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Segurança e Cidadania

Heróis que protegem vidas: Homenagem aos policiais

Por Coronel Alírio Villasanti (*) | 28/04/2026 09:30



O Brasil apresenta uma forte tendência de se tornar, no futuro, um país menos rigoroso no cumprimento de regras e normas, em meio a uma violência crescente.

A percepção que os cidadãos têm da segurança pública é, muitas vezes, construída a partir de ações simples do cotidiano policial — atitudes que, embora rotineiras, são de extrema importância para quem necessita desses atendimentos, especialmente na condição de vítima.

No prefácio da conhecida obra Elite da Tropa (2006), os autores retrataram com muita sabedoria uma realidade que não difere muito da atualidade:

“Todos os dias, no estado do Rio de Janeiro, um grande número de policiais arrisca a vida no cumprimento de seu dever constitucional, com dignidade e coragem. Eles recebem salários desproporcionais às ameaças que enfrentam e à importância de sua função. Muitos sofrem danos físicos e mentais. As baixas fatais contam-se às centenas. Trabalham, frequentemente, em condições precárias e incompatíveis com a complexidade de sua missão, tanto preventiva quanto investigativa e repressiva. Além disso, têm visto sua imagem pública degradar-se.”

Na mesma obra, um dos autores, Capitão Pimentel, relata sua visita ao então Comandante-Geral da Polícia Militar para tratar da publicação do livro. Ele descreve a experiência da seguinte forma:

“A PM exerce uma curiosa atração sobre os seus membros. Até sobre os que saíram, como eu. Não paro de pensar na corporação, nos colegas, nas operações. Depois que entrou em minha vida, a polícia nunca mais saiu. Acho que nunca vai sair.”

Em 2018, foi sancionada a Lei nº 13.675, que instituiu o Sistema Único de Segurança Pública e criou a Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social. Um de seus capítulos trata da valorização profissional, instituindo, por exemplo, um programa nacional de qualidade de vida. Esse programa aborda temas como a prevenção da violência autoprovocada e do suicídio, o estímulo ao convívio social, a aproximação da família ao local de trabalho, o acompanhamento psicológico regular — especialmente para aqueles envolvidos em ocorrências de risco ou experiências traumáticas — e a regulamentação da jornada de trabalho, garantindo o direito à convivência familiar e comunitária, entre outros pontos.

A Política Nacional estabelece, ainda, como um de seus princípios a proteção, a valorização e o reconhecimento desses profissionais.

 Pesquisa recente da Escola de Educação Física da Polícia Militar de São Paulo concluiu que policiais militares, em razão de suas atividades, apresentam aumento da frequência cardíaca devido ao trabalho fardado, sobrecarga nas articulações em função do peso dos equipamentos, queda da capacidade muscular e neural, declínio do nível de atenção e piora na qualidade do sono na véspera do serviço — fatores que impactam diretamente na performance.

No passado, dizia-se que quem permanecia no quartel estava buscando serviço ou cadeia. Hoje, sabemos que o trabalho deve ser fonte de realização e crescimento, e não de sofrimento. Para isso, é essencial que existam espaços que permitam momentos de descanso e recuperação, utilizados dentro de regras adequadas.

No Dia do Trabalhador, rendo minhas homenagens aos policiais de todo o Brasil, em especial aos de Mato Grosso do Sul, que contribuem para que o Estado figure entre os mais seguros do país, com a maioria dos índices criminais abaixo da média nacional.

Entretanto, é fundamental que se institua, na maioria das corporações, uma verdadeira cultura de valorização dos profissionais, que exercem um serviço público essencial, baseado na prevenção e na repressão qualificada, imprescindível para a defesa dos princípios constitucionais e para a governabilidade.

Nos últimos tempos, narrativas têm tentado desconstruir e desmerecer a atuação dos profissionais de segurança pública. A crítica às instituições não pode ser a tônica dominante na busca por soluções efetivas para a violência.

Medidas previstas na legislação já citada precisam ser efetivamente implementadas. A cultura de valorização envolve diversas ações, entre elas o reconhecimento salarial justo, a melhoria das condições de trabalho e o cuidado com a saúde física e mental. Esses fatores impactam diretamente na qualidade do serviço prestado à sociedade.

Por fim, presto uma justa homenagem à memória dos profissionais que tombaram bravamente em serviço durante minha trajetória profissional. São eles: Cb Torres, em Porto Murtinho; Sgt Gomes e Tenente Winckler, em Dourados; e Cb Rudy, em Corumbá. Morreram em serviço porque juraram defender a sociedade, mesmo com o risco da própria vida.

À memória deles, e a todos os demais policiais de Mato Grosso do Sul, a minha continência respeitosa.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.