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Carlos Nejar e as palavras que o constroem

Por José Marques - Conteúdo de Marca | 23/07/2021 07:45
Escritor Carlos Nejar e José Marques (Foto: Divulgação)
Escritor Carlos Nejar e José Marques (Foto: Divulgação)

Ocupando a 4ª cadeira da Academia Brasileira de Letras há mais de 30 anos, o escritor, ficcionista, tradutor, poeta e crítico literário, Carlos Nejar, foi entrevistado em uma tarde agradável, por José Marques, na 067 Vinhos, onde também esteve presente o secretário de Cidadania e Cultura de Mato Grosso do Sul, João César Mattogrosso. O autor fala sobre a sua vida na literatura brasileira, sendo ele um grande nome desta, sendo reconhecido mundialmente, com mais de 40 publicações em sua carreira.

O autor, que fez sua terceira visita ao estado, elogia tanto a cultura quanto a qualidade poética presente na literatura sul-mato-grossense. Ele diz ter conhecido o celeiro cultural de Mato Grosso do Sul, através de autores do estado como Raquel Naveira, Delasnieve Daspet, Rubenio Marcelo, entre muitos outros que demonstram “o pulsar da criação”, o que mantém a cultura da região viva.

Nejar demonstra admiração pelo fato de, em Mato Grosso do Sul, termos a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e a Academia Feminina de Artes e Letras com tamanho dinamismo, expressando sua alegria em ter sido convidado a explanar sobre o “Gênero de Machado de Assis”, em uma solenidade que ocorreu vinda da parceria entre a Academia Feminina de Artes e Letras e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

O autor exprime que o estado não deve ser marginalizado, muito menos esquecido, já que é rico não só na cultura em geral, mas no turismo, deixando claro sua indignação em não existir a devida importância na qualidade literária do estado.

João César Mattogrosso, Carlos Nejar e José Marques (Foto: Divulgação)
João César Mattogrosso, Carlos Nejar e José Marques (Foto: Divulgação)

Durante a entrevista, lhe é perguntado sobre a literatura contemporânea e se ela tem se provado a altura das épocas literárias anteriores a ela, principalmente a geração modernista, que trouxe a luz autores que, até os dias de hoje, são cultuados e lidos, como João Cabral de Melo Neto, Jorge de Lima, Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Todos os citados possuem um poder de criação que ainda não se viu, não podendo ser comparado ao mundo contemporâneo, onde encontramos uma população que pouco lê e que pouco produz no quesito literatura de qualidade, a não ser uma parcela que se destaca. Sobre isso, ele fala que, “para termos um futuro, devemos resgatar para o passado”, sendo assim, ele diz que a produção poética contemporânea não está à altura do que já se viu e viveu na literatura brasileira.

Em relação ao trabalho dos editores, ele diz ser essencial, como Valter Jerônimo, da editora Life, que já publicou vários livros do autor. Segundo ele, Valter têm o dom da edição, já que cuidam do trabalho dos escritores, o mostrando para o mundo.

Quando perguntado sobre a sua atual produção literária, que mesmo sem publicações não para, Carlos Nejar, diz escrever e produzir melhor pela madrugada, no silêncio, enquanto sua esposa dorme. Segundo ele é quando as palavras vem, e o constroem, quando o texto lhe raciocina, sendo necessário pouca, quase nenhuma, alteração quando acorda pela manhã. O autor conta que é nesse momento de pandemia onde ele mais está  produzindo e escrevendo, como nunca antes havia feito.

Sobre a poesia, ele faz uma analogia, dizendo que esta é uma floresta encantada, onde as árvores são as palavras e os poetas as sementes, sendo este sujeito a memória viva das coisas, resgatando o que existe e o que não existe. Ele termina falando que o poeta se constrói nascendo, e que são sementes, “quem nasce para ser semente não morre jamais, sempre está crescendo e produzindo,  mesmo que na barriga dos pássaros”.


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