Vocês herdaram a terra. Mas esqueceram de herdar o combinado.
Por anos parecia que estava tudo certo. Irmãos se dando bem. Almoço de domingo na família rolando. Ninguém brigava. Todo mundo achava que tinha achado a fórmula. Aí o pai deixou de sentar na cabeceira da mesa. A cadeira ficou vazia. E a ficha caiu:
Eles não concordavam tanto assim. Só tinham alguém decidindo por eles.
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Enquanto o fundador tá na mesa, tudo parece fácil.
Deu divergência, ele resolve. Deu dúvida, ele decide. Deu conflito, ele bate o martelo.
Aí a família confunde liderança com harmonia. E não é a mesma coisa.
Já vi irmãos que eram parceiros passarem meses sem se falar. Já vi processo de irmão contra irmão. Já vi fazenda dividida no meio. Já vi empresa perder valor.
E quase nunca o problema era o patrimônio. Era outra coisa.
Ninguém combinou o que fazer quando viesse a primeira briga de verdade.
Quem decide se vende?Quem decide se compra?Quem decide se investe?
Quem decide se distribui lucro? Quem decide quando ninguém concorda?
A maioria das famílias passam anos discutindo como transmitir o patrimônio. Mas não discutem como tomar decisões depois que fazem a transmissão. E é aí que começa o problema.
Patrimônio você transmite com documentos e assinaturas.
Confiança, liderança, capacidade de decidir… isso não. Isso se constrói antes. Muito antes.
O teste de verdade da sucessão não é no cartório.
É na primeira reunião que ninguém concorda. E é ali que muita família descobre:
O patrimônio foi transferido. O combinado, não.
Montar esse combinado antes da hora é o que deve ser feito pelas famílias empresárias.
Porque quando a briga chega, já é tarde pra começar.
(*) Rodrigo Gonçalves Pimentel é advogado (OAB/SP 421.329 | OAB/DF 68.003 | OAB/MS 16.250), empresário e corretor de imóveis (CRECI/MS 11.939). Sócio do Pimentel & Mochi Advogados e gestor da Todeschini MS e RP Imóveis. Foi Secretário de Governo e Presidente da Fundação de Cultura de Campo Grande.
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