos traz prazer

A pesquisa sobre o Schadenfreude.

Para revelar esse mistério, a Universidade de Princeton fez uma pesquisa engenhosa. A ciência do Schadenfreude é complicada porque ninguém gosta de reconhecer seu lado mais obscuro, o lado da maldade que há em todos.
A universidade descobriu que às vezes as pessoas esboçavam um micro sorriso quando observava a desgraça alheia, mesmo que quisessem ocultar seu regozijo. Mas, ao mesmo tempo que abria um micro sorriso, as pessoas tinham ativado o "corpo estriado", um dos núcleos da base do diencéfalo, uma região de circuitos cerebrais ancestrais que codificam o prazer. Quer dizer, em muitas pessoas a desgraça dos outros dá um prazer visceral, direto, não racionalizado, nem mediado pelas palavras.

O sofrimento alheio, às vezes, nos traz prazer

Mas, por que sentimos prazer pela desgraça de uns e não na desgraça de outros?

Com seu detector de micro sorriso, a Universidade de Princeton descobriu que sentimos prazer quando aquele que fracassa cumpre duas condições: a primeira é que essa pessoa seja competente; a outra condição é que ela não nos transmite calor. Se uma pessoa têm importância para nos, é quente, mas é incompetente (a universidade usa o exemplo de uma pessoa muito idosa), a tendência é que sintamos por ela compaixão. Se for que te e muito competente (o exemplo é o de um grande professor), sentimos orgulho e admiração. Mas quando uma pessoa é competente e não é quente (o exemplo é de um jogador do time adversário), sentimos inveja. E estas últimas, são aquelas que nos remetem ao Schadenfreude.
O sofrimento alheio nos traz, às vezes, prazer autêntico, puro, genuíno.

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