Ônibus atola e moradores denunciam abandono em ruas sem asfalto
Vias do loteamento ficaram tomadas por barro; quem vive na região reclama de dificuldades no transporte

Moradores do Loteamento Cristo Redentor, em Campo Grande, denunciam há anos a precariedade das ruas sem pavimentação no bairro. Na manhã desta terça-feira (26), um ônibus do transporte coletivo atolou na esquina das ruas Lourenço Alves da Costa e Tereza Garcez Paim, após as chuvas que atingiram a Capital.
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Um ônibus do transporte coletivo atolou na manhã desta terça-feira (26) na esquina das ruas Lourenço Alves da Costa e Tereza Garcez Paim, no Loteamento Cristo Redentor, em Campo Grande, após chuvas atingirem a capital. Moradores relatam precariedade nas vias há anos, com lama, buracos e prejuízos frequentes. A Sisep informou que realizou serviços de manutenção em janeiro e que nova intervenção está prevista para junho.
A moradora Cristiane da Silva Limeira relata que a situação das vias tem dificultado a rotina de quem vive na região. Segundo ela, o problema se agrava em dias de chuva, quando as ruas ficam tomadas por lama e buracos. “Os ônibus volta e meia atolam. Quando chove aqui vira um caos. Motoristas de aplicativo não querem mais entrar no bairro e, quando vêm, reclamam das condições das ruas”, afirmou.
Ainda conforme a moradora, a falta de asfalto atinge inclusive a linha do transporte coletivo, prejudicando a mobilidade dos moradores. “Está muito complicado andar aqui. As vias estão todas esburacadas e cheias de barro. Dá tristeza morar aqui”, desabafou.
A merendeira Rosângela Xavier da Silva, de 60 anos, afirmou que a rua onde o ônibus atolou é uma das principais vias do bairro e que os transtornos são frequentes. “Praticamente toda noite tem carro atolado aqui e precisa de guincho para tirar. A gente reclama, fala, pede ajuda, mas continua do mesmo jeito”, disse.
Segundo ela, os ônibus desviam dos buracos passando sobre as calçadas das casas, causando prejuízos aos moradores. “Acabaram com minha calçada e com as minhas plantas. Os motoristas que já conhecem a rua conseguem desviar, mas quem não conhece acaba atolando”, relatou.
Ela também reclamou do mau cheiro e da lama constante na região. “Mesmo sem chuva, essa lama aparece. Tem um cheiro muito forte aqui e ninguém sabe de onde vem. É desesperador”, afirmou.
Moradora do bairro há 12 anos, Rosângela conta que ouviu promessas de pavimentação desde que comprou a casa, mas a situação nunca mudou. “Falaram que, por ser linha de ônibus, iam asfaltar logo, mas até hoje continua assim”, lamentou. Ela também destacou as dificuldades enfrentadas por quem utiliza o transporte coletivo.
O ponto de ônibus fica em frente à minha casa e as pessoas precisam esperar na minha calçada porque não tem como ficar no barro e na lama”, explicou. Ao final, a moradora fez um apelo ao poder público. “Essa vila está abandonada. A gente precisa de ajuda. Prefeita, olha pela gente e faz alguma coisa pelo bairro”, pediu.
Conforme a arquiteta Talita Oliveira Domingues, de 30 anos, a via não recebe serviços de recapeamento ou manutenção há mais de um ano. Segundo ela, com o passar do tempo surgiram diversos buracos e, devido ao acúmulo constante de água, os trechos danificados nunca chegam a secar.
“Atualmente, a situação da rua se agravou completamente. Com o tráfego diário de veículos, o local praticamente virou um trecho de barro, causando atolamentos frequentes. Os moradores que vivem do lado direito da via enfrentam muitas dificuldades para entrar e sair de casa por causa da quantidade excessiva de lama e das péssimas condições de tráfego”, afirmou.
A enfermeira Eliane Santos, de 42 anos, mora no bairro há 16 anos e também afirma que os problemas nas ruas são antigos. Segundo ela, apesar do alto valor pago em impostos, os moradores continuam convivendo diariamente com lama, buracos e prejuízos constantes. “Nunca resolvem a situação. A gente paga um absurdo de IPTU [Imposto Predial Territorial Urbano], só o da minha casa é R$ 1,3 mil, e mesmo assim o bairro continua abandonado”, disse.
Ela relata ainda que os danos causados pelas condições da via afetam diretamente o bolso e a rotina dos moradores. “A suspensão do meu carro está toda danificada e, de três em três meses, preciso levar para a oficina. Todo mundo atrasou para o trabalho por causa da situação da rua. É um transtorno. Essa rua já deveria estar asfaltada há muito tempo”, afirmou.
Questionada pela reportagem, a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) informou que realizou serviços de patrolamento e cascalhamento nas vias do Bairro Cristo Redentor na segunda quinzena de janeiro deste ano. A pasta acrescentou que uma nova manutenção das ruas sem pavimentação já está programada para o início de junho.

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