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Direto das Ruas

Após morte de bebê durante o parto, família acusa maternidade de negligência

"Pensava em sair com o bebê nos braços, mas vou para o velório", diz mãe

Por Alana Portela | 14/05/2021 15:23
Fachada da Maternidade Cândido Mariano. (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Fachada da Maternidade Cândido Mariano. (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Após uma promotora de vendas de 33 anos perder o bebê no parto, família registrou boletim de ocorrência contra a Maternidade Cândido Mariano por negligência. “Pensava em sair com o bebê nos braços, mas vou para o velório. Não fizeram ultrassom”, lamenta a mãe.

Ela que prefere ter a identidade preservada relata que estava na 41ª semana, da terceira gestação e aguardava ansiosa a chegada de Eloá. A expectativa era realizar o parto normal, já que durante o pré natal nem a bebê e nem a mãe apresentaram problemas de saúde.

Diferente das outras gestações que a fez entrar em trabalho de parto antes de chegar a 40ª semana, a terceira gravidez demorou um pouco mais. A paciente chegou a 41ª semanas e dois dias, mas para sentir as contrações. Assustada e ansiosa ao mesmo tempo, a mãe resolveu ir até a maternidade na quarta-feira (12), para saber como estava a filha dentro da barriga.

Cômoda rosa com produtos e uma banheira comprados e estão no quarto da bebê. (Foto: Arquivo pessoal)
Cômoda rosa com produtos e uma banheira comprados e estão no quarto da bebê. (Foto: Arquivo pessoal)

“Me atenderam, ouviram o coração da bebê e mandaram voltar para casa”, conta a mãe relatando ainda que o atendimento foi realizado por residentes sem acompanhamento de um obstetra "eram estagiários".

No dia seguinte, a paciente retornou à maternidade onde ouviu o coração da bebê e foi avaliada. “Fizeram o toque e falaram que estava com três centímetros de dilatação. Pediram para caminhar por duas horas e voltar”, lembra.

A gestante então decidiu caminhar perto do hospital, ao redor da praça Belmar Fidalgo. Passado as duas horas, ao retornar à maternidade foi examinada novamente, momento que a equipe médica constatou que estava com quatro centímetros de dilatação e a encaminhou para sala de parto.

“O coração da bebê estava batendo ainda. Me levaram para sala de parto. Por volta das 16h, os médicos já não ouviram mais o coração dela. Ficaram meia hora tentando escutar, mas nada”.

Sem ouvir o coração de Eloá, os médicos a levaram até o centro cirúrgico, onde fizeram uma cesariana de emergência. “Ela já estava morta”, recorda a paciente que emenda falando sobre o motivo da perda. “Disseram que foi deslocamento de placenta que provocou o afogamento e a morte dela”.

“Vi minha bebê, nem sem explicar o que estou sentindo, chegar com filho vivo e sair com um morto”, lamenta mãe.

Inconformada - “Não era gravidez de risco, fiz o pré natal corretamente, não tenho problemas de saúde e tive dois partos normais antes. Não tenho palavras para falar sobre como é a dor de perder um filho. Nada substitui”, declara a mãe.

Após a morte da filha, seu esposo de 36 anos que também é promotor de vendas e pediu para ter identidade preservada, procurou a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro, onde prestou queixa e registrou o boletim de ocorrência como homicídio culposo.

Eles são casados há 20 anos, tem duas filhas e estão inconformados com o ocorrido. “Foi negligência médica porque uma paciente com 41 semanas e dois dias de gestação, que teve outros partos normais. Acho que não fizeram questão de atender e nem pediram ultrassom que se tivesse sido feita, fariam a cesariana e retirado a neném. Não esperava a bebê morrer dentro da barriga”, diz o pai revoltado com a situação.

Abalados, o casal continua na maternidade, onde a esposa permanece internada. A angústia e tristeza toma conta do peito dos pais que não conseguem conter o choro toda vez que olham para a bolsa maternidade com roupas da filha. “Tinha deixado tudo arrumado”, diz a mãe.

Em casa também já estava tudo preparado, desde o berço que foi o primeiro móvel comprado para receber Eloá a cômoda rosa no quarto que seria da filha.

Outro lado - A reportagem procurou o hospital e obteve retorno da AAMI (Associação de Amparo à Maternidade e à Infância) que tomou conhecimento do caso e se manifestou lamentando o ocorrido.

"Lamentável óbito de um recém-nascido, causando uma perda irreparável à família. Todavia, a Maternidade Cândido Mariano esclarece que está prestando toda assistência necessária aos envolvidos, acompanhando com especial interesse o desenrolar da situação, e destacando que se pauta pela excelência no atendimento à toda parturiente. Por solicitação da Diretoria do Hospital, e da família da paciente, o caso receberá a devida atenção", garante a equipe.

"A comissão de ética da Maternidade também dará os devidos encaminhamentos para a assistência da gestante, bem como na apuração do transcorrer do atendimento feito à gestante", completa o hospital por meio de uma nota.

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