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22/03/2019 07:00

Pesquisam os choques para reduzir a violência

Mário Sérgio Lorenzetto
Pesquisam os choques para reduzir a violência

Choques elétricos em pessoas violentas nos remetem ao filme "Laranja Mecânica". A ideia não é nova. Todavia, até agora ninguém sabia quantos amperes poderiam ser aplicados sem causar danos à capacidade cognitiva de cada pessoa. Esse desconhecimento está perto de findar. Se não fosse a política partidária, estaríamos, possivelmente , muito perto de uma nova era nas prisões do mundo, especialmente das masmorras brasileiras.

Pesquisam os choques para reduzir a violência

Três cientistas e duas prisões espanholas.

Três cientistas - um alemão, uma espanhola e um mexicano - escolheram as prisões de Huelva e Córdoba, na Espanha para sediar seus experimentos. Nada menos de 41 presidiários se voluntariaram, sem receber qualquer vantagem pecuniária ou prisional. Os cientistas já haviam acompanhado outros estudos com eletricidade, tanto em transtornos psiquiátricos ou neurológicos. A primeira fase da pesquisa teve início em 2016 e foi, recentemente, publicada em duas revistas de medicina.

Pesquisam os choques para reduzir a violência
Pesquisam os choques para reduzir a violência

Pequenos choques três vezes ao dia.

O experimento consiste em ministrar uma leve corrente de 1,5 miliamperes na fronte dos reclusos e avaliar, antes e depois do choque, sentimentos como a raiva e a hostilidade. Três vezes ao dia.
Primeiro, os cientistas estudam os delitos cometidos pelos voluntários através de um questionário com 40 perguntas como: "se alguém me provoca o suficiente, posso golpeá-lo" ou "Algumas vezes sinto que sou um barril de pólvora pronto para estourar".
Depois, colocam eletrodos nos crânios dos reclusos e, durante meia hora procedem a denominada "estimulação transcraneal com corrente direta" , com o objetivo de ativar o córtex prefrontal, uma área do cérebro potencialmente relacionada com a agressividade. Ao terminar, voltam a fazer as mesmas perguntas.

Pesquisam os choques para reduzir a violência

Depois dos choques vem o relaxamento.

Antes da estimulação elétrica os presos respondem às perguntas de maneira muito violenta. Depois das três sessões diárias, se sentem relaxados e muitos dizem ter obtido uma paz interior. Eles não sofrem em nenhum momento dos choques. Os primeiros resultados foram publicados na Neuroscience e na revista médica britânica New Scientist.
Os resultados mostram pelo menos 37% de queda em sentimentos como a agressividade física. Os presos não registraram nenhum efeito adverso. Outras vantagens são de um processo extremamente simples e barato. Há pouco, o governo espanhol resolveu suspender a segunda fase dessa pesquisa. A motivação? Eleições parlamentares próximas pois os adversários da direita (PP) foram os incentivadores da pesquisa.Nenhuma explicação científica foi apresentada.



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