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Momento Saúde Bucal

Dentista, mas também lutador contra o Alzheimer

Marco Polo Siebra (*) | 21/06/2023 12:45

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) concluem que o Brasil tem hoje 33 milhões de pessoas idosas e que naturalmente os números só crescem, tendo uma relação de aumento de 4% ao ano. No Estado de Mato Grosso do Sul, são 412 mil pessoas com 60+, o que equivale a 15% da população, ou seja, a cada 20 sul-mato-grossenses, 3 têm 60 anos ou mais.

A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 15 de junho como o Dia Mundial de Conscientização sobre a Violência contra a Pessoa Idosa, tendo como objetivo chamar a atenção para a existência de violações dos direitos dos idosos e divulgar formas de denunciá-las e combatê-las. Por isso, o Junho Prata tem o objetivo de trazer essa conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa.

São vários tipos de violência contra a pessoa com 60 anos ou mais: violência física; violência psicológica; negligência; violência institucional; abuso financeiro; violência patrimonial; violência sexual; e discriminação. É importante que a sociedade tenha consciência sobre esses tipos de violência, para denunciar e ajudar a combater.

Mas gostaria de falar especificamente sobre a violência de negligência com a saúde bucal do idoso. Como odontogeriatra, vejo muito abandono por parte dos familiares com a saúde bucal da pessoa idosa, principalmente aqueles que necessitam de cuidados especiais, como as pessoas idosas com Alzheimer, Parkinson, sequelado de AVE, paralisados cerebrais, enfim, idosos que não respondem mais por eles e que necessitam de atenção.

Sem contar a violência de profissionais odontólogos que fazem uns tratamentos que não reabilitam verdadeiramente o órgão boca desses idosos, que são penalizados a viver uma vida sem qualidade, sem prazer de mastigar, de se alimentar corretamente, sem autoestima.

A população idosa é a população que mais cresce no mundo e ainda hoje não tem um especialista em odontogeriatria na rede pública para atender esses idosos, sabe por quê?

Porque qualquer um atende o idoso, por isso. Na verdade, não dão realmente a atenção e o valor necessário para a pessoa idosa. São discriminados. Mas tudo bem, um dia essas pessoas também serão idosas e aí sentirão na pele o que é ser um idoso no Brasil. Sem serviços de qualidade que verdadeiramente resgatam suas qualidades de vida, sua autoestima, seus sorrisos, a verdadeira vontade de viver mais.

A maior hipocrisia é dizer “Melhor Idade”, melhor em quê? Melhor em abandono? Em descaso do serviço público? Quantos geriatras tem na rede pública? Vocês sabem quanto tempo um idoso leva para fazer um exame de imagem de cérebro para um diagnóstico de demência? No mínimo 6 meses a 1 ano, se não for mais. Que melhor idade é essa?

Então precisamos muito amadurecer como cidadãos, como sociedade, para realmente valorizarmos nossos idosos e isso começa dentro da nossa casa. Aí eu pergunto de todo coração, como você está tratando seus idosos?

E você idoso não aceite nunca ser desrespeitado, você construiu nosso Brasil, merece toda honra da nossa parte.

Sou odontogeriatra desde 2003 e continuo sendo o único em Mato Grosso do Sul em atuação. Fundamos uma Associação de Alzheimer em 2005 para dar suporte, orientação, acolhimento, informações aos familiares e cuidadores de pessoas com Alzheimer porque o poder publico não faz esse papel, infelizmente.

Mas acredito que um dia tudo isso vai melhorar, por isso faço o que faço.

Um grande abraço e se quiserem tirar alguma dúvida me manda um direct no meu Instagram @drmarcopolosiebra que terei maior prazer em te ajudar.

Até o próximo vídeo.

(*) Marco Polo Siebra é odontólogo há mais de 30 anos, Especialista em: Prótese Dentária; Odontogeriatria; Implantodontia. É Master Coach Pela FEBRACIS (Federação brasileira de Coaching Integral Sistêmico), Ministrante dos Cursos: Pode da Ação; Poder e Alta Performance; Jeito de Viver Família; Educar, Amar e Dar limites; Decifre e Influencie Pessoas; Coach de Carreira; Analista de Perfil Comportamental; Processo de Coaching Individual; Processo de Coaching em Grupo; Especialista em “Neurociência e Performance Humana” na Faculdade FEBRACIS; Presidente da Liga de Neurociência da Febracis Pós-graduações; Coordenador de um Grupo de Apoio para familiares e cuidadores de pessoas com Alzheimer. Hoje tem como principal missão e propósito de vida impactar e transformar pessoas de forma que concretizem seus sonhos e objetivos em todas as áreas da vida.

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