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Economia

Alta de 36% no valor da ração puxa o preço do ovo para mais de R$ 15 em mercados

Conforme os produtores, no ano passado era necessário investir 0,91 centavos no quilo da ração; este ano é preciso ter R$ 1,24

Por Maressa Mendonça | 26/03/2020 16:04
Fase da separação dos ovos em cooperativa (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Fase da separação dos ovos em cooperativa (Foto: Arquivo/Campo Grande News)


Denúncias sobre o preço dos ovos comercializados nos supermercados de Campo Grande não param de chegar junto ao Procon (Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor) em Mato Grosso do Sul. Cartelas com 30 unidades têm sido vendidas em média por R$ 14, 00 e, segundo os produtores, o valor não é abusivo.

Segundo o diretor da Amas (Associação Sul-Mato-Grossense de Supermercados), Edmilson Jonas Verati, os comerciantes estão apenas repassando os valores das compras que ficaram mais caras para eles.

O titular do Procon, Marcelo Salomão confirma ter ouvido essa explicação em vários mercados por onde os fiscais passaram e orienta os proprietários a guardarem as notas para comprovar se pagaram ou não um valor maior na aquisição.

Na ponta da cadeia, os produtores alertam “nunca ter sido tão caro produzir ovos no Brasil”. De acordo com o diretor-presidente da Camva Cooperativa Agrícola Mista de Várzea Alegre, Reinaldo Issao Kurokawa, para produzir uma dúzia de ovos são necessários 1,5 quilos de ração para as galinhas poedeiras. Se no passado, o valor do quilo era de 0,91 centavos este ano não sai por menos de R$ 1,24.

Para entender esta conta é necessário saber quais são os principais ingredientes usados na ração das galinhas poedeiras: milho, farelo de soja e farinha de carne.

Em 2019, o produtor comprava um saco de milho por R$ 35. Este ano teve de desembolsar R$ 50. O farelo de soja subiu de R$ 1,115 para R$ 1, 6 mil a tonelada. A farinha de carne teve acréscimo de R$ 200, passando de R$ 1 mil para R$ 1, 200.

“O ovo nunca chegou nesse patamar, mas a ração também não”, comenta Issao.

Segundo ele, não dá para avaliar o preço que está sendo oferecido no mercado pensando apenas neste mês em relação ao mês passado, é preciso avaliar o período, especialmente em comparação com o ano passado.

Com base nisto, segundo ele, ficará mais fácil perceber que sempre há um aumento no preço justamente neste período. Parte disso pelo aumento do valor da ração e outro fator de interferência é o período da quaresma, quando o consumo do produto aumenta.

Além disso, ele ressalta que, apesar de os ovos serem produzidos no Brasil, a cotação para os ingredientes da ração,  soja e milho, são “dolarizadas”.

“Subiu lá, interfere na hora aqui. Não é um ou dois dias depois. É na hora. Com o dólar batendo patamar de R$ 5,20 é natural que o valor aumente”, diz. E quem sofre são os consumidores.

Ainda segundo Issao, “R$ 17,50 talvez seja muito, mas beirando R$ 15 ou R$ 16 é o valor real de hoje”, completa se referindo a uma caixa com 30 unidades.