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Direto das Ruas

Evento oficial revolta por aglomeração ao lado de 2 hospitais que atendem covid

Na avaliação de quem passa, estrutura montada mostra dimensão de cerimônia que será na próxima segunda

Por Ana Oshiro e Mariana Rodrigues | 05/03/2021 10:46
Preparação para evento chama atenção e vira alvo de reclamação (Foto: Paulo Francis)
Preparação para evento chama atenção e vira alvo de reclamação (Foto: Paulo Francis)

Na próxima segunda-feira (8), às 15h, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, vem a Campo Grande para realizar a entrega de 164 ônibus escolares para os 79 municípios do Estado. O evento será no estacionamento do Parque das Nações Indígenas, na Rua Antônio Maria Coelho. Mas antes mesmo da festa, a estrutura montada chamou atenção de algumas pessoas e virou motivo de reclamação entre quem trabalha ou passa pela região.

Jerusa Yahn, de 59 anos, assistente social, entrou em contato com o Campo Grande News, pelo canal Direto das Ruas, para reclamar sobre a situação. "É brincadeira um troço desse, pra que isso? No meio de uma pandemia? O governo tá fora da casinha, um evento desse tamanho com um monte de gente morrendo todo dia. Quantas pessoas vão se reunir ali? Pelo menos um motorista pra cada ônibus, mais os políticos, vai ser muita gente, estou indignada", disse Jerusa.

De acordo com a assistente social, a estrutura montada também está atrapalhando a vida de quem frequenta o Parque das Nações Indígenas e quem trabalha na região, já que o estacionamento é usado diariamente por essas pessoas e está interditado desde terça-feira (2)."Pensei que fosse pra consertar os buracos, aí na quinta vimos a tenda e os ônibus e não acreditei. Eles deveriam primeiro pensar em vacinar os professores e depois entregar esses veículos.", finalizou Jerusa.

Ela trabalha no Hospital da Unimed, hoje lotado com pacientes da covid-19. Na mesma região, fica o Hospital da Cassems, que também sofre desde a semana passada com aumento na ocupação de leitos.

"Todo mundo está indignado", diz outra mulher que pediu para não ter o nome divulgado. Para ela, o local escolhido para evento é um agravantes. "Será ao lado de um lugar onde tem gente morrendo todo dia de covid e eles vão aglomerar para entregar ônibus? Sendo que nem aula tem. Os médicos e enfermeiros estão revoltados"

Entradas do estacionamento estão fechadas e com seguranças particulares (Foto: Paulo Francis)
Entradas do estacionamento estão fechadas e com seguranças particulares (Foto: Paulo Francis)

O Campo Grande News foi ao local na manhã desta sexta-feira (5) para verificar a reclamação da leitora, a reportagem tentou acesso ao estacionamento, mas além das fitas que impedem a passagem, seguranças particulares também barraram a entrada. Com uma tenda grande e outras três menores, a estrutura ainda está sendo finalizada pela organização, nesta manhã ainda chegavam alguns dos veículos que serão entregues no evento de segunda.

Para o comerciário João Wagner Cruz, de 57 anos, a entrega dos ônibus é válida e vai ajudar a população, mas deveria ser feita de outra maneira. "A entrega poderia ser gradativa ou de outra forma. Não precisamos de um mega evento, poderia ser algo simbólico, a população entenderia melhor. O momento não é adequado pra isso. Vai ter muita gente no palanque, se a capital já não tem leitos, imagina o interior", disse João.

Ednaldo diz que evento deveria ser feito de outra forma (Foto: Paulo Francis)
Ednaldo diz que evento deveria ser feito de outra forma (Foto: Paulo Francis)

Ednaldo Oliveira, entregador de 50 anos, também estava no local e não concorda com a realização do evento. "Eles não respeitam, dá pra ver que ali só vai ter gente do alto escalão e eles não respeitam o momento que a gente tá vivendo. Esse respeito deveria partir deles. Acho que deveria ser uma entrega simbólica, online", comentou o entregador.

Entramos em contato com o Governo do Estado, que organiza a entrega, e com a assessoria do Ministério da Educação, para entender como será o evento oficial e pedindo um posicionamento sobre as reclamações. Perguntamos  o motivo da escolha do local, como serão as regras de biossegurança e se o volume das caixas de som serão reduzidos, já que em frente ao estacionamento existem dois hospitais. Até o fechamento da reportagem, não obtivemos retorno.

Direto das Ruas – A informação chegou ao Campo Grande News por meio do canal Direto das Ruas, meio de interação do leitor com a redação. Quem tiver flagrantes, sugestões, notícias, áudios, fotos e vídeos pode colaborar no WhatsApp pelo número (67) 99669-9563.

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